Archive for the ‘Revista Integrativa’ Category

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TESTES MOLECULARES

14 de junho de 2019

CARACTERIZAÇÃO BIOLÓGICA DOS TUMORES COMO COMPLEMENTO ÀS INFORMAÇÕES PROGNÓSTICAS DO CÂNCER.

Doctor conducts the test and the study of DNA .

O câncer de mama é o principal tipo de câncer que atinge as mulheres. Felizmente, também é o mais estudado pela Oncologia, especialidade médica na qual temos constante progresso, tanto em novas drogas como em novos testes. Temos muitas variáveis já bem estudadas que utilizamos para determinar a necessidade de quimioterapia, entre elas: tamanho do tumor, presença de linfonodos acometi- dos, grau tumoral, idade da paciente, presença do marcador chamado HER2 (receptor tipo 2 do fator de crescimento epidermóide humano), entre outros.

Conforme estes fatores, dispensamos qualquer outro teste adicional, como é o caso dos tumores chamados de triplo negativos e HER2 positivos (classificação que vem como exame completar à patologia, chamado de imuno-histoquímica, realizado em todas as pacientes).

Contudo, em algumas situações especificas, podemos solicitar um dos novos testes chamados de assinaturas moleculares com a finalidade de oferecer uma melhor caracterização biológica dos tumores em complemento às informações prognósticas clássicas.

 

NOVOS TESTES

Os testes biológicos vêm apresentando um crescimento significativo nos últimos anos. Alguns deles já estão sendo bastante utilizados, em nosso meio, para o complemento de informações prognósticas. São eles:

ONCOTYPE DX

O que é? É um teste que avalia o perfil molecular de um tumor de mama individual, possibilitando estimar o risco de recorrência em 10 anos. O teste é realizado em material de parafina e consiste na análise de 21 genes, 16 dos quais relacionados ao tumor e 5 aos genes de referência. O resultado é expresso como o risco de recorrência- Recurrence Score (RS) – em 10 anos, com uso de tamoxifeno adjuvante.

Principal indicação do teste: pacientes acima de 50 anos com tumores entre 0,6 e 3 cm RH positivo, HER-2 negativo e sem doença nos linfonodos.

Grau de risco: após a realização do teste, a doença pode ser classificada como risco de recorrência baixo, risco intermediário e risco alto.

Sendo que, para categoria risco baixo, poderíamos dispensar a paciente da quimioterapia, no risco intermediário teríamos que analisar os fatores clássicos e discutir com a paciente e, no risco alto, com certeza, indicar a quimioterapia.

Portanto, é importante ressaltar que a realização do teste não significa dispensar o uso de quimioterapia para a paciente e sim para um grupo distinto, e que mesmo com a realização do teste podemos ter um nível de risco no qual termos que levar em consideração os outros fatores para determinar a necessidade de quimioterapia.

Para pacientes que desejam a quimioterapia, mesmo que possam vir a ter um benefício menor, não existe vantagem em realizar o teste.

Custos: considerando o custo alto do Oncotype DX, vários grupos estão desenvolvendo nomogramas na tentativa de prever o resultado do Recurrence Score (RS). Por exemplo, investigadores do MSKCC apresentaram no evento ASCO 2018, um nomograma que tem alto poder de prever o RS de risco alto e que pode ser muito útil na seleção de pacientes¹.

MAMMAPRINT

O que é? É um teste que analisa a expressão de 70 genes. Pode ser realizado em material parafinizado.

Risco de recorrência: classifica as pacientes em risco alto ou baixo, sem incorporar o impacto da homornioterapia (a terapia com comprimidos como tamoxifieno e anastrozol, entre outros) ao contrário do Oncotype DX, isto é, reflete a história natural da doença.

Classificação do risco: para a sua indicação, as pacientes recebem uma classificação quanto ao risco clínico e quanto ao risco genômico entre baixo ou alto. As pacientes com resultados discordantes são testadas para receber quimioterapia (QT) adjuvante ou não.

Esse estudo demonstrou que pacientes com risco clínico alto, mas com risco genômico baixo, podem ser poupadas de QT adjuvante, pois o ganho absoluto é muito pequeno em relação aos riscos agudos e de longo prazo da QT adjuvante. Entretanto, a Sociedade de Oncologia Americana ( ASCO) ressalva que a paciente deve ser informada que a possibilidade de benefício de QT adjuvante não pode ser totalmente excluída, sobretudo em pacientes com mais de um linfonodo positivo².

Principal indicação do teste: pacientes com parâmetros clínicos que preenchem os critérios de risco clínico alto, sem linfonodos acometidos. Considerar para pacientes com até dois linfonodos positivos.

DEFINIÇÃO DE RISCO CLÍNICO PARA PACIENTES COM LINFONODOS NEGATIVOS

GRAU TAMANHO DO T RISCO CLÍNICO
1 < 3 cm Baixo
1 3,1 a 5 cm Alto
2 <2 cm Baixo
2 2,1 a 5 cm Alto
3 < 1 cm Baixo
3 1,1 a 5 cm Alto

 

DEFINIÇÃO DE RISCO CLÍNICO PARA PACIENTES COM UM A TRÊS LINFONODOS POSITIVOS

GRAU TAMANHO DO T RISCO CLÍNICO
1  < 2 cm Baixo
1 2,1 a 5 cm Alto
2 Qualquer T Alto
3 Qualquer T Alto

Recomendação: pacientes com risco clínico alto e risco genômico baixo, Hormonioterapia (HT) isolada. Pacientes com risco clínico alto e risco genômico alto, QT adjuvante.

 

PROSIGNA

O que é? É um teste disponível em vários países (incluindo o Brasil) que se baseia na assinatura genética do PAM50 e permite classificar o tumor de mama pelo subtipo biológico intrínseco.

Risco de Recorrência: o Prosigna utiliza o resultado do PAM50, do tamanho e do estado de proliferação do tumor para, através de um algoritmo, gerar o risco de recorrência, chamado ROR (risk of recurrence). O ROR é dividido em três grupos – risco baixo: < 10%; risco intermediário: entre 10 e 20%; risco alto:

> 20%

Principal indicação do teste: é aplicável para mulheres na pós-menopausa, com tumores graus 1 e 2 e com até três linfonodos positivos. Pode ser particularmente útil para determinar a necessidade, ou não, de hormoniotera- pia por mais de 5 anos.

Recomendação: para pacientes com risco baixo, recomendamos somente Hormonioterapia (HT) adjuvante. Em pacientes com risco alto, favorecemos QT adjuvante além da HT. Naquelas com risco intermediário, discutir individualmente.

Em suma, o Prosigna representa mais um teste desenhado para avaliar o comportamento biológico do câncer de mama, tanto em pacientes na pós- menopausa com linfonodo negativo como positivo.

Outros testes também se encontram em desenvolvimento e progressiva- mente mais disponíveis no Brasil. Infelizmente, no momento, a maior parte deles têm custo elevado e na vasta maioria dos convênios, ele não está disponível.

A perspectiva, porém, é positiva. À medida que os testes são mais utiliza- dos, tornam-se mais baratos.

Importante: a não realização destes testes não deve ser uma fonte de preocupação para as pacientes. Cabe ao seu oncologista explicar quando o teste se faz necessário e se o seu custo se justifica.

Os testes não vêm para substituir o médico ou a avaliação clínica, eles representam, apenas, mais uma das ferramentas que nos ajudam a guiar a paciente no melhor caminho para vencer a difícil jornada que é o trata- mento do câncer.

Dra. Rosana Monteggia CRM 34.294

Oncologista da Centro de Oncologia da CliniOnco

Fonte: Revista Integrativa_Edição 21

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EDITORIAL|Revista Integrativa_Edição 21

30 de maio de 2019

divulgação-revista

“MENS SANA IN CORPORE SANO”*

Frequentemente ouvimos comentários do tipo “Nossa, ele está com 90 anos e mantém-se lúcido” ou “Ela faleceu, mas estava com uma saúde mental invejável”. Sim, envelhecer com lucidez e com as capacidades cerebrais preservadas sempre foi uma das metas almejadas pelos seres humanos.

A saúde da mente pauta as mais diversas publicações científicas, é o assunto de conversas entre amigos, é a preocupação das mães quando gestam seus filhos e continua sendo enquanto eles se desenvolvem, é a conversa entre vizinhos, mas principalmente, é o tema de muitas pesquisas no meio acadêmico.

Como sabemos, a expectativa de vida das pessoas vem aumentando com o passar dos anos. Isso deve-se, entre outros fatores, aos avanços científicos na área da medicina, às melhores condições de vida da população e às políticas públicas de saúde. Portanto, viver mais é fato, envelhecer e manter o corpo e a mente saudáveis, tornaram-se os grandes desafios nos dias de hoje.

Para contemplar o instigante tema da “Saúde do Cérebro”, a 21ª edição da Integrativa debruçou-se sobre pesquisas e entrevistas, a fim de oferecer aos leitores informações que contribuam para um melhor entendimento das funções cerebrais e as implicações de alguns tratamentos usados nas disfunções e patologias que envolvem o cérebro. Além disso, também nos esmeramos em apresentar dicas valiosas sobre alimentação, atividade física, lazer e técnicas para preservar e promover a saúde da mente.

Tivemos a grande satisfação de contar com as contribuições de importantes pesquisadores, professores e profissionais da área da saúde para produzirmos as matérias de capa desta edição da revista.

Fiéis aos propósitos que essa publicação da CliniOnco tem para com seu público — oferecer informações sobre saúde em geral e o câncer em especial —, apresentamos nas demais páginas artigos que contemplam a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer como forma de reduzir os índices de mortalidade no Brasil; os cuidados relacionados às doenças renais; os novos testes moleculares que despontam como incremento importante no prognóstico do câncer; o tromboembolismo, uma complicação vascular que afeta um número significativo de pacientes; a atenção farmacêutica no uso de antineoplásicos por via oral e uma revisão sobre os Direitos do Paciente.

A coluna da Flávia Maoli e o depoimento da paciente Juliana Rocha, ambas com um personagem em comum em suas vidas — o câncer —, ilustram o quão importante é a ressignificação das experiências vivenciadas e o quanto, a partir destas vivências, elas podem ser agentes transformadores nos meios em que vivem.

A saúde plena reside no equilíbrio entre mente, corpo e espírito. Cuidar desta tríade nos habilita a vivermos de forma harmoniosa, completa, feliz e realizados. Mesmo sendo um desafio e tanto, considerando as adversidades impostas pela modernidade, a busca pelo equilíbrio deve ser o objetivo norteador do nosso modo de viver.

Boa leitura!

 (*) “Uma mente sã num corpo são”

Sandra Rodrigues

Diretora Assistencial e Administrativa

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Acupuntura: uma terapia integrativa e adjuvante nos cuidados oncológicos

8 de junho de 2018

Tapping in acupuncture needle

A acupuntura faz parte do grupo das terapias Integrativas e tem sido citada repetidamente na prática médica como adjuvante nos cuidados oncológicos, devido sua comprovada eficácia em aliviar diversos efeitos colaterais do tratamento antineoplásico.
Um repentino aumento de interesse nessa área iniciou em 1997, em consenso no NIH Conference (National Institutes of Health), após ter sido estabelecida a sua importância como auxiliar no tratamento oncológico.
Vários centros de tratamento de câncer nos Estados Unidos incorporaram a acupuntura como técnica complementar, dentre eles, Dana-Farber Cancer Institute (Boston), Memorial Sloan-Kettering Cancer Center (Nova York) e M.D. Anderson Cancer Center (Houston). No Brasil, o Hospital Albert Eisten já utiliza a técnica em seus protocolos e alguns hospitais públicos também já incluiram o uso em seus serviços. Relatos demonstram que há uma tendência dos pacientes com câncer a procurarem terapias complementares visando a uma melhor qualidade de vida e de tratamento (48% a 83% dos pacientes). No caso da acupuntura, a taxa chega a ser de até 31%.
O seu mecanismo de ação envolve uma resposta do sistema neuroendócrino, atra-vés da estimulação do sistema nervoso periférico e central. No momento em que a agulha penetra na pele, ocorre a liberação de neurotransmissores opioides (como as endorfinas), e de monoaminas (como a serotonina). Estudos com neuroimagem como Ressonância Nuclear magnética funcional (FRNM), PET-CT e Eletroencefalograma (EEG) demonstraram o estímulo de áreas cerebrais específicas com o uso da acupuntura, dentre elas, o sistema límbico, amígdala, hipocampo, hipotálamo, dentre outras; o que explica o seu efeito tão abrangente, inclusive, induzindo a uma sensação de bem-estar e a uma mudança na percepção e tolerância à dor.
No campo da Oncologia, o interesse é crescente, visto que, além do sofrimento gerado pela doença, os efeitos colaterais causados pelo tratamento são de difícil manejo com os medicamentos e técnicas habitualmente empregados.
A acupuntura é altamente recomendável como uma terapia complementar quando a dor é de difícil controle. Numerosos estudos têm comprovado também seu papel no alívio de náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia. Ensaio clínico randomizado demonstraram, em 2000, uma redução significativa desses episódios, comparado com uso isolado de terapia medicamentosa.
Surgiram também evidências da eficácia da acupuntura nos sintomas de neuropatia periférica induzida por quimioterapia, na dor e fadiga relacionadas ao câncer, na xerostomia induzida pela radioterapia e nas dores articulares e musculares induzidas por inibidores da aromatase.
Recentemente, em dezembro de 2017, no congresso de San Antonio, no Texas (San Antonio Breast Cancer Symposium- SABS), foram apresentados resultados muito positivos, de um ensaio clínico randomizado, no alívio das dores articulares (artralgias) em pacientes em tratamento para o câncer de mama, hormônio positivo, com inibidores de aromatase. Participaram do estudo 226 pacientes em estágio inicial, pós-menopáusicas. O estudo foi conduzido por 11 centros de tratamento oncológico nos Estados Unidos. A conclusão desse estudo foi que a acupuntura reduz significativamente a dor articular causada pelos inibidores da aromatase, dentre eles: anastrozole, letrozole e examestane.
Constata-se, ainda, o aumento no número de estudos para o tratamento da leucopenia/neutropenia induzida por quimioterapia. Em 2014, um estudo piloto, conduzido por Pais I. e colaboradores, demonstrou que a acupuntura pode estimular a imuni-dade antineoplásica, promover efeito mieloprotetor, melhorar o estado emocional e a qualidade de vida e, ainda, minimizar os efeitos da quimioterapia. Com a acupuntura, haveria a ativação de diferentes mecanismos incluindo macrófagos, neutrófilos, estimulação de células natural killer (NK) e linfócitos e produção de imunoglobulinas.
O uso da acupuntura também está descrito no tratamento de sintomas muito comuns na rotina oncológica como: sintomas vasomotores (foga-chos), insônia, ansiedade e depressão.
A acupuntura é um tratamento seguro, quando realizado por profissionais qualificados. Não há contraindicação para sua aplicação durante o curso da quimioterapia, desde que respeitadas as normas de biossegurança, com o uso de agulhas descartáveis e antissepsia adequada. Os efeitos adversos são raros e podem incluir: equimoses ou hematomas leves (as agulhas são ultrafinas), dor no local ou dor irradiada no trajeto de um nervo com sensação de dormência, hiperemia e prurido temporários na região agulhada. Cada aplicação dura, em média, vinte minutos. O ideal é que o tratamento seja mantido por, no mínimo, 4 a 6 semanas. Alguns sintomas requerem mais tempo para a adequada manutenção. Em muitos casos sua utilização pode diminuir a necessidade de medicamentos ou o efeito colateral dos mesmos.
No cenário atual, onde se busca cada vez mais uma Medicina Integrativa, visando a minimizar a dor e o sofrimento durante o tratamento oncológico, a Acupuntura vem para somar, visto que auxilia na redução dos para efeitos e melhora a qualidade de vida dos pacientes.

Por Dra. Luciane Poletto Antunes – CRM – 26.942
Médica Mastologista e Especialista em Acupuntura
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IMAGEM CORPORAL

8 de junho de 2018

As alterações físicas e psicológicas que ocorrem durante o tratamento do câncer podem ser ressignificadas com o auxílio de profissionais, familiares e amigos.
O impacto ocasionado pelo câncer na vida dos pacientes tende a ser muito grande. Mudanças de ordem psíquica, física, social e econômica chegam sem avisar. É um momento em que muitas pessoas passam a refletir mais sobre a vida, sobre a própria existência, sobre escolhas e posicionamentos. Confrontam-se preconceitos e estigmas. Lamentam-se as perdas, sejam elas de papéis até então ocupados ou das perdas relacionadas à dimensão física e corporal.
A maneira como, mentalmente, concebemos o contorno, a forma e o tamanho do nosso corpo é chamada de imagem corporal. Nossos pensamentos, emoções e comportamentos associados a essas características representam um produto de nossas experiências sociais, emocionais e físicas relacionadas ao nosso corpo.
Cirurgias, alterações de peso, inchaço, perda de cabelo, palidez e tantas outras mudanças na imagem corporal ocasionadas pelo tratamento oncológico podem gerar um alto grau de estresse e afetar a autoestima e a qualidade de vida. Essas alterações que o tratamento gera podem ser vividas ou sentidas da mesma forma como um luto, necessitando de tempo para ressignificação e de cuidado com os próprios sentimentos.
Cada pessoa perceberá e sentirá suas mudanças corporais de uma forma diferente. Sugestões de como lidar com este momento incluem:
1) Autocuidado é fundamental! Esteja atento(a) as suas próprias necessidades físicas e emocionais e tente supri-las;
2) Não se isole! Ative sua rede de apoio e explique aos seus amigos(as) e familiares como eles(as) podem auxiliar;
3) Procure apoio externo! Grupos de apoio são uma excelente opção para quem está realizando tratamento oncológico. No grupo, experiências muito próximas às que você está vivenciando são compartilhadas, aumentando o repertório de resolução de problemas cotidianos e incrementando a sua autoconfiança;
4) Converse com um(a) profissional da saúde mental! Acompanhamento psicológico durante e após o tratamento oncológico auxilia no enfrentamento das dificuldades e na retomada à vida.
Superar mudanças físicas não significa minimizá-las ou tentar apagá-las, mas ressignificar a própria história e transformar o que foi triste em afeto e orgulho pela trajetória até então vivida. As marcas do corpo podem passar a representar a força e a coragem de quem já enfrentou diversas batalhas, e jamais poderão simbolizar algo maior do que realmente é.

Por Tayse Conter de Moura – CRP 07/26188
Psicóloga de Centro de Atendimento Multidisciplinar da CliniOnco
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ATIVIDADE FÍSICA

8 de junho de 2018

fotolia_201853505.jpgA prática de atividades durante o tratamento do câncer é um importante marcador de bem-estar e qualidade de vida.

A Organização Mundial de Saúde há muito tempo já afirma que a função física é um determinante de sobrevida e qualidade de vida.

Atualmente, a atividade física já está incorporada na rotina diária de muitas pessoas que buscam manter-se ativas, com condicionamento físico, manutenção do peso corporal, mas principalmente para seu bem-estar.

Quando se inicia um tratamento oncológico, nem sempre é possível dar seguimento às atividades de rotina. Normalmente, alguns hábitos são abandonados, dentre eles a prática da atividade física. Por vezes, o abandono destes hábitos acontece devido à falta de orientações sobre a importância quanto à continuidade dos mesmos, ou também por não ser supostamente o foco principal naquele momento.

Estudos comprovam que a manutenção das atividades físicas durante o tratamento traz importantes benefícios para o paciente:

  • Ameniza ou até evita o apareci-mento dos sintomas de fadiga;
  • Evita a perda de massa muscular;
  • Melhora a mobilidade e funciona-lidade geral, diminuindo o risco de queda;
  • Diminui o risco de doença cardio-vascular;
  • Auxilia na redução de peso e gordura corporal;
  • Contribui para redução de sintomas de ordem psíquica como ansiedade e depressão;
  • Melhora a qualidade de sono;
  • Estimula o relacionamento social e melhora o humor;
  • Melhora a autoestima e qualidade de vida.

Embora existam muitas razões para ser fisicamente ativo durante o tratamento do câncer, a prescrição dos exercícios deve ser baseada no que é seguro, eficaz e agradável para o paciente, deve ser adaptado aos seus interesses e necessidades.

Dicas importantes:

  • Converse com seu médico e soli-cite liberação para iniciar ou retomar às atividades físicas;
  • Certifique-se que seus exames estejam adequados para a prática dos exercícios;
  • Escolha um profissional capacitado para a prescrição e acompanhamento das atividades;
  • A orientação quanto a carga, intensidade, frequência e duração na execução dos exercícios é um fator muito importante e deve sempre ser considerado;
  • Preste atenção em sinais e sintomas diferentes em seu corpo, ao menor problema leva ao conhecimento de seu médico;
  • O mais importante: respeite seus limites. Nosso corpo nos diz até onde podemos chegar.

Se por algum motivo participar de um programa de atividades físicas, não for possível, torne suas atividades diárias uma forma de se exercitar com leveza e criatividade: Brinque com as crianças, passeie com o cachorro, dispense o carro e faça pequenas caminhadas, use a escada ao invés do elevador, arrume o jardim, faça exercícios enquanto assiste televisão, visite os amigos e movimente-se sempre que possível.

Sentir-se bem é o objetivo de manter a prática das atividades durante e após o tratamento do câncer. Portanto, torne estes momentos divertidos e relaxantes, assim você alivia o estresse e ganha em bem-estar e qualidade de vida!

Por Greice Verza – Crefito – 46878-F
Fisioterapeuta do Centro de Atendimento Multidisciplinar da CliniOnco
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ALIMENTAÇÃO

8 de junho de 2018

fotolia_189947870.jpgA avaliação nutricional é fundamental no acompanhamento do paciente oncológico e inclui a prevenção e o tratamento da desnutrição, bem como, controle dos efeitos adversos decorrentes do tratamento do câncer.

O câncer, assim como outras doenças graves, pode acarretar uma série de alterações metabólicas que geram sinais e sintomas físicos, sociais e emocionais, causando um impacto significativo no bem-estar e qualidade de vida.

Uma das alterações mais prevalentes é a desnutrição, cuja ocorrência chega a aproximadamente 75% em pacientes oncológicos. Sua etiologia é multifatorial, associando-se tanto à evolução tumoral como aos efeitos adversos oriundos do tratamento oncológico. A desnutrição corresponde a um déficit nutricional e pode causar significativas mudanças da imagem e composição corporal, além de trazer outros riscos e prejuízos, tais como aumento do risco de complicações cirúrgicas, redução da capacidade funcional, menor tolerância e resposta ao tratamento antineoplásico, pior prognóstico e diminuição da sobrevida.

Sinais e sintomas mais frequentes:

Entre os principais sinais e sintomas da desnutrição podemos citar: cansaço e falta de energia, perda de peso de forma não intencional, fraqueza muscular (devido à perda de massa magra), desregulação da temperatura corporal (causando dificuldade em se manter aquecido), edema (inchaço), pior recuperação de infecções e cicatrização de feridas, falta de concentração e inapetência.

Embora possam ser temporárias, as alterações metabólicas causadas pela doença e pelo tratamento podem acarretar sérios problemas de saúde  e consequente piora na qualidade de vida, sobretudo se não houver um acompanhamento nutricional apropriado e, de preferência, precoce. A detecção precoce das necessidades e alterações nutricionais no paciente oncológico permite intervenções adequadas, a fim de evitar ou minimizar o declínio do estado nutricional.

Importância da Avaliação Nutricional

A avaliação nutricional é fundamental no acompanhamento do paciente oncológico e inclui a prevenção/tratamento da desnutrição e controle dos efeitos adversos decorrentes do tratamento do câncer. O profissional nutricionista é o responsável por orientar a correta ingestão alimentar, de acordo com as necessidades de cada paciente. Por vezes, o uso de terapia nutricional pode ser indicado, através do uso de dieta enteral ou através de suplementos por via oral, buscando complementar dietas com ingestão prejudicadas pelos efeitos colaterais do tratamento.

Papel da Nutrição

O papel da nutrição, neste contexto, é assegurar as necessidades nutricionais na tentativa de preservar o peso e a composição corporal em pacientes oncológicos, assim como auxiliar no manejo de sintomas, possibilitando uma melhor qualidade de vida ao longo do tratamento. Afinal, diversos estudos já demonstraram que o bom estado nutricional proporciona ao paciente melhora na aparência e força física, ajuda a reduzir os efeitos adversos e aumenta a aceitação dos medicamentos pelo organismo.

A boa performance nutricional oportuniza a esse paciente vivenciar sentimentos de bem-estar.

Por Camila Borges – CRN2 – 10.314
Nutricionista do Centro de Atendimento Multidisciplinar da CliniOnco
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A ARTE DO BEM-ESTAR

8 de junho de 2018

fotolia_168011725.jpgMuito além das simples definições propostas pelos dicionários, o conceito de bem-estar é amplo e complexo. Isto porque, recheado de subjetividade, constrói-se a partir da ótica de cada observador, em cada momento e para cada contexto. Passamos muito tempo tentando definí-lo, assim como, qualidade de vida; hoje consideramos bem-estar um aspecto humano, de sentimento, sentir-se bem, enquanto qualidade de vida representa a estrutura disponível, a qual pode ter importante papel na promoção deste aspecto do sentimento humano. Devemos, portanto, evitar o equívoco de apresentarmos teorias pré-formatadas sobre sua promoção em populações e situações diversas. O bem-estar não é uma ciência; é uma arte!

Nos últimos 10 anos nos dedicamos a estudá-lo, bem como as suas mais variadas expressões, especialmente no ambiente de trabalho. Durante este período, adquirimos um robusto conhecimento a respeito do tema e conseguimos entendê-lo profundamente, a ponto de criarmos uma série de conceitos próprios sobre as habilidades intimamente envolvidas com a origem de um bem-estar real, aquele que é construído de dentro para fora nas pessoas.

O ponto de partida, o elemento propulsor para a construção desse  sentimento em cada indivíduo é a conexão com um propósito, uma causa, um objetivo. De nada adianta o treinamento e o desenvolvimento de habilidades se não houver uma razão muito clara para utilizá-las. Lembremos do Golden Circle, do Simon Sinek, iniciando pelo “porquê”; sim, o propósito.

Na busca pelo bem-estar, criamos o nosso conceito fundamental: o Cubo da Plena Performance! Nele, as pessoas são convidadas a construir o seu próprio cubo cuja base representa a vida, as paredes, respectivamente os aspectos físicos, emocionais, mentais e espirituais, e o teto, fechando o cubo e protegendo a vida, o trabalho. A partir deste modelo, fica bastante clara a ideia de que, para equilibrarmos harmonicamente o nosso trabalho sobre a nossa vida, precisamos ter estruturadas e desenvolvidas as nossas habilidades Físicas, Emocionais, Mentais e Espirituais, o que chamamos de Evolução FEME. Nesta construção do cubo, uma “parede” mal estruturada irá sobrecarregar as outras!

Hoje podemos dizer que o verdadeiro diferencial nos nossos processos de bem-estar foi o entendimento de que, quando lidamos com grupos específicos de pessoas em determinadas situações e ambientes, excelentes teorias e fórmulas simplesmente evaporam, com pouco ou nenhum efeito naquele lugar ou naquelas pessoas. As informações necessárias para a construção de um processo sólido e sustentável a este respeito estão lá, no próprio local, e tem origem naquelas pessoas envolvidas diretamente no contexto em estudo. É o que acontece, por exemplo, quando trabalhamos com o bem-estar de pacientes em tratamento oncológico. Recentemente, tivemos a oportunidade de desenvolver um projeto de cocriação com pacientes durante as sessões de quimioterapia. Foi uma experiência fantástica, que possibilitou conhecermos melhor esta população, que, como qualquer outra, tem características próprias que precisam ser estudadas para que possamos gerar como resultado um processo real e sustentável deste estado de espírito. Lembrando: dificilmente conseguiremos promover um verdadeiro bem-estar com receitas prontas; precisamos descobrir os fatores importantes para cada grupo de pessoas que pretendemos atender.

Muitas vezes, este não representa absolutamente a estrutura de qualidade de vida disponível; enquanto uns usufruem de grande estrutura e não conseguem alcançar um estado de bem-estar, outros, com muito pouco, sentem-se realmente bem.

O desenvolvimento de ferramentas inovadoras e poderosas de cocriação utilizadas no Biodesign nos permite hoje uma assertividade superior, quando somos desafiados a construir processos de bem-estar nas mais variadas populações e nos ambientes de trabalho. Processos efetivos e sustentáveis, com os valores internos dos diferentes grupos, construídos pelas pessoas e para as pessoas, de forma simples, humana e inovadora.

Por Dr. Geraldo Gomes da Silveira – CRM 21.886
Ginecologista do Centro de Ginecologia Oncológica da CliniOnco | Coordenador do Centro de Endometriose da CliniOnco
Idealizador do Projeto ErgoMulher
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MUCOSITE BUCAL

8 de junho de 2018

fotolia_31193910.jpgO tratamento para o câncer inclui cirurgia, radioterapia, quimioterapia, associações entre estas modalidades e o transplante de células progenitoras hematopoiéticas (TCPH). Tanto a quimioterapia como a radioterapia para região de cabeça e pescoço, atuam de forma não-seletiva, isto porque não interferem apenas em células tumorais: estes tratamentos apresentam ação em células com rápida proliferação. Devido a esta ação não-seletiva podemos observar o desenvolvimento de diferentes efeitos adversos, como a mucosites bucal, definida como uma condição inflamatória que ocorre de forma bastante variável (incidência de 12 a 100%); sendo mais comum em pacientes submetidos a radioterapia de cabeça e pescoço, quimioterapia de altas doses e em pacientes submetidos a TCPH.

Clinicamente, a mucosite bucal se manifesta como eritema (mucosa avermelhada) ou ulcerações (feridas) em vários graus de intensidade. Em graus leves o paciente pode referir desconforto e/ou dor; já, em graus severos, a mucosite pode levar o paciente a não conseguir se alimentar por dor em boca. Estas lesões podem ocasionar modificação do tratamento antineoplásico ou até mesmo a necessidade da interrupção do mesmo, comprometendo, assim, a qualidade de vida e/ou sobrevida do paciente.

Alguns fatores são responsáveis por aumentar a incidência e severidade de mucosite bucal, dentre eles está a saúde bucal do paciente: quanto melhor a higienização bucal, menor o risco de desenvolver mucosite bucal severa.

O controle das mucosites é extremamente importante. Os trata-mentos, de modo geral, são paliativos, visando a refrear os sintomas e controlar possíveis quadros infecciosos e/ou hemorrágicos. Sendo assim, devemos focar na prevenção desta condição patológica. Ao falarmos em prevenção, o foco deve ser o controle da inflamação, visto que seu desenvolvimento está associado a um desequilíbrio da resposta inflamatória.

Dentre as principais medidas para prevenir mucosites bucal estão:

1.Manter a boca sempre bem higienizada. Para isso, é fortemente aconselhado utilizar escova de dentes macia (ex. Curaprox) e pasta de dente sem uma substância abrasiva (laurel sulfato de sódio), dentre elas temos a Curaprox 1450, Xerolacer e/ou Bioxtra. Realizar higiene bucal 03 vezes por dia.

1.1.     Pacientes que utilizam fio dental regularmente podem continuar utilizando, sempre com muito cuidado para não lesionar a gengiva. Aqueles que nunca utilizaram precisam da orientação do cirurgião-dentista.

1.2.     A língua é o principal reservatório de micro-organismos da cavidade bucal, por isso deve ser bem higienizada, contudo cuidando para não traumatizar a mucosa que estará mais sensível durante o tratamento.

1.3.     É aconselhada a utilização de enxaguatórios bucais que contenham digluconato de clorexidina 0,12% (ex. Periogard). É importante que estes enxaguatórios não contenha álcool na formulação.

2.Manter lábios bem hidratados. Para isso utilizar dexpantenol (pomada Bepantol) 03 vezes por dia.

3.Realizar sessões de laserterapia para prevenir lesões de mucosite bucal até 10 dias após início da quimioterapia e durante todo o tratamento radioterápico para região de cabeça e pescoço.

4.Realizar bochechos com chá de camomila industrializado – não a flor, uma vez que a camomila contem ca-racterísticas anti-inflamatórias. Deve-se bochechar durante 01 minuto, 03 vezes por dia. É indicado também tomar o chá.

A compreensão da mucosite bucal e o conhecimento das modalidades preventivas é extremamente importante para garantir melhor qualidade de vida durante o tratamento antineoplásico. Dessa forma, é fundamental procurar um cirurgião-dentista antes de iniciar o tratamento, e assim receber todas as informações acerca das sequelas bucais oriundas de cada tratamento.

Por Dra. Marina Curra – CRO – 22.296
Cirurgiã dentista | Doutora em Patologia Bucal.
Habilitada em Odontologia Hospitalar.
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VACINAS E PREVENÇÃO DO CÂNCER

8 de junho de 2018

Flu.A história das vacinas se iniciou, ainda no século XVIII, com a descoberta da vacina da varíola e evoluiu muito desde então, se tornando uma das ferramentas mais importantes da medicina preventiva.

As vacinas são medicamentos que estimulam a habilidade natural do sistema imune em proteger o corpo contra invasores, principalmente agentes infecciosos que podem causar diversas doenças. Quando estes agentes invadem o corpo o sistema imune reconhece-os como invasores e os destrói, além disto o corpo cria uma memória imunológica para que da próxima vez que o mesmo agente entrar no organismo esta memória seja ativada para eliminar o invasor.

Na prevenção do câncer os dois principais agentes a serem combatidos com vacinas são o HPV(Vírus do Papiloma Humano) e o vírus da Hepatite B.

A vacinação para Hepatite B foi desenvolvida na década de 1960 e há vários anos foi introduzida no calendário de vacinas no Brasil.

Segundo dados do Inca, estima-se que, em países em desenvolvimento, o vírus da Hepatite B (HBV) seja responsável por 58,8% dos casos de câncer do fígado. O HBV é capaz de sobreviver até uma semana fora do corpo humano e apenas uma partícula viral já é capaz de infectar o ser humano.

Hoje a vacina da Hepatite B é oferecida ao nascimento para todos os bebês nascidos no país já na maternidade, devendo ser realizado reforço aos dois e seis meses de idade e sua imunidade pode ser testada nos adultos com exames laboratoriais, pois em algumas pessoas, esta imunidade se perde com o tempo e pode haver a necessidade de doses de reforço na vida adulta.

A vacina para Hepatite B é um dos grandes sucessos da história da vacinação e a primeira vacina usada a nível mundial para a prevenção do câncer.

O HPV é uma das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns em nosso meio e o desenvolvimento da vacina contra o HPV é uma ferramenta importantíssima na prevenção dos tumores relacionados a este vírus. O HPV pode causar câncer em várias regiões do corpo tanto do homem quanto da mulher. Quase 100% dos casos de câncer de colo do útero são causados por esse vírus. Além disso, ele causa verrugas genitais e responde por cerca de 91% dos casos de câncer anal, 75% dos casos de câncer de vagina, 72% dos casos de câncer de orofaringe, 69% dos casos de câncer de vulva e 63% dos casos de câncer de pênis. De acordo com o Center for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos, a maioria dessas neoplasias poderiam ser evitada por meio da vacinação.

A melhor idade para uso da vacina contra o HPV é ainda durante a infância, antes de um possível contato do indivíduo com o vírus. Os calendário da Sociedade Brasileira de Pediatria e do Ministério da Saúde recomendam a imunização a partir dos nove anos de idade. Uma segunda dose da vacina deve ser recebida seis meses após a dose inicial.

Também no paciente com diagnóstico de câncer a vacinação antes do início do tratamento quimioterápico, radioterápico ou de outras medicações imunossupressoras é essencial para a prevenção de doenças que podem ser complicações potenciais durante o tratamento. As vacinas devem ser dadas idealmente duas semanas antes do início do tratamento oncológico, porém vacinas com vírus atenuados devem ser dadas 4 semanas do início do tratamento.

Pacientes com câncer em quimioterapia, radioterapia e uso de medicações imunossupressoras devem evitar o uso de vacinas, principalmente aquelas com vírus atenuados devido ao risco de desenvolver infecções relacionadas as próprias vacinas inoculadas.

Naqueles pacientes que não fizeram a vacinação antes do tratamento quimioterápico, as vacinas podem ser aplicadas após três a seis meses do tratamento, dependendo de qual tipo de quimioterapia foi utilizada.

Além disto, no tratamento do câncer estão sendo desenvolvidas “vacinas” que são medicações que estimulam o sistema imunológico para combater o câncer já existente. Os melhores resultados deste tratamento estão sendo obtidos no câncer de pele tipo melanoma.

Sendo assim, a prevenção de doenças com vacinas e até mesmo seu tratamento com medicações que usam os mesmo princípios das vacinas são ferramentas essenciais na medicina e muito ainda podemos esperar de evolução neste campo nas próximas décadas.

Por Dr. Rafael Castilho Pinto – CRM 19.876
Médico Proctologista | Médico do Centro de Prevenção de Câncer da CliniOnco
prevenção@clinionco.com.br
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EDITORIAL – REVISTA INTEGRATIVA 19

8 de junho de 2018

“Ressignificar  é olhar de dentro para fora. É encontrar novidade no que a gente vê todo dia. É saber que as coisas mudam tanto quanto as pessoas. É recriar o que um dia foi criado. É a própria regra. É saber lidar com o novo. É perceber que tem um pouco da gente em tudo o que a gente faz. É um exercício de autoconhecimento. É um ato de extrema liberdade em que a gente pinta o mundo à nossa volta do jeito que a gente vê.” @akapoeta – João Doederlein 

Somos seres em constante evolução e capazes de ressignificar, a cada instante, o sentido da própria existência. Ao passar pela experiência de ter tido um câncer é inevitável que algumas marcas sejam carimbadas no corpo e na alma de quem por ele passa. A dimensão do significado que este fato ocupará na vida de cada pessoa é única e individualizada, estando intimamente ligada aos recursos internos adquiridos e cultivados ao longo de sua trajetória de vida, e também às vivências compartilhadas e aos laços construídos com outras pessoas ao seu redor. Assim, o câncer pode ser encarado como uma sentença trágica ou pode transformar-se num desafio capaz de dar novo sentido a tudo.

Diante de um cenário que se reinventa a cada dia para melhor compreender as dimensões do câncer na vida dos pacientes, a Integrativa, aborda como matéria de capa: Bem-estar e Qualidade de Vida no Câncer. Esse tema pretende lançar luz às questões que envolvem o ajustamento do paciente para que ele possa, apesar de seu diagnóstico, usufruir de sentimentos de bem-estar e estruturar um ambiente e padrões de comportamentos capazes de proporcionar-lhe qualidade de vida.

Na matéria introdutória sobre o assunto, Dr. Geraldo, em sua experiência de 10 anos dedicados a estudar o bem-estar nos mais variados ambientes e com diferentes públicos, o define como sendo uma arte, pois o considera complexo, individual, relativo, que ocorre de dentro para fora no indivíduo e é recheado de subjetividade. De maneira complementar, entende a qualidade de vida como sendo a estrutura disponível capaz de suprir recursos, a fim de dar sustentação a este bem-estar e promover o equilíbrio necessário para os padrões de um sujeito saudável. Esses conceitos se encaixam perfeitamente no contexto em que se encontram os pacientes portadores de câncer. E é com esse propósito que se desenvolvem os temas propostos.

Um exemplo de ressignificação da trajetória de vida após o câncer é apresentado na entrevista com os idealizadores do Projeto Camaleão: autoestima contra o câncer. Nela é possível compreender que a história de vida de cada um pode ser escrita a partir de um ponto final, de exclamação ou interrogação. Basta querer fazer a diferença, primeiramente para si mesmo como forma de resgate, reconstrução e empoderamento do seu “eu” e, depois, partir para a ação coletiva que tem o poder de transformar vidas ao seu redor, e como “bumerangue” receber de volta tudo recheado de mais e mais experiências transformadoras e enriquecedoras.

Na sequência, três pilares da qualidade de vida, como a alimentação, imagem corporal e atividade física são abordados por diferentes profissionais e trazem informações valiosas para esse contexto. Ao mesmo tempo em que esclarecem dúvidas, proporcionam dicas que poderão ser seguidas pelos pacientes e seus cuidadores.

A reflexão de Flávia Maoli, uma das diretoras da Casa Camaleão, em sua coluna “Quem é essa no meu espelho?”, analisa o quanto situações desfavoráveis, como mudanças físicas e comprometimento da autoestima, experienciadas por ela, podem se transformar em algo gratificante na medida em que ajuda outras pessoas a superar esses obstáculos.

A Revista traz, também, assuntos extremamente relevantes para a compreensão e esclarecimento quanto às necessidades de saúde da população em geral e para o seguimento oncológico especificamente, entre eles: Vacina e prevenção do câncer; Campanha Nacional da Voz; Mucosite bucal e Acupuntura.

E não poderíamos deixar de falar sobre a Certificação que a CliniOnco recebeu em janeiro deste ano. A instituição foi Acreditada com Excelência – Nivel 3 pela ONA (Organização Nacional de Acreditação), o que nos orgulha muito! Nossa responsabilidade e compromisso com toda a comunidade, pacientes e colaboradores cresce proporcionalmente às exigências que esse selo representa no âmbito da saúde.  Nosso especial agradecimento a todos que contribuíram para esse feito.

Finalizo este editorial com a frase do depoimento da paciente Valquiria M. Notare, em Vidas Ressignificadas:

“Embora nós não possamos controlar a duração de nossas vidas, podemos determinar completamente o seu significado e profundidade, aproveitando a oportunidade de estarmos vivos para nos elevarmos espiritualmente  vivendo uma vida relevante e gratificante para nós e para os demais”.

Boa Leitura!

Por Sandra Rodrigues – Diretora Assistencial e Administrativa