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CLINIONCO INAUGURA O CENTRO DE GINECOLOGIA ONCOLÓGICA COM CIRURGIA MINIMAMENTE INVASIVA E ONCOFERTILIDADE E REALIZA O I CONFERÊNCIA PROFESSOR GUSTAVO PY GOMES DA SILVEIRA, EM EVENTO OCORRIDO NO DIA 20 DE NOVEMBRO.

23 de novembro de 2017

O encontro foi aberto pelo Dr. Jeferson Vinholes, diretor técnico da CliniOnco, que apresentou o novo Centro e abordou sua importância para o atual momento que estamos vivendo na área da saúde.
Os médicos Dr. Geraldo Gastal Gomes da Silveira e Dra. Suzana Pessini, ginecologistas e coordenadores do Centro falaram da trajetória da cirurgia laparoscopia e minimamente invasiva em mulheres com câncer ginecológico.
Dr. Ricardo Reis, ginecologista oncológico do Hospital de Câncer de Barretos, palestrou sobre as experiências positivas com a cirurgia minimamente invasiva visando também a possibilidade de gestação para as mulheres que após o tratamento cirúrgico desejam engravidar. Além disso, salientou que esta técnica é uma nova tendência pois já é praticada nos maiores centros de saúde do mundo.
Todos destacaram e homenagearam o Doutor e Professor Gustavo Py Gomes da Silveira.
Após o evento, foi oferecido um coquetel a todos os convidados.

 

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Segurança do Paciente e Gerenciamento de Risco

1 de novembro de 2017

O tratamento do câncer vem evoluindo muito nas últimas décadas. A pesquisa de novas drogas com menor potencial de reações adversas e risco de reações infusionais é o grande advento nestes últimos anos. Mesmo assim, a infusão de antineoplásicos exige a máxima segurança e a atenção de uma equipe multiprofissional adequadamente preparada. Isto fará toda a diferença no decorrer do tratamento.

A equipe lança mão de todos os recursos para tornar o tratamento o mais seguro possível. O Grupo de Gerenciamento de Risco que faz parte do Núcleo de Segurança do Paciente da CliniOnco trabalha no sentido de prevenir os riscos e minimizar as reações adversas ao paciente em tratamento do câncer.

Uma das atividades realizadas é o monitoramento do Risco de Reações Infusionais (RRI). Estas reações poderão ocorrer aos o paciente ao receberem a infusão de determinados tipos e classes de medicamentos ou quando são politratados, ou seja, que já se submeteram a outras quimioterapias anteriores e também aqueles que já apresentam hipersenssibilidades ou alergias diversas.

A partir dos dados levantados neste monitoramento, a equipe multidisciplinar da CliniOnco, elaborou um trabalho que foi selecionado para ser apresentado no XX Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica – SBOC, que ocorreu nos dias 25 a 28 de outubro de 2017, no Rio de Janeiro. O resultado apresentado foi a constatação de que 93,81% das possíveis Reações Infusionais (RI) foram prevenidas em função das ações adotadas pela equipe.

 

Veja o pôster apresentado no Congresso:

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SAÚDE: OS AVANÇOS CIENTÍFICOS E A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO.

24 de outubro de 2017

clinionco&avancos&cientificos&medicinaManter-se saudável e longevo é uma busca que acompanha o ser humano desde o início da civilização. A mitologia está repleta de história sobre a fonte da juventude. Durante séculos os homens organizavam grandes expedições em busca desta fonte. Alexandre, o Grande, buscou por anos o “Rio da Imortalidade”. Na idade média, acreditava-se que a fonte estaria nas américas e Ponce de León, patrocinado pela corte, viaja e encontra uma costa belíssima e a batiza de   Ilha Flórida, hoje Flórida – EUA, onde encontraria a suposta fonte. Excetuando-se o fato de que até hoje ninguém comprovou a existência desta fonte, o ser humano continua incessantemente na busca da longevidade. O caminho desta evolução é o investimento em grandes estudos, ou seja, grandes expedições, porém agora no mundo da ciência e tecnologia.

Nas últimas décadas o investimento na melhoria das condições sanitárias, a descoberta de vacinas, de antibióticos e drogas capazes de curar e controlar doenças crônicas como diabetes, hipertensão e até mesmo o câncer, resultou no aumento da expectativa de vida da população.  Só no Brasil, esta expectativa aumentou em 11 anos. O grande desafio agora, está em proporcionar qualidade de vida aos anos ganhos devido a estas descobertas.

A evolução sempre teve ao seu lado a tecnologia, mesmo em sua forma mais rudimentar possível, porém, foi após a Revolução Industrial e a II Grande Guerra, que os processos tecnológicos tomaram um caminho sem volta nas inovações e desenvolvimento científico.

A tecnologia da informação se firmou e se constituiu em aliada ao desenvolvimento nas áreas da física, química, biologia e genética. Ela contribuiu de forma definitiva para a descoberta de novas drogas e os avanços no desenvolvimento de equipamentos de alta precisão para diagnóstico e tratamento.

No entanto, apesar de toda esta evolução tecnológica, o ser humano, precisa apropriar-se de algo que lhe é nato. Sua vida, seu autoconhecimento e sua essência. A busca por resposta continua dentro de si e o equilíbrio das dimensões biopsicossocial e espiritual lhe proporcionará a saúde verdadeira.

Preparamos esta matéria, para apresentar aos nossos leitores, de maneira sucinta e resumida alguns dos avanços científicos e como a tecnologia da informação passou a fazer parte de nossas vidas quando falamos em saúde.

A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO NOS SERVIÇOS DE SAÚDE

A sustentabilidade e perenidade de uma organização depende de uma série de fatores. Dentre eles, podemos citar dois dos mais relevantes.  A qualidade do atendimento, principalmente em tratando-se de serviços e mais especificamente os de saúde e o padrão de processos e rotinas de excelência. Estes conferirão às instituições maior credibilidade e fidelização dos clientes. No entanto, é indispensável que todos estes processos estejam sustentados por um Sistema de Tecnologia da Informação (TI) capaz de contribuir para a oferta de um serviço seguro e eficaz.

Atualmente, o Sistema de In-formação passa a figurar como protagonista nos processos de melhorias contínuas na área da saúde. O mesmo dá sustentação e estruturação aos Programas de Qualidade em Saúde, Acreditação Hospitalar, Programas de Segurança do Paciente, entre outros.  Além disso, a utilização de softwares específicos para a área da saúde, ampliou a possibilidade de mensurar os indicadores de desfecho clínico dos pacientes e é um fator determinante para apoiar a equipe assistencial na melhor tomada de decisão para o cuidado centrado no paciente.

Primar pela segurança e eficácia do sistema de TI é fator indispensável para as instituições. A fidelidade dos dados, a agilidade e a precisão das respostas que este sistema entrega, podem contribuir para o desfecho de um tratamento, assim como ser um diferencial na cura dos pacientes.

No campo da prática hospitalar, podemos salientar três considerações pertinentes ao sistema informatizado:

  1. Processo da medicação que começa com a prescrição informatizada, passando pela dispensação eletrônica, rastreabilidade e check-out eletrônico na dispensação final do medicamento ao paciente e finaliza com o gerenciamento de estoque e programação de compra.
  2. A definição e inclusão de protocolos clínicos e assistenciais no sistema de informática da instituição. Deste modo, os procedimentos e medicamentos padronizados, garantem a correta aplicação dos protocolos definidos.
  3. O sistema de saúde totalmente integrado é o grande desafio para os próximos anos no Brasil. A tecnologia da informação utilizada de forma global e integrada produzirá redução de custos uma vez que se evitará a solicitação repetida de exames e contribuirá para a segurança nas informações do paciente otimizando tempo e mantendo o histórico de saúde destes.

No armazenamento e integração dos dados, na disponibilização de aparelhos para diagnósticos, tratamentos e cirurgias, assim como na recuperação dos pacientes e controle de doenças crônicas, a tecnologia vem ocupando definitivamente novo espaço e torna-se o balizador nas inovações em saúde.

Segue uma breve apresentação das principais referências tecnológicas na saúde.

Internet das coisas ou Internet of things (IoT)

A internet das coisas estabelece a conectividade com diversos itens usados no dia-a-dia, dando a eles novas funções, como acontece por meio da inovação da área da saúde.

O que antes era apenas um bracelete, por exemplo, hoje é capaz de medir os passos, avaliar seus batimentos cardíacos e até mesmo seu sono. Da mesma forma, o aparelho de aferir a pressão envia seus dados automaticamente para o smartphone. Além disso, esses gadgets — como são chamados — criam relatórios com o histórico dos seus dados que podem ser enviados para a avaliação médica.

Computação em Nuvem (Cloud Computing)

Uma solução que ganhou muito espaço nas rotinas pessoais e também no setor corporativo. É uma forma nova de lidar com tecnologia e que permite o compartilhamento de infraestrutura e sistemas. Basta acesso à internet e a necessidade de armazenamento ou processamento de informações.

Na saúde é considerado o melhor modelo para armazenar e gerenciar imagens médicas ponderando custos, segurança e simplicidade.

Big Data (Grande Banco de Dados)

Uma solução que ganhou muito espaço nas rotinas pessoais e esta relacionada ao armazenamento de grandes bancos de dados, o Big Data vem ganhando notoriedade na área da saúde. Ao permitir o cruzamento e a análise de uma variedade infinita de dados, possibilita correlações muito mais acuradas e, desta forma, os caminhos de decisão podem tornar-se muito mais claros.

Inteligência Artificial (AI)

A Inteligência Artificial é o nome dado a um conjunto de algoritmos capazes de executar tarefas até então limitadas ao cérebro humano.

No contexto da radiologia, esta tecnologia permite agilizar o tempo de leitura e a precisão dos resultados dos exames.

Digitalização de Imagens Médicas

A digitalização dos exames é uma ferramenta de extrema relevância para os profissionais, pois facilita a interpretação dos resultados com a mesma qualidade de imagem gerada de forma tradicional e com maior rapidez.

O termo DICOM significa Digital Imaging and Communications in Medicine, ou seja, comunicação de imagens digitais para finalidades médicas. Tem como propósito o armazenamento e compartilhamento de informações médicas em um formato único que são geradas a partir de equipamentos médicos. Permite o armazenamento de imagens radiológicas na nuvem possibilitando o acesso de informações clínicas de qualquer computador e uniformiza as análises e interpretações clínicas com os demais profissionais de saúde em formas de protocolos científicos, possibilitando uma grande geração de dados a respeito de uma determinada enfermidade.

Cirurgia 3D

Os procedimentos são realizados com uma câmera 3D, que permite, por exemplo, melhor acesso e visualização da área para a retirada de um tumor. A nova tecnologia oferece, além das referências espaciais de lateralidade já apresentadas nos procedimentos anteriores, mais realismo aos procedimentos feitos por videocirurgia com o grande diferencial da percepção de profundidade, característico do terceiro plano (3D). Com o novo aparelho, os movimentos se tornam mais precisos e seguros, o que reduz o tempo de cirurgia, submete o paciente a um tempo menor de indução anestésica e torna sua recuperação mais rápida. Diferentes especialidades podem se beneficiar da novidade.

Biomodelos

Os biomodelos são protótipos em 3D, cuja tecnologia permite a impressão em três dimensões de qualquer órgão a partir das imagens de exames do paciente. Os modelos podem ser desenvolvidos em materiais de diferentes níveis de flexibilidade, cor e textura. Isso permite procedimentos cirúrgicos mais precisos e seguros, pois se tratando de uma cópia fiel do órgão, o biomodelo permite ao cirurgião “treinar” antes do procedimento, prever possíveis complicações intra-operatórias e avaliar quais os melhores materiais e clipes cirúrgicos para cada paciente.

O DIAGNÓSTICO COM AUXíLIO DA TECNOLOGIA

Os avanços tecnológicos nos exames de prevenção e diagnóstico e seus ótimos resultados em diminuir a incidência e mortalidade do câncer, assim como a melhora na acurácia do diagnóstico precoce, levando a escolhas mais efetivas de tratamento, aconteceram em várias áreas da medicina e foram muito significativos nestes últimos anos.

Colonoscopia

Um dos exemplos mais impactantes é o da colonoscopia na prevenção do câncer de intestino. Este exame vem tendo avanços tecnológicos significativos nos últimos anos, principalmente no que se refere à utilização de aparelhos com qualidade de imagem de alta resolução, o que permite o diagnóstico de pólipos cada vez menores. Além disto, a evolução das técnicas de retirada destes pólipos está cada vez mais segura, rápida e eficiente. Os avanços tecnológicos permitem a retirada de lesões cada vez maiores e até mesmo pólipos com pequenas áreas de transformação maligna podem ser removidos através da colonoscopia e seus procedimentos avançados de ressecções via endoscópica, como as Mucosectomias e a e a Ressecção Endoscópica Submucosa.

Rastreamento do Câncer de Pulmão

No rastreamento do câncer de pulmão, indicado para fumantes, exames de tomografia computadorizada, com baixas doses de radiação, levam a diagnósticos cada vez mais precoces, o que aumenta significativamente a chance de cura em um tumor conhecido por ter altos índices de mortalidade se não diagnosticado em fases iniciais. Além disto, a menor dose de radiação destes exames de rastreamento permite a possibilidade de repetir exames periodicamente com menor risco dos efeitos colaterais da exposição à radiação.

Testes Genéticos

Outro campo onde a evolução é permanente são nos testes genéticos para detecção de predisposições familiares ao câncer, junta-se a isto que o acesso a estes testes vem ficando cada vez mais fácil e com menor custo. Até mesmo alguns destes exames já estão sendo acessíveis através de planos de saúde, como nos casos de tumores de mama e de intestino.

Tomografia Ótica

Terceiro tumor mais frequente entre as brasileiras, o câncer do colo do útero é iniciado a partir de lesões precursoras que podem não apresentar sintomas. Para identificá-las com maior precisão e diminuir a necessidade de biópsia, pesquisadores iniciaram um projeto para desenvolver um sensor ótico capaz de dar suporte ao médico ginecologista no diagnóstico da doença. A tomografia ótica, chamada OCT (Optical Coherence Tomography), conta com um sensor equipado com câmera e sonda, que permite um exame equivalente à microscopia e dá ao médico uma avaliação em tempo real do tecido do colo do útero.

Exames laboratoriais

A agilidade é uma das características mais relacionadas à evolução tecnológica dentro da medicina, e exames laboratoriais também podem se beneficiar destes progressos. Exemplos como o teste para Zika Vírus, capaz de identificar o anticorpo logo nos primeiros dias que seguem o contato do paciente com o mosquito transmissor e o teste rápido que detecta os anticorpos contra o HIV em tempo inferior a 30 minutos.

“Com todas estas inovações é importante que a informação sobre exames preventivos e de diagnóstico precoce chegue de forma cada vez mais eficaz aos nossos pacientes, pois a prevenção, em muitos casos, está ao nosso alcance e o diagnóstico precoce do câncer é o fator mais importante de controle da doença.”

Dr. Rafael Castilho Pinto, médico do Centro de Prevenção do Câncer da CliniOnco

NOVIDADES

 

Monitoramento da Glicose sem picada

Nova tecnologia para o monitoramento da glicose em pessoas com diabetes.  O aparelho consiste em um sensor e um leitor. O sensor deve ser aplicado na parte traseira superior do braço e capta os níveis de glicose por meio de um microfilamento que, sob a pele e em contato com o líquido intersticial, mensura a cada minuto o nível de glicose presente. O leitor é escaneado sobre o sensor e mostra, para o paciente, o valor da glicose medida em menos de um segundo. Os dados armazenados no aparelho também permitem que os médicos tomem decisões mais assertivas em relação ao tratamento da doença.

 

Quimioterapia “expressa”

Praticamente uma novidade no Brasil, trata-se de uma técnica de quimioterapia que busca melhorar o tratamento de alguns tipos específicos de cânceres, com destaque para o de ovário, líder em morte entre os cânceres ginecológicos. A técnica consiste em utilizar a via intraperitoneal para que haja uma entrega “expressa” dos quimioterápicos diretamente no tumor, sem que precisem passar pela corrente sanguínea. Ainda que o tratamento possa ser combinado à quimioterapia clássica, espera-se que haja uma redução nos indesejados efeitos colaterais do tratamento, já que os quimioterápicos não circulam pelo corpo, além de uma redução no número de células saudáveis (não cancerosas) afetadas. A técnica também pode servir ao câncer de cólon e a situações específicas de câncer de estômago.

Dispositivo para Refluxo Gastroesofágico

 O refluxo gastroesofágico ganha uma nova alternativa de tratamento, o dispositivo EndoStim. A técnica consiste na implantação do dispositivo, de forma minimamente invasiva, na região do esfíncter inferior do esôfago para a sua contração através de estimulação elétrica, a fim de corrigir problemas em seu funcionamento. Isso impede que os alimentos e líquidos voltem em direção ao esôfago, o que provoca sintomas como queimação, regurgitação e azia

 

Dispositivo para Refluxo Gastroesofágico

 O refluxo gastroesofágico ganha uma nova alternativa de tratamento, o dispositivo EndoStim. A técnica consiste na implantação do dispositivo, de forma minimamente invasiva, na região do esfíncter inferior do esôfago para a sua contração através de estimulação elétrica, a fim de corrigir problemas em seu funcionamento. Isso impede que os alimentos e líquidos voltem em direção ao esôfago, o que provoca sintomas como queimação, regurgitação e azia

 

Alergias

 

Recentemente foi lançado um teste de alergia, o 3gAllergy, que promete um diagnóstico completo e rápido em apenas 65 minutos. O teste acontece por meio do equipamento específico, que ajuda especialistas a determinar o tratamento, a reduzir a incidência de sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente.

 

FONTES: Ambra Saúde, Setor Saúde, Gazeta do Povo

 

APLICATIVOS

A tecnologia está cada vez mais presente em nosso cotidiano e pode ser nossa aliada, quando utilizada de forma consciente. Exemplo disso é usá-la para cuidar do corpo e da mente. Nos dias de hoje, é possível baixar aplicativos que vão além dos conhecidos apps de exercícios e dieta com o objetivo de cuidar da saúde.

Os números mostram que a utilização de apps com esta finalidade vem acontecendo desde 2013. De acordo com um estudo realizado pela Top Health Industry Issues of 2016 da Network Global PwC, o número de pacientes que utilizam aplicativos relacionados à saúde em seus smartphones entre 2013 a 2015, cresceu de 16% para 32%. Outro dado interessante mostra que 60% dos usuários entrevistados realizaram consulta médica por videoconferência e 81% dos médicos participantes afirmaram que esse acesso às informações médicas por meio dos aplicativos é um diferencial e ajuda no tratamento.

Pensando em atender essa demanda, existem muitas empresas que apostam nesse segmento a fim de desburocratizar o acesso às informações referentes a saúde, mostrando que todo e qualquer assunto que está inserido nessa área pode ser facilmente informado por meio da tecnologia.

Listamos alguns exemplos de aplicativos relacionados a saúde e bem-estar:

 

Cogni:

app para pacientes monitorarem humor, pensamentos e comportamentos.

Com interface simples, os pacientes podem registrar emoções marcantes, anotando pensamentos e ações que tiveram em decorrência dessa emoção. Com o passar do tempo, o histórico começa a revelar padrões que podem ser trabalhados e identificados em sessões de terapia. Muito utilizado no auxílio de pessoas que realizam terapia na abordagem Cognitivo-Comportamental.

O Cogni é gratuito e está disponível para pacientes que sejam usuários Android e iOS.

Self-Help Anxiety Management (SAM): app para pacientes com problemas de ansiedade.

O SAM auxilia os pacientes na compreensão da causa das suas ansiedades, no monitoramento de seus pensamentos e comportamentos ansiosos ao longo do tempo e no gerenciamento da ansiedade por meio de exercícios de autoajuda e reflexão.

O aplicativo oferece 25 opções de autoajuda que abrangem: informação sobre ansiedade, relaxamento físico, relaxamento mental, orientações para pôr em prática a autoajuda e rede social fechada dos usuários do aplicativo. APP gratuito, disponível para pacientes usuários Android ou iOS.

 

BEBER ÁGUA

app que gera lembretes simples para você não esquecer de beber água

Com interface simples e fácil de usar, você poderá verificar se tem conseguido atingir suas metas diárias através de seu histórico de consumo. 

App gratuito, disponível para Android e IOS.

 

Dr Cuco:

app que auxilia o paciente a lembrar de tomar medicamentos na hora certa.

A plataforma também permite o acompanhamento do histórico do tratamento médico, recebendo mensagens de dicas e informações de saúde.

App gratuito, disponível para Android e IOS.

 

Desrotulando

app que auxilia na compreensão de rótulos de alimentos

Criado por nutricionistas, o aplicativo traduz as informações importantes do rótulo gerando  uma nota de 0 a 100 que indica os produtos mais saudáveis, de acordo com os seus objetivos alimentares. O principal objetivo é auxiliar em escolhas alimentares de uma forma confiável e sem radicalismo e modismo. Trata-se de uma boa ferramenta para descobrir melhores alternativas aos produtos que você consome.

App disponível para Android e IOS.

Calm:

app para pacientes que desejam iniciar atividades de meditação guiada

Aplicativo de atenção plena e meditação para iniciantes, com programas de níveis intermediários e avançados. O app oferece sessões de meditação guiada que duram entre 3 e 25 minutos.

O aplicativo é totalmente gratuito para download e uso. Disponível para pacientes que sejam usuários Android e iOS.

meditartransforma.com

É possível acalmar a mente, equilibrar as emoções e ativar a ciência da serenidade através da meditação.

Os vídeos, palestras e livros da escritora e terapeuta, Amanda Dreher, ajudam a eliminar os maiores inimigos internos que prejudicam a vida da maioria das pessoas: a ansiedade, o estresse, a depressão, a insônia, a falta de concentração, as dores crônicas, os problemas de relacionamento e vazio no peito por não conhecer a sua missão de vida.

Lembramos que o uso de aplicativos pode auxiliar na manutenção de seu bem-estar e de uma vida mais saudável. No entanto, o uso de tais ferramentas não deve substituir o acompanhamento com profissionais de saúde.

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CliniOnco conquista selo do Programa Brasileiro de Segurança do Paciente

15 de agosto de 2017

O Programa Brasileiro de Segurança do Paciente (PBSP), iniciativa do IQG – Instituto Qualisa de Gestão (Health Services Accreditation), junto com organizações mundiais, Institute of Healthcare Improvement (IHI), Canadian Safety Patient Institute – CPSI, Patient Safety Crosswalk, Accreditation Canadá, propõe mudanças fundamentais na cultura das organizações de saúdes através de uma abordagem que combina componentes de movimentos sociais e os aspectos de melhoria dos serviços, para que o tema Segurança do Paciente esteja em constante desenvolvimento nestas instituições e na sociedade.

Atualmente o programa conta com a participação de uma comunidade de 180 participantes, instituições empenhadas em melhorar os cuidados de saúde.
A CliniOnco faz parte deste grupo e em agosto de 2017 recebeu o “selo PBSP”, formalizando desta maneira, esta parceria.

O programa foi reconhecido pela ANS (Agência Nacional de Saúde) e o IQG definida como “Entidade Gestora”.

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VAMOS CONVERSAR

7 de abril de 2017

A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu que o tema do Dia Mundial da Saúde de 2017 será a depressão. Com o lema “Vamos Conversar”, a iniciativa pontua que a depressão possui tratamento eficaz e pode ser prevenida.

Mas, por que esse tema? São diversas as razões que fazem que com a depressão seja um tema importante. A depressão é a principal causa de incapacidade laboral no planeta. Em casos graves, leva ao suicídio, que é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo. Estima-se, ainda, que a cada ano as consequências de transtornos mentais gerem perdas econômicas de 1 trilhão de dólares. E o número de casos só aumenta!

Em relação aos índices mundiais, os casos de depressão aumentaram 18% de 2005 a 2015, tendo 322 milhões de pessoas acometidas em todo o mundo no último levantamento. O Brasil possui o maior índice de depressão da América Latina e é o 5º país no ranking, com o número de 11,5 milhões de pessoas (5,8% da população).

As mulheres são mais acometidas quando comparadas aos homens, e isso pode ser explicado a partir de fatores biológicos e culturais. Gravidez, menopausa e o próprio ciclo menstrual provocam alterações hormonais que podem levar a manifestação de sintomas depressivos. Além disso, mulheres possuem maior prevalência de problemas na tireoide, responsável pela produção de hormônios. Outra explicação cultural para o maior índice feminino de depressão pode ser a resistência masculina em procurar serviços de saúde, principalmente devido a aspectos emocionais. A depressão acomete todas as pessoas de forma importante, independente de idade, gênero ou origem.

Existem formas eficazes para tratar a depressão que incluem psicoterapia semanal com psicólogos, uso de medicação psiquiátrica ou a combinação entre os dois métodos. O mais importante é a identificação dos sintomas de forma precoce, e a melhor forma de fazer isso é conversando com profissionais de saúde de confiança. A falta de informação e o estigma relacionado à doença não podem ser barreiras entre você e o tratamento da depressão.
O Núcleo de Psico-oncologia da CliniOnco oferece suporte aos pacientes e familiares que perceberem sintomas de depressão e encaminhamentos a serviços e profissionais conveniados.

Tayse Conter de Moura
Psicóloga do Núcleo de Psico-Oncologia da CliniOnco

Quadro de Sintomas
• Sintomas Psíquicos: Humor depressivo (sensação de tristeza desvalorização e sentimentos de culpa), Anedonia (perda da capacidade de sentir prazer), Desesperança, Fadiga, Diminuição na capacidade de pensar, de se concentrar ou de tomar decisões
• Fisiológicos: Alterações do sono, Alterações do apetite e Redução do interesse sexual
• Evidências comportamentais: Retraimento social, Crises de choro, Comportamentos suicidas, Retardo psicomotor e lentificação generalizada ou Agitação psicomotora

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A importância dos cuidados com a pele desde a infância

20 de fevereiro de 2017
Sabrina Dequi Sanvido
CRM 31.647 | RQE 26.423
Médica Dermatologista do Centro de Pele e Melanoma da CliniOnco.
Residência médica em Medicina interna pela UFCSPA.
Residência médica em Dermatologia pela UFCSPA.
Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Atua em dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiátrica
bita@hotmail.com

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O Brasil é um país de grande faixa territorial que fica em sua maior parte entre o trópico de Capricórnio e a linha do Equador. Por sua localização geográfica, o sol incide quase a 90 graus em relação ao horizonte nos meses do verão, o que faz com que o nosso país tenha um dos maiores índices de insolação.

Os fótons de luz solar que atingem a Terra são compostos por luz infravermelha (56%), luz visível (39%) e raios ultravioletas (5%). Estes são responsáveis tanto por benefícios quanto por malefícios à pele. Os raios UVA e UVB atingem a superfície terrestre, e os raios UVC são absorvidos pela camada de ozônio. A radiação UVB tem seu pico por volta do meio dia e é maior nos meses de verão. A radiação UVA tende a ser a mesma durante todos os dias do ano.

A radiação é responsável por efeitos agudos: queimaduras, vermelhidão, bronzeamento, aumento de temperatura e produção de vitamina D. E também efeitos crônicos: espessamento da pele, manchas, sardas, câncer de pele e envelhecimento cutâneo.

Algumas doenças de pele podem piorar quando expostas à luz como, por exemplo, o lúpus e a porfiria. Porém algumas podem melhorar como o vitiligo e a psoríase.

Algumas medicações tanto de uso oral como tópico podem deixar a pele mais sensível a queimaduras solares.

A luz visível e a radiação infravermelha ainda estão sendo estudadas quanto aos efeitos na pele.

Hábitos de fotoproteção adquiridos na infância e adolescência podem modificar comportamentos e também afetar as atitudes dos pais.

A exposição solar, no início da vida, pode ter impacto crucial no surgimento do câncer de pele.

As medidas fotoprotetoras do público infantil são distintas das dos adultos. Fique atento a alguns cuidados importantes:

Lactentes menores de 6 meses não devem se expor ao sol diretamente, quando necessário, dar preferência a roupas e chapéus. Em casos especiais falar com seu dermatologista sobre o assunto;

Crianças acima de 6 meses não devem se expor diretamente ao sol entre as 10h e 15h;

Regra da sombra – se a sombra do seu corpo no chão for menor do que sua altura, a criança não deve se expor;

Usar chapéus e roupas protetoras em todas as idades;

Sempre dar preferência para os filtros infantis, com FPS maior ou igual a 30 e que tenha abrangência UVB e UVA. Até os 2 anos preferir os filtros físicos/inorgânicos;

Aplicar o filtro 15-30 minutos antes da exposição e reaplicar a cada 2 horas ou após imersão em água;

Aplicar 2 camadas consecutivas com a menor quantidade de roupa possível;

Crianças com riscos e/ou deficiência de vitamina D não devem ser incentivados à exposição solar e sim reposição via oral;

Após a exposição solar, as crianças podem usar cremes hidratantes conforme a indicação da idade exposta na embalagem;

Devem tomar bastante líquido para evitar desidratação.

Além dos cuidados com o sol, nesta época do ano, devemos proteger as crianças dos mosquitos, estes causam erupções na pele, feridas, manchas, coceira e transmissão de doenças.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda a utilização de repelentes em crianças de acordo com a fórmula do produto, que podem ser sintéticos ou naturais. Ao escolher o produto indicado para as crianças, é importante consultar um médico dermatologista.

Os princípios ativos dos repelentes recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) são:

– Icaridina (KB3023): uso permitido no Brasil em crianças a partir de 2 anos de idade em concentração de 25%, cujo período de proteção chega a 8 a 10 horas.

– DEET: em concentração de até 10% pode ser utilizado em maiores de 2 anos, sendo que não deve ser aplicado mais que 3 vezes ao dia em crianças de 2 a 12 anos;

– IR 3535 30%: permitido pela Anvisa para crianças acima de 6 meses. Seu período de proteção conferido é de 4h.

Existem ainda os repelentes naturais, porém seu efeito costuma ser de curta duração, não garantem proteção adequada ao Aedes aegypti, devendo ser evitados.

Bebês com até 6 meses só devem usar mosquiteiros e roupas protetoras. É recomendado instalar telas nas janelas e portas e deixar o ambiente refrigerado já que os mosquitos gostam de calor e umidade.

Em geral, o uso de repelentes deve ser evitado nas crianças menores de 2 anos. Dos 6 meses aos 2 anos devem ser utilizados, apenas em situações especiais, com orientação e acompanhamento médico.

DICAS AO APLICAR OS REPELENTES:

–  Procure vestir roupas brancas nas crianças, pois roupas coloridas atraem os insetos, assim como perfumes;

– Não se deve utilizar produtos combinados com filtros solares, pois eles costumam ser reaplicados com uma frequência maior e os repelentes não devem ser aplicados mais do que três vezes ao dia em crianças;

– Utilizar primeiro o filtro solar e em média 15-30 minutos depois usar o repelente;

– O suor atrai os insetos;

– Não durma com repelente no corpo, lave-se antes.

– Leia todo o rótulo antes de aplicar o produto e conserve-o para consulta;

– Mantenha os repelentes fora do alcance de crianças e não permita sua auto aplicação;

– Evite o uso próximo a mucosas (boca, nariz, olhos, genitais) ou em pele irritada ou ferida. Para uso na face, primeiro aplique o produto nas mãos e então espalhe no rosto com cuidado;

– Evite aplicação nas mãos das crianças e por baixo das roupas. Sempre lave as mãos após aplicar o produto;

– Use quantidade suficiente para recobrir a pele exposta e evite reaplicações frequentes;

– Se suspeitar de qualquer reação adversa ou intoxicação, lave a área exposta e entre em contato com o serviço de intoxicação. Se necessário, procure serviço médico e leve consigo a embalagem do repelente.

Deve-se procurar produtos aprovados pelo Ministério da Saúde e/ou Anvisa, pois garantem que o produto seja eficaz e seguro.

Um ótimo verão a todos!

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Entrevista com Dr. André Brunetto e Dr. Alejandro Arancibia

16 de fevereiro de 2017

O câncer pediátrico representa em torno de 3% do total do número de câncer no Brasil. Devido ao grande impacto que esta doença assume, por ocorrer na tenra idade e por apresentar consequências para a vida adulta, a Integrativa conversou, na sede do Instituto do Câncer Infantil (ICI), com os profissionais médicos que estão à frente de diferentes projetos na instituição. O Dr. Alejandro Arancibia – Especialista em Pediatria, Cancerologia Infantil, Hematologia e Hemoterapia, Doutorando (UFRGS), Coordenador do Protocolo para o Tratamento do Linfoma Hodgkin da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) e Coordenador Médico do ICI e o Dr. Andre Brunetto, Oncologista e Pesquisador Clínico com Mestrado em Oncologia Básica, Clínica e Radioterapia na Universidade de Londres, especialização em Oncologia Clínica no Royal Marsden Hospital, Londres. Membro colaborador do Centro de Ensino e Pesquisa do Hospital Ernesto Dorneles (HED) e Coordenador Científico do Centro de Pesquisa do Instituto do Câncer. Atua como Oncologista e Coordenador Médico na CliniOnco. Na entrevista, os profissionais abordaram os mais variados aspectos e circunstâncias que envolvem a área informações importantíssimas como a detecção precoce da doença.

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RI – As estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) prevê cerca de 12.600 novos casos de câncer em crianças e adolescentes no Brasil para 2016/2017.  Estes dados são condizentes com o panorama mundial do Câncer Infantil?

Dr. Alejandro – Fazendo uma análise global da situação do câncer, estima-se que para 2030, 22 milhões de pessoas terão câncer no mundo. Os dados mostram que de 2008 até 2030 o aumento será de 74% no número de câncer em geral. Isto se deve principalmente a dois fatores: primeiro, as pessoas estão vivendo mais tempo, dando a chance de muitos cânceres próprios da idade avançada, se manifestarem; segundo, a globalização dos costumes, hábitos e estilo de vida, fatores estes que devem ser fortemente considerados.

Sabemos que do total dos números de cânceres registrados, 1 a 3% dos casos são pediátricos. Portanto, as estimativas que temos são baseadas neste percentual. Então, os 12.600 casos estimados representam uma proporção dos casos de câncer no adulto. Infelizmente, não disponibilizamos dados precisos e fidedignos do câncer infanto-juvenil.

A dificuldade em contar com estes números torna o trabalho de prevenção, orientação e pesquisa mais difícil neste setor. O Instituto do Câncer Infantil (ICI), em parceria com outras instituições, e em busca de melhores e mais informações, está coordenando um trabalho de levantamento de dados na área da oncologia pediátrica, principalmente nos serviços do SUS, no Rio Grande do Sul. São estas iniciativas que poderão melhorar os dados a respeito da doença e população acometida.

 

RI – Ao contrário do adulto, o estilo de vida e risco ambientais não são diretamente atribuídos como fatores causais para o câncer infantil. É possível definir fatores predisponentes para este tipo de câncer?

Dr. Alejandro – Diante deste quadro, o que posso dizer é que não existem fatores predeterminados, mas podem existir alguns fatores específicos ou regionais. Por exemplo, na África apresenta-se o maior número de Linfoma de Hodking o que tem uma íntima relação do o vírus Epstein Baar. O HIV também tem uma relação com o Linfoma. No passado, quando ainda se desconhecia a infecção pelo vírus passado de mãe para filho, só se descobria esta infecção quando se diagnosticava um linfoma na adolescência ou na juventude. Hoje, esta relação diminuiu em função da detecção do vírus já no pré-natal. Nos casos das Leucemias, sabemos que as mães expostas à radiações apresentam 1,5 vezes mais chances da criança ter a doença do que aquelas que não foram expostas. Uma das consequências da Bomba de Hiroshima e Nagasaki foi justamente os muitos casos de leucemias que surgiram no país a partir deste episódio.

As causas, no entanto, são hipóteses. A interferência genética ocorre para alguns tumores em particular, mas, para a maioria deles, este fator não está envolvido. No caso dos Tumores do Sistema Nervoso Central (SNC) existe uma particularidade curiosa. No passado se fazia radioterapia profilática (preventiva) a todas as crianças com leucemia, pois ela poderia se “esconder” no SNC e vir a se manifestar novamente.  O que se observou mais tarde foi o aparecimento de Tumor na cabeça em consequência desta irradiação. Neste caso, o próprio tratamento foi o causador deste novo tumor. Em se tratando do mundo infantil, é preciso ainda muito mais estudos e pesquisas para se ter mais clareza sobre o que leva uma criança a ter câncer. Não há um fator ambiental bem identificado que possa ser causador da doença e motivo de campanhas de prevenção primária, como é o caso, o tabagismo no adulto.

 

RI – Atualmente, as campanhas e mobilização na área da saúde se detêm muito na prevenção e diagnóstico precoce do câncer. Isto também vale para o câncer infantil?

Dr. Alejandro – Na verdade, não se tem profilaxia (prevenção) primária para câncer na criança. Hoje o nosso papel é educar. Podemos, porém, fazer profilaxia primária em crianças e adolescentes para prevenir o desenvolvimento do câncer quando estes indivíduos forem adultos. As campanhas detêm-se mais em alertar e orientar para ações simples como alimentar saudavelmente nossos filhos, estimular o consumo de frutas e verduras, não exagerar no açúcar e no sal, não fumar na frente de crianças (crianças costumam copiar as atitudes dos pais), restringir televisão e uso dos computadores, estimular atividades físicas, orientar sobre sexo seguro (uso de preservativos) e manter as vacinas em dia, entre outras, além de preparar as equipes para identificar precocemente sinais e sintomas do câncer.

No entanto, temos que considerar três fatores que irão influenciar no diagnóstico precoce: a) As características do tumor (tipo, localização e velocidade de crescimento). As manifestações das doenças são diferentes de um tipo de tumor para o outro. A maioria dos sinais e sintomas que as crianças com câncer apresentam é comum a outras doenças pediátricas mais prevalentes. Desta maneira, só faz o diagnóstico de câncer precocemente quem pensa em câncer, ou seja, o profissional que tem um olhar direcionado para os sintomas específicos. b) As características do paciente e da família – as questões sócio culturais da família, bem como a idade da criança, são fatores relevantes nesta questão. A presença e atenção dos pais no desenvolvimento e hábitos da criança podem fazer toda a diferença quando surgir algum tipo de alteração em seu corpo. A idade é importante não só pelo tipo de tumor, mas também quanto à percepção das alterações no corpo. c) O Sistema de Saúde – a disponibilidade de recursos, distância até aos centros especializados, a agilidade no atendimento e equipe preparada são as características que determinam o quanto o sistema de saúde é capaz de fazer a diferença na vida de uma criança com câncer. A legislação prevê que após o diagnóstico confirmado de câncer todas as pessoas devem iniciar o tratamento no máximo até 60 dias. O que a lei não contempla é o tempo na realização do diagnóstico. Então, a base de tudo é a informação para toda a rede que atende estas crianças. Divulgar, divulgar e divulgar. Não há de se ter medo do diagnóstico porque hoje sabemos que o câncer ele tem cura, especialmente se for realizado de forma precoce.

Dr. André  – Podemos dizer, de forma geral, que quanto mais cedo for diagnosticada uma doença, maior é a chance de cura e isso vale tanto para os adultos quanto para as crianças. Então, é neste momento que o acesso aos centros especializados e estruturados, o preparo da equipe, o sistema de informação, a família e as características da própria doença irão contribuir para a eficácia do tratamento e cura ou sobrevida do paciente. Nos Estados Unidos, país que dispõe de condições ótimas para o manejo dos tumores na infância, as taxas gerais de cura variam entre 70% a 80%. No Brasil, os dados demostram que, as crianças e adolescentes tratados nos principais centros de referência do país têm índices semelhantes aos países desenvolvidos. No entanto, à medida que um paciente é tratado em centros que não tem essa expertise de tratamentos, o impacto é grande e a taxa de cura fica em torno de 30% a 40%. A profilaxia na criança é basicamente secundária, ou seja, se procura diagnosticar e intervir no curso da doença o mais breve possível.

 

RI – Existem diferenças na abordagem terapêutica para o adulto e para o adolescente?

Dr. Alejandro –  Com certeza. Hoje já está demonstrado que a sobrevida do adolescente é muito melhor para as mesmas doenças, quando ele é tratado por pediatras dentro de protocolos pediátricos do que por especialistas que tratam o adulto, mesmo que estes estejam utilizando protocolos pediátricos.  É ideal que paciente até 19 anos de idade, seja tratado por especialista, médicos que se especializam em crianças e adolescentes.

Dr. André – Eu diria que a instituição em que o adulto faz o tratamento tem pouco impacto no resultado final, já para a criança ou o adolescente, isto faz toda a diferença. Eles precisam de prioridade em todos os serviços de suporte e apoio, então quando se dispõem de uma infraestrutura adequada, as intercorrências podem ser imediatamente atendidas. E isso conta muito, pois atrasar ou adiar ciclos do tratamento, devido infecções ou qualquer alteração no quadro clínico ou social, tem um impacto negativo no resultado final. Além disso, os protocolos pediátricos são muito mais intensos em termos de toxicidades. Há combinação de diferentes quimioterapias, às vezes 2, 3, 4… e são tratamentos intensivos que devem ser feitos, frequentemente, dentro de um hospital.  Em função das características do tumor pediátrico, o qual cresce mais rapidamente e é mais agressivo, se expõe o paciente a um maior risco de toxicidade considerando que a chance de cura que se tem é muito grande. Apesar disso, a criança tolera melhor protocolos intensos de quimioterapia quando comparado ao adulto, pois seu organismo dispõe de uma capacidade de recuperação mais rápida.

 

RI- Que fatores são determinantes no sucesso do tratamento do câncer infanto-juvenil?

Dr. Alejandro – Posso dizer que tratar em centro especializado é o principal fator. O segundo ponto é tratar seguindo protocolos de tratamento (isto quer dizer, seguir passos, tipo de medicamento, doses, intervalos das aplicações que já foram estudadas e definidas como padrão, por algum centro de pesquisa ou prática clínica). Um estudo bem documentado no município de Santa Maria, realizado entre 1980 e 2012, constatou exatamente isso que estamos falando. A sobrevida de pacientes com leucemia tratados dentro dos protocolos específicos chega a 50%, caindo para 30% quando tratados fora destes protocolos. Isso é fundamental. A estrutura e a equipe envolvida são pontos muito importantes também. Desde o médico, a enfermeira, o psicólogo, assistente social… todo o pessoal que trabalha nesta área, tem que ter, digamos, expertise em tratar crianças. O problema não é só clínico, ele é social. Tem a ver com a família, com o trabalho do pai e da mãe, com o deslocamento, com a distância da cidade de origem, etc. Esta complexidade social exige que tudo seja diferenciado e especialmente planejado para esta assistência.

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RI- O tratamento para o câncer infantil pode acarretar em riscos e/ou consequências para a saúde na idade adulta. O que se estás fazendo para evitar ou minimizar estes riscos?

Dr. Alejandro – Diferentemente do adulto em que grande parte dos tratamentos é paliativo, devido ao estágio avançado que normalmente são diagnosticados, em criança a gente fala de cura. Antigamente, era curar a todo custo. Hoje é curar ao menor custo. Por quê? Porque mais crianças ficam vivas e elas devem ter uma vida de pelo menos mais 50, 60 anos com o menor número de complicações possíveis, ou seja, menos efeitos deletérios a sua saúde e melhor qualidade de vida. Acho que o ponto principal que ajuda a sobrevida do paciente é ajustar a quimioterapia aos grupos de risco. Por exemplo, no passado tratávamos todas as leucemias de forma igual. Hoje se trata a leucemia que cada criança tem, personificando o tratamento. Uma criança não tem necessidade de ter a mesma exposição tóxica que uma outra criança tem, pois as características da doença podem ser diferentes.  Acredito que evoluímos no sentido de conhecer melhor a doença e identificar mais  brevemente a resposta ao tratamento, possibilitando ajustar o protocolo  conforme a evolução da doença. Portanto, deve ser acompanhado caso a caso. Na radioterapia usada para os tumores do SNC, seus efeitos podem aparecer 10 a 15 anos após. Estes efeitos podem ir desde problemas cognitivos, de crescimento e desenvolvimento, até um novo tumor. Então, hoje se aplica muito menos esta modalidade de tratamento. Em resumo, queremos que ela fique curada de forma completa. Considero de extrema relevância o conceito da Organização Mundial da Saúde (OMS) que define a saúde como o bem-estar físico-psíquico-social. Então, uma criança tem que ficar curada nestes três aspectos. Para a vida! A criança não pode se aposentar.  Antigamente, crianças com 18 anos que tiveram um tumor aos 3 anos se aposentavam e não faziam mais nada. Isso não é curar pela definição da OMS. Então, se a gente vai curar as crianças, tem que fazer de forma completa, precisamos pensar em todos os impactos que a doença vai causar na vida delas. Nos casos em que a doença progride e não há possibilidade de cura, temos que pensar em qualidade de vida.

 

RI – Sabemos que a cura das doenças depende de muita pesquisa e investimento. Como são os investimentos para a descoberta de novos tratamentos para o câncer infanto-juvenil?

Dr. Alejandro – Esbarramos numa realidade não muito animadora que é o investimento reduzido da indústria farmacêutica em protocolo de pesquisas específicas para a o câncer infantil. Esta patologia representa de 1% a 3% de todos os tumores. Os investimentos recaem primeiramente para câncer do adulto que representa um percentual bem mais significativo. As terapias-alvo, por exemplo, que já é amplamente utilizada em adultos, na criança se utiliza para alguns casos de Leucemia, Linfoma e um que outro tumor do SNC.

Dr. André – Esta dificuldade em pesquisa infanto-juvenil é encontrada em todo mundo. No entanto, os esforços na área pediátrica estão se intensificando e vários projetos já são elaborados em cooperação com a iniciativa privada e comunidades. O Instituto do Câncer Infantil (ICI), há muito tempo, se mobiliza para preencher esta lacuna. O investimento em pesquisa com o apoio da comunidade e organizações nacionais e internacionais vem permitindo o desenvolvimento e aperfeiçoamento técnico-cientifico. Mesmo diante de tamanha dificuldade, temos o propósito de contribuir para a melhoria na busca por novos tratamentos e a chance de cura para uma patologia que já representa a primeira causa de morte, por doença no Brasil nesta faixa etária. Recentemente inaugurado na instituição, o Centro de Pesquisa Rafael Accordi, tem como objetivo investir e melhorar o conhecimento das alterações genéticas relacionadas à evolução do câncer infantil e possibilitar novas estratégias de combate à doença. Neste sentido, podemos destacar os principais tipos de pesquisa que são realizadas no ICI: Pesquisa Celular e Molecular – busca de novos tratamentos (mais inteligente e menos tóxicos) a partir do conhecimento da biologia tumoral (característica celular do tumor); Pesquisa Clínica e Epidemiológica – avalia o impacto de novos tratamentos cirúrgicos, radioterápicos ou quimioterápicos no câncer infanto-juvenil e desenvolve ações multidisciplinares a fim de determinar a endemicidade deste tipo de câncer e traçar o perfil socioeconômico e demográfico da população; Bioinformática –  combina o conhecimento da biologia, ciência da computação, informática e matemática/estatística. O desenvolvimento de softwares específicos possibilita identificar genes relacionados ao câncer, novos alvos terapêuticos, organizar e relacionar toda a informação biológica em rede.

 

RI – Em sua experiência, como oncologista pediátrico, como avalia o enfrentamento da criança e do adolescente diante do câncer?  Existe diferença de comportamento?

Dr. Alejandro – Eu diria que é diferente. Você observa duas maneiras de encarar o problema, ou seja, a visão da criança e do adolescente. A criança só não quer sentir dor. Ela não vai lidar com frustrações, família, futuro, planos… A doença em si, não preocupa a criança. Ela tem um único propósito, quer brincar, ser feliz e só. Se ela estiver realizando a quimioterapia e não estiver sentindo dor, vai levar numa boa. A preocupação com a estética é bastante relativa, se o adulto ao seu lado não valorizar em demasia este aspecto, ela também não irá e ficará bem mesmo sem o cabelo ou com alguma amputação em decorrência da doença. Em geral, o tratamento é encarado de uma forma tranquila. Mas é claro que para a criança ser feliz, mesmo nesta situação, exige que a estrutura e a equipe possam oferecer o melhor para cada um conforme a sua idade. Com o adolescente é bem mais complicado, porque ele já tem uma vida social, começa a fazer planos, pensar no futuro. As alterações do corpo e os desejos começam a aparecer, a autoestima ocupa um importante lugar em sua vida, é uma fase dos primeiros namorados, etc. Aí o tratamento vem e lhe tira a liberdade, o cabelo, um membro, lhe afasta dos amigos e das festas. Aparecem as feridas na boca, o cansaço a indisposição. Seu principal compromisso passa a ser com o hospital e tudo o que ele representa. Então, posso dizer que são dois mundos peculiares e com maneiras diferentes de encarar.  Para tudo isso, tem que ter uma base e a familiar é fundamental, assim como as instituições de saúde.

 

RI – O Instituto do Câncer Infantil, em Porto Alegre, fundado há 25 anos é referência na assistência de crianças e adolescentes com câncer. De que maneira o Instituto realiza esta assistência?

Dr. André – O leque de ações do Instituto é bastante ampla, seja prestando assistência diretamente aos pacientes e familiares, bem como levando informações à comunidade em geral. O propósito maior da instituição é aumentar os índices de cura da doença e qualidade de vida dos pacientes. Os anos de experiência nos mostram o quanto o apoio e suporte multidisciplinar durante a fase de tratamento fazem a diferença nos resultados, principalmente, através da estruturação de programas e projetos que o instituto atua desde o diagnóstico precoce até o acompanhamento nas diferentes fases do tratamento. Compreendendo a delicadeza do processo de adoecimento e cura pelo qual passam estes pacientes, procuramos de todas as maneiras preservar ao máximo a integridade da infância e tornar este período o menos traumático possível. Com este propósito, o Núcleo de Apoio ao Paciente (NAP) do ICI disponibiliza serviços complementares dando suporte pedagógico, psicológico, terapia ocupacional, recreação, atendimentos de odontologia, fisioterapia, tudo o que os pacientes precisam. É oferecido suporte também a grupos de mães com atendimento psicológico e oficinas diversas. As famílias recebem auxílio como cesta básica de alimentação, vestuários e calçados, se necessário.

O diagnóstico precoce do câncer infantil é de fundamental importância quando estabelecemos metas de cura para esta população e sabemos que não é um caminho fácil em função das várias dificuldades encontradas em nosso sistema de saúde. O Programa Diagnóstico Precoce realizado em parceria com o Instituto Ronald McDonald tem como uma de suas metas preparar profissionais da saúde através de palestras e cursos, para que eles estejam atentos aos sinais e sintomas quando forem atender uma criança e encaminhar em tempo hábil para especialistas. As informações se estendem também à comunidade, pois são as pessoas mais próximas ao convívio da criança que poderão identificar um sintoma importante. Destaco o Centro de Pesquisa Clínica, já mencionado nesta entrevista, está sendo o carro chefe do programa de inovação e tecnologia do ICI na busca de novos alvos e medicamentos que irão aumentar as chances de cura dos pacientes. Gostaria de salientar um ponto importantíssimo que faz toda a diferença para a efetivação destes programas e ações.  A contribuição e participação da comunidade, de empresas e do voluntariado. Os esforços somados representama chance de vida para milhares de crianças e adolescentes!