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Acupuntura: uma terapia integrativa e adjuvante nos cuidados oncológicos

8 de junho de 2018

Tapping in acupuncture needle

A acupuntura faz parte do grupo das terapias Integrativas e tem sido citada repetidamente na prática médica como adjuvante nos cuidados oncológicos, devido sua comprovada eficácia em aliviar diversos efeitos colaterais do tratamento antineoplásico.
Um repentino aumento de interesse nessa área iniciou em 1997, em consenso no NIH Conference (National Institutes of Health), após ter sido estabelecida a sua importância como auxiliar no tratamento oncológico.
Vários centros de tratamento de câncer nos Estados Unidos incorporaram a acupuntura como técnica complementar, dentre eles, Dana-Farber Cancer Institute (Boston), Memorial Sloan-Kettering Cancer Center (Nova York) e M.D. Anderson Cancer Center (Houston). No Brasil, o Hospital Albert Eisten já utiliza a técnica em seus protocolos e alguns hospitais públicos também já incluiram o uso em seus serviços. Relatos demonstram que há uma tendência dos pacientes com câncer a procurarem terapias complementares visando a uma melhor qualidade de vida e de tratamento (48% a 83% dos pacientes). No caso da acupuntura, a taxa chega a ser de até 31%.
O seu mecanismo de ação envolve uma resposta do sistema neuroendócrino, atra-vés da estimulação do sistema nervoso periférico e central. No momento em que a agulha penetra na pele, ocorre a liberação de neurotransmissores opioides (como as endorfinas), e de monoaminas (como a serotonina). Estudos com neuroimagem como Ressonância Nuclear magnética funcional (FRNM), PET-CT e Eletroencefalograma (EEG) demonstraram o estímulo de áreas cerebrais específicas com o uso da acupuntura, dentre elas, o sistema límbico, amígdala, hipocampo, hipotálamo, dentre outras; o que explica o seu efeito tão abrangente, inclusive, induzindo a uma sensação de bem-estar e a uma mudança na percepção e tolerância à dor.
No campo da Oncologia, o interesse é crescente, visto que, além do sofrimento gerado pela doença, os efeitos colaterais causados pelo tratamento são de difícil manejo com os medicamentos e técnicas habitualmente empregados.
A acupuntura é altamente recomendável como uma terapia complementar quando a dor é de difícil controle. Numerosos estudos têm comprovado também seu papel no alívio de náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia. Ensaio clínico randomizado demonstraram, em 2000, uma redução significativa desses episódios, comparado com uso isolado de terapia medicamentosa.
Surgiram também evidências da eficácia da acupuntura nos sintomas de neuropatia periférica induzida por quimioterapia, na dor e fadiga relacionadas ao câncer, na xerostomia induzida pela radioterapia e nas dores articulares e musculares induzidas por inibidores da aromatase.
Recentemente, em dezembro de 2017, no congresso de San Antonio, no Texas (San Antonio Breast Cancer Symposium- SABS), foram apresentados resultados muito positivos, de um ensaio clínico randomizado, no alívio das dores articulares (artralgias) em pacientes em tratamento para o câncer de mama, hormônio positivo, com inibidores de aromatase. Participaram do estudo 226 pacientes em estágio inicial, pós-menopáusicas. O estudo foi conduzido por 11 centros de tratamento oncológico nos Estados Unidos. A conclusão desse estudo foi que a acupuntura reduz significativamente a dor articular causada pelos inibidores da aromatase, dentre eles: anastrozole, letrozole e examestane.
Constata-se, ainda, o aumento no número de estudos para o tratamento da leucopenia/neutropenia induzida por quimioterapia. Em 2014, um estudo piloto, conduzido por Pais I. e colaboradores, demonstrou que a acupuntura pode estimular a imuni-dade antineoplásica, promover efeito mieloprotetor, melhorar o estado emocional e a qualidade de vida e, ainda, minimizar os efeitos da quimioterapia. Com a acupuntura, haveria a ativação de diferentes mecanismos incluindo macrófagos, neutrófilos, estimulação de células natural killer (NK) e linfócitos e produção de imunoglobulinas.
O uso da acupuntura também está descrito no tratamento de sintomas muito comuns na rotina oncológica como: sintomas vasomotores (foga-chos), insônia, ansiedade e depressão.
A acupuntura é um tratamento seguro, quando realizado por profissionais qualificados. Não há contraindicação para sua aplicação durante o curso da quimioterapia, desde que respeitadas as normas de biossegurança, com o uso de agulhas descartáveis e antissepsia adequada. Os efeitos adversos são raros e podem incluir: equimoses ou hematomas leves (as agulhas são ultrafinas), dor no local ou dor irradiada no trajeto de um nervo com sensação de dormência, hiperemia e prurido temporários na região agulhada. Cada aplicação dura, em média, vinte minutos. O ideal é que o tratamento seja mantido por, no mínimo, 4 a 6 semanas. Alguns sintomas requerem mais tempo para a adequada manutenção. Em muitos casos sua utilização pode diminuir a necessidade de medicamentos ou o efeito colateral dos mesmos.
No cenário atual, onde se busca cada vez mais uma Medicina Integrativa, visando a minimizar a dor e o sofrimento durante o tratamento oncológico, a Acupuntura vem para somar, visto que auxilia na redução dos para efeitos e melhora a qualidade de vida dos pacientes.

Por Dra. Luciane Poletto Antunes – CRM – 26.942
Médica Mastologista e Especialista em Acupuntura
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