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Linfomas: Saiba mais sobre essa doença

12 de setembro de 2014

Cyntia-ZadraA médica onco-hematologista do Centro Linfoma, Mieloma e Leucemia da CliniOnco, Cyntia Zadra, esclarece algumas questões pontuais sobre os linfomas na entrevista a seguir:

 

RI – QUAL A DIFERENÇA ENTRE LEUCEMIAS E LINFOMAS?

Dra.Cyntia Zadra – As leucemias são um grupo de neoplasias malignas (câncer) derivadas das células hematopoiéticas (células do sangue), essa doença inicia na medula óssea, local onde as células do sangue são fabricadas. Podem ser agudas ou crônicas e, dependendo das suas características, é definido o tipo de tratamento.

Já os linfomas são um grupo de neoplasias malignas que se originam do tecido linfóide, mais comumente os linfonodos, que são parte de sistema imune, local de fabricação dos anticorpos.

Existem basicamente dois tipos de linfócitos: células B e células T, ambos tem como função reconhecer e combater infecções e células anormais. O linfoma ocorre quando os linfócitos B ou T se transformam e começam a crescer e se multiplicar de forma descontrolada.

RI – COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DOS LINFOMAS?

Dra.Cyntia Zadra – O diagnóstico é feito a partir de uma biópsia, comumente de linfonodo ou do tecido comprometido. O material coletado é encaminhado ao médico patologista para a realização de anatomopatológico (classificação microscópica) e, muitas vezes, outros exames, como a imuno-histoquímica, são necessários para definir o tipo e o subtipo.

É necessária a realização de outros exames para o estadiamento da doença (definir a extensão). Normalmente, são realizados exames de sangue, tomografias, PET –CT e biópsia de medula óssea.

Existem dois grandes grupos, definidos pela avaliação histológica (microscópica):

LINFOMA DE HODGKIN (LH) – existem seis subtipos nesse grupo;

LINFOMA NÃO HODGKIN (LNH)– existem mais de sessenta tipos nesta classificação.

Como há diversos tipos de linfomas, com variados tratamentos, é de fundamental importância a adequada avaliação pelo patologista, profissional que dá o diagnóstico do linfoma e do subtipo. Somente depois dessa criteriosa e difícil avaliação e da realização do estadiamento, poderá ser definida a conduta de tratamento.

RI – EXISTE UMA CAUSA ESPECÍFICA PARA O SURGIMENTO DA DOENÇA?

Dra.Cyntia Zadra – O câncer é resultado de um crescimento descontrolado de um tipo de célula. As células normais têm sua morte programada – a chamada “apoptose”, porém, nos tumores esse processo é quebrado, ou seja, a célula cresce, se divide de forma desordenada e não morre no tempo certo.

Não se sabe as causas dos linfomas , mas existem alguns fatores de risco: a genética – existem algumas mutações genéticas que predispõem ao linfoma; a carcinogênese – são substâncias que são capazes de danificar o nosso DNA, como certos pesticidas , herbicidas, solventes como benzeno, bem como  radioterapia e alguns quimioterápicos; a idade – o risco de LNH aumenta com a idade, o LH tem como pico de incidência dos 16-34 e 55 anos; outras condições médicas – associação com HIV, HTLV, Epstein-Barr vírus, Helicobacter pylori, hepatites B e C, doenças auto imunes (como lúpus)  e  doenças que requerem tratamentos imunos supressores, como transplantes.

RI – COMO É REALIZADO O TRATAMENTO?

Dra.Cyntia Zadra  – O tratamento do linfoma depende do tipo, estadiamento (extensão da doença), idade e da condição clínica do paciente. O Linfoma de Hodgkin é tratado com radioterapia ou quimioterapia ou ainda a associação dos dois tratamentos, dependendo do estadiamento da doença.  A cura chega a 75% e, em jovens, até 90% dos casos. O Linfoma não Hodgkin é dividido para fins de tratamentos nos linfomas de alto grau (aqueles de rápido crescimento) e linfomas de baixo grau ou indolentes (de crescimento mais lento), linfomas T ou B.

Os linfomas de baixo grau por crescerem lentamente nem sempre necessitam de tratamento inicial, muitas vezes, podem ser apenas acompanhados com consultas e exames regulares, o chamado “watch and wait”, até definir o melhor momento para iniciar o tratamento.                                                                                                                                Quando necessitam tratamento, pode ser realizada radioterapia ou quimioterapia ou, muitas vezes, tratamentos específicos, denominados tratamentos-alvo, como os anticorpos monoclonais ou “radioimunoterapia” (drogas que carregam substâncias radioativas, cujo alvo são as células do linfoma). Esses linfomas usualmente não são curáveis, mas os pacientes vivem muitos anos, com excelente qualidade de vida, desde que com o tratamento e acompanhamento adequados.

Os linfomas de alto grau, por crescerem rapidamente, sempre requerem tratamento, que é baseado em quimioterapia.  Em alguns casos, pode haver necessidade de radioterapia. São doenças potencialmente curáveis com tratamentos adequados.

 

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  1. Reblogged this on Nossa vida de cada dia….



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