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Tricô do Bem

18 de julho de 2012

Ela aprendeu a tricotar quando ainda era uma criança. Antes de completar 10 anos de idade, Suzi Musse já se aventurava por entre lãs e agulhas fazendo arte por onde passava.

– Sou da época que se fazia artes manuais no colégio e sempre tricotei minhas roupas. Adoro tudo que envolve artesanato. Envolvi-me com várias artes e já passei por muitas fases, mas o tricô sempre esteve presente entre todas – afirma.

Buscando receitas de novos pontos e técnicas, Suzi conheceu os blogs da internet e em seguida, as listas de tricô. Como num fórum de perguntas e respostas, as dúvidas publicadas por uma eram respondidas por outras. Assim foi se formando uma rede colaborativa e Suzi se deu conta de quanta gente procurava meios de trocar informações sobre o tricô.

Dos fóruns de internet, elas passaram aos encontros presenciais:

– No começo, éramos bem poucas. Às vezes eram 3, outras 5, mas não passava de 6 ou 7 pessoas nos encontros reais – comenta.

Notando que a integração entre as participantes aumentava, começaram a pensar em um nome para o grupo, que desde o final do ano passado se chama Tricô Tchê. Elas se encontram mensalmente e garantem que a troca de energia positiva é o principal combustível para essa mobilização. Juntas, elas trocam receitas, informações, brincam, batem papo e tricotam, claro.

– Nesta hora, os problemas ficam do lado de fora e a tarde é só da gente; saímos de alma lavada – resume Suzi.

E essa sensação parece ser a mesma para as demais integrantes que terminam o encontro já perguntando quando será o próximo. Muitas integrantes moram longe e lamentam não poder se reunir com as demais. Para elas, toda a atenção é dada via internet e as gurias do Tricô Tchê acabam ficando em frente ao computador por muito mais tempo do que haviam planejado.

Junto com a identidade do grupo, veio a necessidade de um engajamento em causas sociais. Notando que, juntas, elas conseguiam se ajudar mutuamente, consideraram a possibilidade de contribuir com nichos da sociedade, com pessoas carentes de recursos. Muitas delas já participavam de campanhas em outras cidades, enviando suas peças para ajudar em doações. Decidiram, então, colocar em prática a sua primeira campanha: Tricô Tchê para um idoso. Mesmo com receio de não alcançar a meta estabelecida, foram em busca de doações de 125 pares de meias e sapatinhos de tricô e crochê. As doações seriam revertidas para um asilo da Capital, mas com o sucesso inesperado da campanha, conseguiram donativos suficientes para distribuir em três instituições diferentes.

– Conseguimos juntar mais de 250 pares.  Recebemos doações do Brasil inteiro, foi uma campanha de grande sucesso – comemora.

A segunda campanha – Tricô Tchê para um recomeço – está sendo encerrada e já conseguiu mais de 200 toucas que estão sendo doadas para pacientes oncológicos. Essa grande aderência entusiasma as participantes que ainda não escolheram o nome da próxima campanha, mas já estão se mobilizando para reunir mantas, xales e colchas para moradores de asilos e albergues de Porto Alegre.

A satisfação de ver aquelas peças, que nasceram do trabalho de suas mãos, sendo recebidas com tanta alegria por pessoas desconhecidas, é prova de que toda essa mobilização vale a pena. Isso fica evidente no entusiasmo com o qual Suzi fala sobre o Tricô Tchê e se torna impossível saber quem se beneficia mais de tudo isso, se as próprias integrantes do grupo ou as pessoas que recebem as suas doações. Nosso palpite: ambos.

 

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One comment

  1. nosso o trabalho de vcs e lindo que DEUS lhes abençoe sempre bjssss
    zilda regina mineira de BH



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