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Especialista da Clinionco esclarece questões sobre o câncer de intestino

14 de março de 2013

O mês de março é dedicado pela classe médica brasileira à conscientização sobre o câncer de intestino. Nessa equipes-064entrevista especial para os leitores desse espaço, o médico proctologista e Coordenador do Centro de Prevenção do Câncer da Clinionco, Dr.Rafael Castilho Pinto, esclarece sobre as principais questões relacionadas ao surgimento da doença, fatores de risco e crescimento do número de ocorrências no país. Confira a seguir.

  • Como podemos classificar os fatores de risco em ordem de prioridade para a prevenção dessa neoplasia?

Talvez o fator mais importante no aumento de casos de câncer de intestino seja a mudança na alimentação ocorrida nas últimas décadas, onde alimentos industrializados e processados, com excesso de carboidratos, gordura, açúcar e aditivos químicos substituíram uma dieta mais natural, com predominância de frutas verduras e alimentos frescos.

A obesidade veio também associada a essa mudança de alimentação, mas também tem grande influência o estilo de vida mais sedentário da população. Hoje, a atividade física regular já é considerada um fator essencial na prevenção do câncer do intestino.

O histórico familiar também é um fator de risco significativo no desenvolvimento dos tumores do intestino, principalmente quando se fala em pessoas mais jovens, os tumores onde os fatores genéticos são mais presentes costumam aparecer antes dos 50 anos e uma atenção especial em termos de prevenção deve ser prestada a essas familias.

A outra prioridade é o incentivo a população em realizar consultas e exames preventivos. O câncer de intestino é um dos quais a prevenção pode ser mais efetiva, pois podemos encontrar as lesões pré-malignas (pólipos) anos antes de se transformarem em câncer. Mas, para isso, o acesso a exames como a colonoscopia deveria ser muito mais amplo no país e o investimento muito maior em campanhas de prevenção efetivas para esse tipo de tumor

 * 

  • Comparando as duas estimativas mais recentes do INCA, houve aumento na média de 7% no volume de ocorrências no país em 2012. Esse percentual está dentro da normalidade ou indica uma espécie de “sinal amarelo”?

A tendência mundial é que, nos países onde um sistema de prevenção de câncer efetivo não for implantado, o crescimento da incidência dos tumores do intestino continue a crescer. Na maioria dos países ocidentais, este é o segundo ou terceiro tipo de câncer mais comum na população. Sendo assim, o que preocupa realmente é que esse crescimento dos índices de incidência do câncer de intestino não vem acompanhado de atitudes e projetos efetivos de prevenção por parte das autoridades de saúde. Esse atraso pode levar a números alarmantes em relação ao câncer de intestino. Cabe salientar que essa neoplasia vem se destacando pelos ótimos resultados em diminuir a incidência e a mortalidade nos países onde campanhas de prevenção efetivas foram implantadas, como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, França, entre outros. Isso se deve a possibilidade de diagnosticar lesões pré cancerosas no intestino, os pólipos, que além de poderem ser detectadas antes do aparecimento dos tumores, podem ser removidas através de exames, como a colonoscopia. Temos a necessidade urgente de começarmos uma ação massiva orientando a população em geral a consultar e fazer exames preventivos a partir dos 50 anos de idade e, naquelas pessoas pertencentes a grupos de maior risco, com história familiar de câncer intestinal ou pólipos, já a partir dos 40 anos o início da prevenção é recomendado.

* Entre as mulheres, o câncer colorretal é considerado o segundo tipo mais comum. Os dados mais recentes do INCA prevêem 7,8% de acréscimo entre as mulheres contra 6,5% entre os homens. Por que a neoplasia é mais recorrente no sexo feminino?

Na verdade, a distribuição não tem uma grande variação entre os sexos, mas o que se vê nas últimas décadas é que as mulheres apresentam cada vez mais doenças que no passado eram mais frequentes nos homens. Provavelmente, a mudança dos hábitos de vida das mulheres ocorrida nesse período levou-as a desenvolverem problemas até então mais comuns nos homens. Esse fator teve contribuição importante para o crescimento dos casos nas últimas décadas. Por outro lado, as mulheres costumam ser mais propensas a aderirem às campanhas de prevenção, o que poderia ser um trunfo no combate ao câncer de intestino se essas campanhas forem implementadas em nível populacional. Nesse sentido, a participação dos ginecologistas como incentivadores da necessidade de prevenção seria essencial.

* O número de casos é proporcional à expectativa de vida da população. Até que ponto deve haver preocupação com o câncer de intestino antes dos 40 anos de idade?

Os tumores de intestino que ocorrem abaixo dos 40 anos muitas vezes têm uma alteração genética envolvida, por isso a avaliação da história familiar é essencial para programar nesses casos os exames preventivos dos familiares mais próximos.

* Qual a relação direta entre o tabagismo é a pré-disposição para desenvolver a doença?

O cigarro é um dos mais potentes e mais comuns carcinógenos conhecidos. No intestino, praticamente dobra o risco de câncer, principalmente no reto. A erradicação do tabagismo é um pilar fundamental para o combate ao câncer no mundo.

* Qual a relação entre o consumo de embutidos e carne vermelha com o câncer de intestino?

A carne vermelha sempre é alvo de controvérsia quando se fala em risco de câncer. Vários estudos têm demonstrado que o excesso de carne vermelha teria uma ação carcinogênica nas células da mucosa do intestino grosso. Também se cogita que o processo de cozimento a altas temperaturas, como o churrasco, poderia trazer fatores associados a liberação de substâncias tóxicas na queima das proteínas da carne em altas temperaturas. Já a relação das carnes processadas e dos embutidos tem sido bem comprovada onde o excesso de nitritos seria um fator de aumento das transformações carcinogênicas na mucosa intestinal. Hoje em dia, a recomendação da Organização Mundial da Saúde seria limitar o consumo de carne vermelha a 500 g por semana, porém há muito que ser estudado nessa área e as pesquisas que vêm sendo conduzidas atualmente poderão nos dar mais dados em relação aos riscos e benefícios do consumo da carne vermelha.

* O sistema público está preparado para o diagnóstico precoce, já que a descoberta tardia diminui consideravelmente as chances de cura?

Atualmente o diagnóstico do câncer de intestino representa um problema para o sistema de saúde do país e a estrutura atual ainda não contempla ações suficientes capazes de primar pela prevenção. A colonoscopia, que tem papel essencial na detecção dos pólipos do intestino e no diagnóstico precoce dos tumores, é um exame do qual a população que depende da rede pública pode esperar mais de ano para realizá-lo. O investimento em ações preventivas por parte do poder público ainda é baixo para que se possa mudar a tendência de crescimento do câncer de intestino a curto e médio prazo.

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One comment

  1. Muito bom o post! Achei esse aqui também que da umas informações a mais sobre câncer de intestino. Vale conferir!
    http://publivida.org.br/outros/casos-de-cancer-no-intestino-crescem-30/



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