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Depoimento Flávia Maoli

12 de setembro de 2016

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“Nem sempre o linfoma se manifesta com os sinais clássicos: suor noturno, perda de peso sem motivo, coceira pelo corpo, febre…

No meu caso foi assim: em agosto de 2010 comecei a ter diarreia diariamente – e aí fui consultar com gastro para ver se era intolerância à lactose, glúten, glicose… todos os exames davam negativos. Logo depois, comecei a ter uma reação alérgica cada vez que ingeria bebidas alcoólicas: sentia dormência nos braços, taquicardia, ficava ansiosa. Até que, em dezembro de 2010, surgiu um carocinho no pescoço, do tamanho de uma azeitona, logo acima da clavícula.

Preocupada, consultei com uma endocrinologista para ver se não era algo na tireoide. Ela prontamente me encaminhou a um cirurgião de cabeça e pescoço, que foi direto ao assunto: acreditava ser um Linfoma ou um Osteossarcoma. Dois dias depois da consulta, eu já estava com o diagnóstico: Linfoma de Hodgkin com esclerose nodular. Foi tudo muito rápido – em menos de duas semanas já estava iniciando a quimioterapia.

Isso era janeiro de 2011, eu tinha 23 anos e estava cursando Arquitetura e Urbanismo. O prognóstico era favorável, as quimioterapias eram relativamente brandas (não precisava internar, fazia a aplicação em 2 horas apenas) e, com tudo jogando a meu favor, decidi seguir na faculdade. Essa atitude foi fundamental para o meu bem-estar, pois manter minha vida social com meus colegas me deixava confiante de que era apenas uma fase e logo eu estaria bem novamente. No total, fiz 16 quimioterapias (ABVD) e 20 sessões de radioterapia. Finalizei meu tratamento em dezembro do mesmo ano.

O ano seguinte (2012) foi de pura alegria: eu estava aproveitando a vida mais do que nunca – e até demais! Por ter chances elevadas de cura e dois exames sem indício de doença, fiquei super confiante e acabei me descuidando. Comecei a dormir pouco por causa dos trabalhos da faculdade, relaxei em relação à atividade física, não me alimentei adequadamente, fiquei com a imunidade baixa e acabei pegando resfriados… bem, se isso foi um fator decisivo é difícil de dizer, mas o fato é que em janeiro de 2013 o que eu mais temia aconteceu: um exame apontou uma recidiva.

Dessa vez, o tratamento foi feito em duas etapas: uma quimioterapia de resgate (para acabar com o tumor existente) seguida de um transplante autólogo de medula óssea. Essa quimioterapia era bem mais forte do que a do tratamento primário – e seus efeitos colaterais também. Meu cabelo caiu rapidamente, fiquei neutropenica com certa frequência e me sentia exausta. Foram 4 sessões – duas com o protocolo ICE e duas com o GEMOX.

Na semana em que descobri a recidiva, tinha feito minha matrícula para o trabalho final da faculdade. Fiquei em dúvida se tentava fazer o projeto ou se trancava e deixava o sonho de me formar para depois do transplante. Resolvi arriscar e ir intercalando a quimioterapia com o desenvolvimento do meu projeto final de graduação. Com a ajuda e apoio dos meus amigos da faculdade, finalizei meus estudos com nota A – e pude participar da cerimônia de formatura! Não tenho dúvidas de que conseguir concretizar esse sonho me deu ainda mais força para encarar o transplante! Dezoito dias depois da cerimônia de formatura, internei para fazer o transplante de medula óssea.

Ao todo, foram 27 dias internada no hospital – sendo 13 em isolamento absoluto. Tive sorte de poder usar minha própria medula e não depender de doador. A fase do transplante foi de muito desafio físico e emocional, mas também de muito aprendizado. Tive que esquecer um pouco de toda minha vida fora “da bolha” e focar apenas em fazer meu tratamento e estar no momento presente. Uma coisa que me ajudou muito era pensar que todos os efeitos colaterais que eu sentia eram parte da minha cura – e me sentir indisposta não significava que eu estivesse doente, apenas fazia parte do processo do transplante.

Saí do hospital no final de outubro de 2013 – e fui recuperando minha saúde e vigor físico aos pouquinhos. Ainda precisei fazer 6 aplicações de Brentuximab para conseguir ter meus exames zerados – esse tratamento durou de maio a setembro de 2014.

Desde então, faço apenas exames clínicos e de sangue – e minha saúde está cada vez melhor! Em outubro completarei 3 anos de medula nova – e fico muito feliz por ver que o Linfoma ficou para trás e me deixou tantos aprendizados. Não tenho dúvida de que, se não fosse toda essa experiência com o câncer, eu não seria a pessoa que sou hoje.”

Depoimento de Flávia Magalhães de Oliveira

*Diagnosticada com Linfoma de Hodgkin em 2011

*Diretora da ONG Projeto Camaleão

*Criadora do Blog Além do Cabelo

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