Archive for the ‘Revista Integrativa’ Category

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Revista Integrativa Vol. 18

18 de janeiro de 2018

A REVISTA INTEGRATIVA Volume 18 CHEGOU!
E esta edição traz como capa o tema: “Câncer e os relacionamentos que fazem a diferença”.

“A reflexão sobre o que realmente importa em nossas vidas de um modo especial, nos levou a pensar sobre o tema e considerá-lo como pauta principal desta edição. Nossa
intenção é mostrar que, mesmo diante da dor ocasionada pela doença e/ou em decorrência dela, é possível ser forte e encontrar o apoio dos amigos, familiares e de uma equipe que se dedica a cuidá-lo.
Esperamos, como editores desta revista, que os demais temas abordados e pensados com carinho nesta edição possam proporcionar a vocês momentos de reflexão e aprendizado”. (Sandra Rodrigues – diretora assistencial e administrativo da ClinOnco)

Esta edição também traz os seguintes temas:
– CliniOnco Inaugura Centro de Ginecologia Oncológica
– Distúrbios do Sono
– Dicas Saudáveis
– Outubro Rosa e Novembro Azul
E muito mais.

Confira a versão online clicando no link abaixo.
http://www.clinionco.com.br/revista_integrativa_18

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DOENÇAS DO SISTEMA RESPIRATÓRIO

30 de agosto de 2016

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Nesta entrevista à Integrativa, Dr. Spencer Camargo, Cirurgião torácico, Mestre e Doutor em Ciências Pneumológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Título de Especialista em Cirurgia Torácia pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica (SBCT) e cirurgião do grupo de transplantes pulmonares da Santa Casa de Porto Alegre, fala sobre o câncer de pulmão, diagnósticos e tratamentos da doença, responde à importantes questionamentos sobre o tabagismo e suas consequências na saúde da população mundial e esclarece sobre as doenças do sistema respiratórias mais comuns, que além de apresentar risco à vida, tem um importante impacto econômico na sociedade.

 RI- Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam o câncer de pulmão como um dos mais incidentes entre homens e mulheres. Para o ano de 2017, está previsto 10.890 de novos casos de câncer de traqueia, brônquio e pulmão, sendo sua mortalidade extremamente alta. Quais são as razões que podemos apontar para justificar ainda números tão significantes para esse tipo de câncer e sua alta taxa de mortalidade?

Dr. Spencer – O câncer de pulmão é uma neoplasia que tem um fator de risco bem reconhecido e amplamente divulgado, que é o tabagismo. Apesar disto, temos que reconhecer que o habito tabágico ainda está fortemente associado à cultura da sociedade.

Quanto à mortalidade, um grande problema relacionado a isto é o atraso no diagnóstico da neoplasia pulmonar. Muitas vezes, ficamos com a impressão de que o câncer de pulmão é pior do que os demais, mas, o que acontece, é que ao contrário de outras neoplasias que podem ser percebidas ainda em fase inicial, seja por exames de palpação como na neoplasia de mama ou por manifestação de algum sintoma, como um sangramento na neoplasia de intestino, os tumores de pulmão costumam crescer bastante sem que ocorra nenhum sinal perceptível pelo paciente. Isso faz com que o diagnóstico ocorra, na maioria das vezes, em estágios avançados, quando a chance de cura é muito menor.

Por esta razão, é tão importante que exames de rotina sejam feitos. A cultura do exame de mamas para as mulheres e de próstata para os homens já está bem aceita na sociedade, mas o mesmo não ocorre em relação a exames pulmonares. É comum que indivíduos que já passaram dos 50 anos e que fumam há muito tempo refiram nunca ter feito um exame de imagem pulmonar. Tentando mudar esta realidade, estudos bem elaborados têm mostrado a vantagem do Screening para o câncer de pulmão, que é a realização de uma tomografia de tórax anual para os pacientes de alto risco para desenvolverem câncer de pulmão.

 RI- O câncer de pulmão tem uma evolução lenta até que a primeira célula se duplique anarquicamente e desencadeie a marcha do tumor, depois, este processo acelera e o tempo hábil para diagnosticar e tratar a doença se reduz. Quais são, geralmente, os motivos para a protelação do diagnóstico do câncer de pulmão e quais as orientações que deveriam ser amplamente divulgadas para reduzir a incidência da doença e para aumentar seu diagnóstico precoce?

Dr. Spencer – É importante salientar que o câncer de pulmão é uma doença muitas vezes silenciosa. Por ser um órgão ao qual não temos acesso fácil e que não é suscetível à dor, um tumor pode crescer bastante até que surjam os primeiros sintomas. Um outro ponto importante é o fato de que, muitas vezes, o fumante tem um certo grau de culpa pelo seu ato. É tão comum as pessoas falarem que fumar é feio e errado, que a pessoa sente-se mal e, quando algum sintoma suspeito surge, ele quer esconder aquilo, na esperança que passe e sua “má- conduta” não seja exposta. Por isso a educação é tão importante.

Um indivíduo que fuma tem cerca de 30 vezes mais chance de desenvolver um câncer de pulmão do que quem nunca fumou. Desta forma, a cessação do tabagismo é o fator que mais influenciaria na redução da incidência de câncer de pulmão.

Para aqueles que fumam ou fumaram por um longo tempo, a recomendação é que façam exames de saúde rotineiramente incluindo uma tomografia de tórax anual após os 55 anos.

 RI- O tratamento do câncer de pulmão, normalmente é constituído por cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia. Em que situações é indicado cada uma destas modalidades de tratamento?

Dr. Spencer – O tipo de tratamento a ser instituído vai depender do momento em que o diagnóstico do câncer de pulmão é feito. Infelizmente, apenas cerca de 15% dos diagnósticos são feitos em estágios precoces, quando a chance de cura é muito alta. Nestas situações, a cirurgia é a melhor opção, sendo muitas vezes o tratamento exclusivo. Hoje, a vídeocirurgia é o melhor tratamento do câncer de pulmão em estágio precoce.

Nos pacientes que apresentam uma doença um pouco mais avançada, pode ser necessário o uso combinado de cirurgia com quimioterapia, que pode ser administrada antes ou depois da cirurgia.

A radioterapia é utilizada, em geral, para controle de sintomas relacionados aos tumores ou também em uma combinação com cirurgia e/ou quimioterapia.

É importante lembrar que as alternativas no tratamento das neoplasias vêm avançando muito, e, mesmo doenças avançadas, podem ser controladas por bastante tempo.

RI- Pacientes com câncer de pulmão na maioria das vezes são fumantes e tem como principal causa do tumor o hábito do tabagismo. Por que devemos insistir na cessação do tabagismo, mesmo depois do diagnóstico do câncer já estabelecido?

Dr. Spencer – O tabagismo está relacionado não apenas ao câncer de pulmão, mas também com o desenvolvimento de tumores em diversos outros órgãos, além de doenças cardiovasculares e pulmonares, que muitas vezes são fatais.

Uma pessoa que teve um tumor de pulmão e curou, tem um risco anual alto de desenvolver um novo tumor, que pode ocorrer novamente no pulmão ou em outros órgãos. Parar de fumar, mesmo após já ter desenvolvido um câncer, reduz a chance de ocorrência de novos tumores.

RI- A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que o tabagismo é responsável por cinco milhões de mortes ao ano no mundo, o que corresponde a mais de 10 mil mortes por dia, sendo que o tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o mundo. Por que, mesmo a grande maioria dos fumantes tendo acesso a informações sobre os malefícios do cigarro, elas continuam fumando?

Dr. Spencer – A massificação do cigarro no século passado, associado a uma cultura tabágica, que associava o cigarro a uma condição de modernidade, cultura e, até mesmo, a saúde, levou um grande número de pessoas a fumar para se manter inserido neste contexto social. Como não ficar encantado com propagandas nas quais os fumantes eram sempre pessoas que levavam uma vida extravagante, esbanjando saúde e vivacidade? Quando as pessoas se davam conta dos danos provocados em seus organismos, a dependência química a nicotina impedia o abandono.

Mesmo nos dias atuais, em que a propaganda esta banida e os riscos são amplamente divulgados, o ritmo frenético de vida provocado pela modernidade arrasta muitas pessoas para o fugaz e falso prazer de uma tragada e o número de tabagista ainda mostra-se grande. As campanhas de educação e suporte aos tabagistas precisam ser intensas para uma mudança definitiva neste cenário.

 RI- A partir da década de 80, foi constatado que a fumaça do cigarro (queimado no cinzeiro ou expelido pelo fumante), definida como poluição tabágica ambiental (PTA), desencadeava doenças às pessoas que inalavam involuntariamente esta fumaça. Qual a incidência de câncer de pulmão nos tabagistas passivos e qual a população mais afetada?

Dr. Spencer – Diversos estudos que fizeram análises bioquímicas em indivíduos não fumantes, mas expostos à fumaça do cigarro, mostraram que os mesmos apresentavam índices elevados de metabólitos encontrados no cigarro, alguns deles considerados carcinógenos importantes. Pela constância de exposição, um dos grupos mais estudado foi o de cônjuges de tabagistas. Uma análise de diversos estudos mostrou que o risco de desenvolver câncer em esposas de tabagistas pode ser 27% mais alto do que as não expostas. Outro grupo importante de exposição é o das crianças. Durante a gestação, se a mãe for fumante, a criança tem um risco elevado de inúmeras doenças, inclusive de más-formações. Mesmo no caso de uma mãe que não fume, mas esteja exposta ao tabagismo passivo, o bebe tem um risco elevado de nascer com doenças graves.

RI- Pesquisas indicam que 80% dos fumantes desejam parar de fumar, mas apenas 3% conseguem isso sozinho sem um tratamento específico. Para aqueles que necessitam de ajuda, que tipo de tratamento pode ser indicado atualmente? Qual os benefícios que a pessoa tem ao parar de fumar mesmo os tabagistas de muitos anos?

Dr. Spencer – Os benefícios de parar de fumar iniciam quase que imediatamente, mesmo para quem fumou por muitos anos. Já nas primeiras horas sem fumar, há uma redução na pressão arterial, o nível de monóxido de carbono diminui e a oxigenação do sangue aumenta. Nos primeiros dias sentimos uma melhora no olfato e no paladar e o risco de morrer de um infarto diminui. Mesmo para quem fumou por muito tempo, após 5 anos sem fumar o risco de desenvolver um tumor cai pela metade.

O problema é que parar de fumar não é fácil mesmo. Além da dependência física, o gestual do cigarro está incorporado ao dia a dia do fumante. Muitos buscam o primeiro cigarro logo ao acordar. Por isto, quando um paciente procura ajuda para parar de fumar é importante que seja oferecido suporte de uma equipe multidisciplinar. O uso de medicações que reduzem os sintomas da abstinência à nicotina, associado a orientações quanto às mudanças que ocorrem neste período inicial é muito importante para auxiliar o paciente e evitar a recorrência.

 RI- Dados apontam que as doenças respiratórias atingem aproximadamente 16 milhões de brasileiros, com índice de mortalidade que chega a 3 mil pessoas por ano representando um dos maiores problemas de saúde mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde. De que forma, essas doenças acabam afetando a qualidade de vida dos indivíduos? E quais são os cuidados que podemos ter para prevenir as doenças do sistema respiratório?

Dr. Spencer – As doenças do sistema respiratório englobam uma grande quantidade de afecções, que podem ter um curso mais agudo, como no caso das infecções ou serem parte de um quadro mais crônico, como a asma, a bronquite e o enfisema, em que, muitos casos, têm também o tabagismo como causa.

Além de provocarem risco de vida, as afeções respiratórias também são uma grande causa de faltas no trabalho e nas escolas, tendo um impacto econômico importante.

A forma mais eficaz para prevenir as doenças respiratórias é manter a saúde sempre bem-cuidada. No inverno, embora as pessoas tenham menos sede, devem beber bastante líquido para hidratação adequada. Tentar evitar ambientes muito fechados e com muita aglomeração e lembrar de lavar as mãos com frequência também são medidas que ajudam a reduzir as infecções.

RI- Durante o inverno, os indivíduos são mais acometidos pelas doenças respiratórias e pessoas já portadoras de doenças respiratórias crônicas, tais como a asma, a DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) ou a rinite alérgica têm maior tendência a apresentar crises de exacerbação nesta época do ano. Por que em temperaturas mais baixas, essas doenças são mais preponderantes na vida dos indivíduos? E quais são as principais doenças respiratórias que se agravam no inverno?

Dr. Spencer – No inverno, a umidade, mudanças bruscas de temperatura e o resfriamento do ar ressecam mais a mucosa nasal, favorecendo inflamações que abrem as portas para infecções. Junto com isso, a necessidade de convivência em ambientes fechados e com grande número de pessoas facilita a transmissão de micro-organismos. O uso de roupas que ficam muito tempo fechadas no armário também aumenta as rinites provocadas por ácaros.

Os principais agentes causadores de infecções nesta época são os vírus e as bactérias.

Fonte: Revista Integrativa_edição 14  – ANO 04 – Agosto 2016

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Depressão

24 de junho de 2016

Compreender e identificar sintomas é a melhor forma de prevenção. Estudos apontam para um dado preocupante em nossa sociedade atual. 20% da população desenvolverá depressão ao longo da vida e as mulheres são as mais acometidas pelo transtorno.

The beautiful girl with the disappointed look

Tristeza X Depressão

A tristeza é uma emoção normal na vida de todas as pessoas, assim como o medo, a alegria e a raiva. Ela surge como resposta a adversidades e, quando sentida, é possível seguir com a rotina e com os relacionamentos, bem como aproveitar os prazeres da vida. A depressão é a acentuação da tristeza que se une com outros sintomas, causando prejuízos em diferentes âmbitos da vida. O transtorno possui três níveis: leve, moderado e grave; e diferentes subtipos: pós-parto, sazonal, com sintomas psicóticos, entre outros.

 E agora?!

Dependendo do nível de depressão, diferentes tipos de tratamento são oferecidos.

  • Psicoterapia: auxilia o paciente a reestruturar questões que precipitaram o transtorno e a estimula-lo a criar novos hábitos e formas mais adaptativas de interpretar situações.
  • Tratamento Farmacológico (medicação): indispensável em casos graves.

Fique atento a um dado:

  • As mulheres são mais acometidas pela depressão, quando comparadas aos homens. Pesquisam tentam mapear quais são as principais causas para esta diferença e encontram, como fatores importantes, as alterações hormonais que mulheres passam devido aos períodos de menstruação e gravidez.

 Mas quais são as causas da depressão?

A depressão está associada a fatores biopsicossociais, que incluem o estresse e os desafios impostos pela vida diária, podendo ser consequência de causas médicas (como em casos de problemas na tireoide), nutricionais (falta de vitaminas), ainda pode haver influência de uso de medicamentos, álcool e outras drogas. Ou seja, a depressão é multifatorial, é o resultado de um somatório de influências de causas endógenas e exógenas.

 Causas mais comuns:

  • Causas psicossociais:

As influências psicossociais, que incluem estresse imposto pela vida diária, as estratégias para enfrentar as dificuldades e a forma em que as mulheres se veem enquadradas na sociedade, são tópicos da atual investigação em mulheres com depressão. Alguns fatores psicossociais parecem afetar igualmente homens e mulheres. Apesar de ainda não terem surgido respostas definidas, parece que alguns desses fatores psicossociais podem ajudar a explicar por que razão algumas mulheres têm maior predisposição ao desenvolvimento de depressão do que outras.

  • Causas médicas:

Doença tireoidiana, fatores nutricionais (como baixos níveis de vitamina B12, ou por anemia: ferro deficiente).

  • Causas medicamentosas, álcool e outras drogas:

Medicações podem ter a depressão como um efeito colateral.

Sobre álcool, alguns pesquisadores acreditam que o abuso de álcool pode favorecer a manifestação de depressão em indivíduos vulneráveis. Se excessivas quantidades de álcool forem ingeridas em combinação com outras drogas, pode ocorrer uma interação, piorando a depressão ou causando outros efeitos maléficos.

Devo me preocupar?

Marque os sintomas da lista abaixo que você considera que ocorrem com frequência e que lhe causem prejuízo:

(   ) Humor deprimido;

(   ) Perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas;

(   ) Mudança de peso e/ou de apetite;

(   ) Insônia ou hipersonia com frequência;

(   ) Agitação;

(   ) Fadiga;

(   ) Sentimentos de inutilidade ou de culpa;

(   ) Desconcentração ou indecisão;

(   ) Pensamentos de morte.

 

Se você marcou acima de 4 questões ou marcou a última questão, procure auxílio do serviço especializado para realização de uma avaliação mais apropriada.

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Segundo Lucchese (2008) no livro “Desembarcando a tristeza: compreenda a depressão e encontre a felicidade”, há outras manifestações de depressão bastante frequentes observadas na mulher, contudo, pouco faladas: a depressão pós-parto e a depressão pré-menopausa.

Elas estão, de alguma forma, relacionadas com flutuações nos níveis hormonais femininos. A produção de estrógeno parece estar envolvida nessas três condições.

A secreção hormonal da mulher é cíclica – regulando o mecanismo ovulatório e o ciclo menstrual. São essas flutuações que acabam gerando as alterações de estados de humor.

Se no período menstrual a flutuação hormonal favorece a alternância de humor, na menopausa a deficiência de estrógeno determina tendência depressiva mais constante. Todo este processo acaba desenvolvendo a falta da serotonina que é a substância responsável pela produção da sensação de prazer e bem-estar no nosso organismo.

Além disso, existem outras situações que podem estar correlacionadas com o aparecimento da depressão: o envelhecimento, a menor necessidade de cuidado dos filhos (síndrome do ninho vazio), revisão de relacionamento conjugal, etc.

Desta forma, associado aos sintomas da redução hormonal, como os fogachos, a irritabilidade, a insônia, a perda de memória, as modificações na pele, dos órgãos sexuais, das mamas, redução de libido… o resultado disso é uma maior tendência ao desenvolvimento da depressão.

Já a depressão pós-parto origina-se de uma série de fatores, como o estresse na gravidez e do parto, baixos níveis hormonais, depressão prévia, desajustes matrimoniais, etc. No entanto, a maneira como ela se instala no organismo ainda não é muito bem conhecida.

previna-se da depressão

Por Marcela Moraes e Tayse Conter de Moura

Equipe do Centro de Psico-Oncologia da CliniOnco

psicologia@clinionco.com.br

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Editorial Revista Integrativa_edição 13

11 de maio de 2016

mulher

“TODA MULHER PARECE UMA ÁRVORE. NAS CAMADAS MAIS PROFUNDAS DE SUA ALMA ELA ABRIGA RAÍZES VITAIS QUE PUXAM A ENERGIA DAS PROFUNDEZAS PARA CIMA, PARA NUTRIR SUAS FOLHAS, FLORES E FRUTOS.NINGUÉM COMPREENDE DE ONDE UMA MULHER RETIRA TANTA FORÇA, TANTA ESPERANÇA, TANTA VIDA. MESMO QUANDO SÃO CORTADAS, TOLHIDAS, RETALHADAS DE SUAS RAÍZES AINDA NASCEM BROTOS QUE VÃO TRAZER TUDO DE VOLTA À VIDA OUTRA VEZ. ELAS TÊM UM PACTO COM ESSA FONTE MISTERIOSA QUE É A NATUREZA”

CLARISSA PÍNKOLA ESTÉS 

“Parece-me que “recomeço” é o grande aprendizado das mulheres. As “podas”, ao longo da vida, têm se mostrado o efeito propulsor em suas vidas.  Sempre que lançamos um olhar para a história, vemos que o status quo de uma determinada situação feminina, só é assim porque, antes, houve muita luta, desbravamento de fronteiras, quebra de padrões e incorporações de novos paradigmas e, isso chancela a posição da mulher na sociedade atual.

Ainda que em desvantagem em algumas áreas, devido à tradicional hegemonia masculina, ela tem em suas mãos o poder da transformações e recomeços. Com determinação e ao mesmo tempo com suavidade e sutileza que lhe é característico, dotada de inteligência emocional, aos poucos vai transformando o mundo ao seu redor. Observamos que suas ações foram e são definitivas na condução do núcleo familiar, do trabalho e da vida social.  Os acontecimentos que motivaram a definição por uma data especial, o Dia Internacional da Mulher, comprovam a origem e essência desta mulher.  Esta data representada pela luta por melhores condições de vida e trabalho nas fábricas no século XIX e XX e direito ao voto culminou com vigorosos protestos, incêndio e trágico desfecho na vida de uma centena de trabalhadoras na indústria têxtil. Isto mostra o quão forte, qual uma árvore, são as mulheres e quão prodigiosos são seus frutos representados, hoje, pelas conquistas políticas, sociais e de expressão.

No entanto, é na área da saúde que se manifesta tanto o seu lado cuidador quanto a negligência consigo mesma. Assoberbada em dar conta de todos os papéis que lhe impuseram e daqueles que por livre escolha assumiu, sente as consequências. As doenças físicas e emocionais, em sua grande parte, decorrem da sobrecarga de trabalho e “falta” de tempo para dedicar-se ao autocuidado.

Com o intento de chamar a atenção para este universo, tão peculiar e digno de infinitas abordagens, definimos como tema da matéria principal desta edição, A Mulher. A coluna assinada por Flávia Maoli e o artigo da psicóloga Leticia Czepielewski falam da mulher com seus enfrentamentos diante de situações que abalam sua autoestima e dos papéis desempenhados na sociedade. Os temas como Endometriose, doença que afeta 15 milhões de mulheres, A Sexualidade que ganha destaque cada vez mais em nossas vidas e o Câncer com números impactantes de novos casos no mundo e em nosso país, complementam esta pauta.

A revista, com o compromisso de informar sobre assuntos relevantes em saúde com foco na oncologia, traz a participação dos especialistas nas seções de Prevenção, Diagnóstico, Tratamento, Gestão em Saúde e Terapias Complementares. Estas seções, enfocam temas como Câncer de Intestino, Genética e Câncer, o ABC do câncer (1ª matéria de uma série que seguirá nas próximas edições), Tratamento do Câncer em Debate e a Fisioterapia Aplicada ao Câncer de Mama, respectivamente.

A opção em dar novo sentido à vida, após o diagnóstico de câncer de mama, mobilizou a professora e economista, Patrícia Palermo, que em seu depoimento na seção Vidas Ressignificadas, afirma: “Eu faço questão de acordar bem cedo para contemplar e viver”.

Acredito ser este o compromisso de todas nós:

Dizer sim à vida,

… sim ao amor,

…sim ao cuidar-se,

…sim ao reinventar-se,

…sim ao comprometer-se,

…sim ao direito de se fortalecer,

…sim ao direito de colher os frutos,

…sim a arte de nascer todos os dias e brilhar,

…brilhar como o sol em sua plenitude”.

Por Sandra Rodrigues – Diretora Assistencial e Administrativa

REVISTA INTEGRATIVA – Edição quadrimestral – Nº 13 – ANO 04 – Abril 2016

www.clinionco.com.br/revistas

 

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Climatério natural ou induzido: como e quando ocorre

9 de março de 2016

lachende frau bildet rahmen mit den fingern

O período de transição entre a fase reprodutiva e não-reprodutiva da vida feminina é identificado como climatério e caracteriza-se pelo enfraquecimento da função regular dos ovários, que diminuem a produção de hormônios como o estrogênio e progesterona, encerrando o funcionamento, em média, por volta dos 50 anos de idade. Conforme a Organização Mundial da Saúde, este período pode estender-se entre os 40 e os 65 anos.

Os principais sintomas são as repentinas ondas de calor (que ocorrem em virtude de alterações vasomotoras e estão presentes em cerca de 60% a 75% das mulheres) e a falta de desejo sexual. Em geral, os sinais surgem um pouco antes da última menstruação e podem persistir por 2 ou 3 anos. Conforme explica o ginecologista da CliniOnco Geraldo Gomes da Silveira, há formas de amenizar os efeitos do climatério através de uma abordagem adequada para cada caso. “Em torno de 75% das mulheres têm sintomas importantes que podem necessitar de tratamento clínico, onde podemos focar um determinado sintoma específico ou recomendar a terapia hormonal, que terá um efeito mais amplo e deve ter sua prescrição individualizada”, esclarece.

Na avaliação do especialista, o estilo de vida pode ter influência importante em relação às alterações físicas e metabólicas do climatério. “Nessa fase, há tendência de perda de massa óssea e muscular, associada ao aumento da gordura e à diminuição na absorção do cálcio, assim como elevação do risco para doenças cardiovasculares”.

Como formas de prevenção, uma alimentação saudável e rica em proteínas, vitaminas e minerais, especialmente o cálcio, é fundamental. “A atividade física é a principal recomendação para o manejo sistêmico das alterações climatéricas. No entanto, uma avaliação médica antes de iniciar qualquer atividade é obrigatória”, recomenda o ginecologista da CliniOnco.

Em pacientes que fazem tratamento contra o câncer, especialmente a quimioterapia, a fase do climatério pode ser antecipada em razão de alterações no organismo que são induzidas pela ação dos medicamentos, o chamado climatério induzido.

“A radioterapia e a quimioterapia têm como objetivo impedir o crescimento celular. Porém, esses tratamentos não atingem apenas as células malignas, mas as que estão sadias também. Por isso, dentre outros efeitos colaterais, podem levar a uma falência prematura dos ovários”, explica em artigo o médico ginecologista Joji Ueno, Doutorado pela Universidade de São Paulo.

Um estudo realizado em 2010 pela Faculdade de Medicina do ABC, em Santo André (SP), apontou a prevalência de amenorreia (ausência de menstruação) e sintomas de climatério, com falência ovariana, em 84% das pacientes submetidas à quimioterapia em idade fértil. Por isso, a recomendação é sempre informar para as pacientes em tratamento quimioterápico sobre a possibilidade de preservação da fertilidade.