h1

Persistir fumando eleva o risco de câncer mesmo após cirurgia

29 de agosto de 2014

cigarroPneumologista alerta para as chances de reincidência de tumores e de doenças pulmonares em pacientes que permanecem fumando após o tratamento cirúrgico

 

O câncer de pulmão é, sem dúvida, a consequência mais temível associada ao cigarro. Estima-se que 90% dos casos desse tipo de tumor ocorram em pacientes fumantes.  Uma pesquisa publicada pela “Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention”, revista da Associação Americana para Pesquisa de Câncer, revelou que 10% dos americanos sobreviventes aos tumores de pulmão permanecem fumando.

Segundo a médica pneumologista do Centro de Câncer de Pulmão e da Unidade de Combate ao Tabagismo da CliniOnco, Beatriz Gehm Moraes, o que explica essa porcentagem de pessoas que não conseguem parar de fumar é o fato de o tabagismo não ser um hábito e sim, um vício, uma doença. “Os fumantes em tratamento para câncer de pulmão que continuam fumando podem ter várias complicações com os tratamentos de quimioterapia e radioterapia, pois ocorre redução da imunidade e o cigarro pode aumentar os efeitos colaterais da quimioterapia, potencializar o risco de infecções respiratórias e aumentar as chances de toxicidade pela radioterapia”, alerta a especialista.

Os pacientes fumantes também apresentam retardo na cicatrização, sendo desfavorável em casos cirúrgicos, além de provocar aumento da secreção respiratória no período de pós-operatório, promovendo infecções respiratórias que podem comprometer o resultado da cirurgia. No início do século XX, quando a epidemia do cigarro ainda não tinha se disseminado, o câncer de pulmão era uma enfermidade raríssima. Atualmente, é um dos tumores que mais mata homens e que mais cresce nas incidências entre mulheres, que se tornam cada vez mais dependentes da nicotina.

Beatriz ressalta que persistir fumando após a cirurgia para retirada de um câncer de pulmão pode provocar ainda outras complicações no órgão como o desenvolvimento de doenças tabaco-relacionadas, o que é o caso da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). “Além dos problemas já citados, o paciente pode desenvolver novos tumores de pulmão, novas mutações celulares, pois o fator agressor, indutor das mutações, o cigarro, continuaria presente agredindo as células”, acrescenta a médica.

Nos casos de dependentes que se recusam a abandonar o vício após a cirurgia é importante um acompanhamento cognitivo-comportamental com auxílio medicamentoso. O paciente deve mudar seu comportamento, através de um planejamento prévio com auxílio de um médico ou de um psicólogo. “Se o indivíduo tomava café preto pela manhã com cigarro, por exemplo, ele deve modificar esse hábito. Deve ingerir outras bebidas como suco de laranja ou leite com achocolatado para não acionar o ‘gatilho’ da vontade de fumar, que estaria associada ao café preto. Não é um processo fácil, mas com paciência, perseverança, auxílio da família e dos amigos, é possível abandonar esse vício”, finaliza Beatriz.

As alternativas de tratamento medicamentoso podem ser a reposição de nicotina, através de adesivo transdérmico ou goma de mascar e uso de outras medicações não nicotínicas, como antidepressivos e ansiolíticos seguindo prescrição médica conforme a necessidade de cada paciente.

 

Consequências perigosas

A fumaça do cigarro contém 4.720 substâncias nocivas ao organismo. Quando tragada, a fumaça entra pelos brônquios e se distribui no interior do pulmão até alcançar os alvéolos, onde se deposita toda a sujeira que ali permanece impregnada. Durante as cirurgias, é possível retirar pedaços de grafite dos brônquios impregnados pela ação do tabaco.

Conforme dados do Instituto Nacional de Câncer, o tabagismo é a principal causa de câncer evitável no mundo. Ao queimar o cigarro, as consequências são sentidas não apenas por quem fuma, mas também pelas pessoas próximas ao fumante. Cerca de 90% dos casos de câncer de pulmão têm o cigarro como agente responsável, os 10% restantes decorrem do fumo passivo e de outros fatores. O tabagismo também é o responsável por 30% da ocorrência de outros tipos de câncer, como os de boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo de útero e leucemia.  Do total das substâncias nocivas presentes no cigarro, 400 delas são altamente cancerígenas. Algumas, como o benzeno, estão diretamente ligadas ao câncer de fígado e à leucemia. Já o alcatrão está diretamente relacionado aos cânceres de pulmão, vias aéreas, brônquios e bexiga.

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: