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15 de setembro: Dia Internacional de Conscientização sobre Linfomas

15 de setembro de 2016

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Hoje é o Dia Internacional de Conscientização sobre Linfomas – e aproveito a data para falar um pouco mais sobre essa doença, com a qual tenho convivido há mais de 5 anos.

O Linfoma é o tipo de câncer cuja incidência mais aumentou nos últimos 20 anos – para ser mais específica, o número de casos de Linfomas dobrou em duas décadas. Apesar de ser um câncer com altas chances de cura, estima-se que 70% da população ainda desconheça os sintomas da doença, o que dificulta o diagnóstico precoce. Além disso, muitas pessoas nem mesmo sabem que Linfoma é câncer!

Os principais sintomas do Linfoma são: sudorese noturna (de molhar a roupa e os lençóis), febre de origem desconhecida, aumento de gânglios nas axilas, pescoço ou virilhas, perda de peso sem motivo aparente e coceira pelo corpo. Além disso, uma porcentagem muito baixa de pacientes alega ter reação alérgica ao consumir bebidas alcoólicas (pois as células tumorais reagem com o álcool). Esse foi meu caso: não tive nenhum sintoma, exceto a alergia ao álcool e um pequeno carocinho (do tamanho de uma azeitona) logo acima da clavícula.

Assim como todos os outros tipos de câncer, se tratando de Linfomas, o diagnóstico precoce é fundamental para se obter sucesso no tratamento. Por isso, mantenha hábitos de vida saudáveis e fique atento aos sinais que seu corpo dá: faça o autoexame, apalpando e conhecendo seu corpo, para saber identificar se algo estiver diferente. E não hesite em procurar ajuda médica – quanto antes você souber o que está acontecendo, melhor.

Para quem está enfrentando o Sr. Linfoma, fica aqui meu exemplo: eu sei que a fase de tratamento custa a passar e parece infinita, mas acredite – ela passa! Eu encarei o Hodgkin duas vezes e, esse ano, estou completando três anos livre dele! Foi fácil? Não, não foi. Mas faz parte de quem eu sou, e sou muito grata por tudo que aprendi e por todos que conheci por causa desse diagnóstico. Acredite que logo será sua vez de dizer: Eu tive Linfoma!

 

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Como surgiu o Projeto Camaleão?

14 de setembro de 2016

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No final de 2013, já transplantada e com o blog fluindo à mil, meu maior sonho era poder encontrar as leitoras do blog, com quem eu trocava tantas mensagens de apoio e carinho. E foi aí que o Leon Golendziner e o Bruno Kautz entraram na história.

Nós três temos amigos em comum – e, algum dia, um desses amigos compartilhou um post do blog. Nessa mesma época, o Bruno e o Leon estavam motivados a se envolver em algum tipo de projeto social. Quando viram o Além do Cabelo, decidiram vir conversar e me oferecer ajuda de alguma forma.

Expliquei a eles que eu queria montar um evento para poder encontrar essas leitoras e dar dicas ao vivo – numa espécie de “aula prática” do Além do Cabelo. Decidimos então montar um evento chamado Projeto Camaleão – Autoestima contra o câncer, cujo objetivo era fazer com que as participantes pudessem experimentar novas versões de si mesma e receber dicas de profissionais da beleza, numa espécie de feira de autoestima. Para custear o evento, optamos por fazer um financiamento coletivo (crowdfunding), o que nos deu a chance de espalhar a notícia através das redes sociais e atingir mais pessoas – tivemos um total de 274 apoiadores.

O evento aconteceu no dia 26 de julho de 2013 – e foi um sucesso! Tivemos 35 participantes, que saíram encantadas com a ideia do projeto – e nós também! Decidimos que não queríamos parar por ali, e começamos a ir atrás de apoio para fazer novas edições. Em dois anos, realizamos 8 edições da Feira de Autoestima, atendendo diretamente mais de 200 mulheres – e organizamos duas edições do Natalenço, arrecadando e distribuindo mais de 6 mil lenços.

Em 2016, o Projeto Camaleão tornou-se ONG- e atualmente ocupo o cargo de Diretora Presidente com muito orgulho! Em outubro, estaremos lançando o Calendário 2017 – com fotografias de 13 modelos que participaram de edições do projeto – cuja renda será destinada para a criação da sede física. Com isso, esperamos em 2017 conseguir realizar um trabalho mais contínuo e amplo, atendendo mais pessoas das mais variadas formas: grupos de apoio, oficinas e cursos. Não tenho dúvidas de que o melhor ainda está por vir!

Para acompanhar os eventos e novidades do projeto, curta a página no Facebook: Projeto Camaleão.

 

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Como surgiu o Blog Além do Cabelo

13 de setembro de 2016

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Em 2011, quando fui diagnosticada pela primeira vez com Linfoma de Hodgkin, busquei na internet sites e blogs que dessem dicas de beleza e cuidados durante o tratamento. Como não encontrei nenhum material que se encaixasse no que procurava, fui aprendendo sozinha alguns truques para me sentir mais bonita nessa fase.

No início de 2013, a equipe multidisciplinar da CliniOnco me convidou para dividir minha experiência com o câncer – e, claro, dicas e truques para as pacientes que estavam em tratamento. Aceitei na hora o convite! Resolvemos criar uma cartilha ilustrada – e, quando sentei para escrever minhas dicas, não conseguia mais parar! Queria colocar tudo que sabia naquele material, queria fazer meu melhor – e percebi que, talvez, um site ou blog fosse mais dinâmico para compartilhar conteúdos.

Lançamos a cartilha em março, e no mesmo mês descobri que estava com câncer novamente. Foi então que decidi começar o blog, mas ainda não sabia qual nome dar. Com a notícia da recidiva, muitos amigos lamentaram que eu iria perder meu cabelo pela segunda vez. Em uma dessas conversas, respondi: “Não é só o cabelo, muita coisa além do cabelo se modifica durante o tratamento!” Além do cabelo – gostei desse nome!

Iniciei o blog no dia 20 de maio de 2013 e nunca mais parei de escrever. A ideia, desde o início, era criar um portal de conteúdo de entretenimento, beleza e bem-estar para quem está em tratamento contra o câncer. Sem ser um diário, sem ser um site técnico sobre câncer, sem dramas.

O que começou como passatempo durante o tratamento, hoje é profissão. Amo o que faço não troco por nada!

Acesse o blog: alemdocabelo.com

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Depoimento Flávia Maoli

12 de setembro de 2016

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“Nem sempre o linfoma se manifesta com os sinais clássicos: suor noturno, perda de peso sem motivo, coceira pelo corpo, febre…

No meu caso foi assim: em agosto de 2010 comecei a ter diarreia diariamente – e aí fui consultar com gastro para ver se era intolerância à lactose, glúten, glicose… todos os exames davam negativos. Logo depois, comecei a ter uma reação alérgica cada vez que ingeria bebidas alcoólicas: sentia dormência nos braços, taquicardia, ficava ansiosa. Até que, em dezembro de 2010, surgiu um carocinho no pescoço, do tamanho de uma azeitona, logo acima da clavícula.

Preocupada, consultei com uma endocrinologista para ver se não era algo na tireoide. Ela prontamente me encaminhou a um cirurgião de cabeça e pescoço, que foi direto ao assunto: acreditava ser um Linfoma ou um Osteossarcoma. Dois dias depois da consulta, eu já estava com o diagnóstico: Linfoma de Hodgkin com esclerose nodular. Foi tudo muito rápido – em menos de duas semanas já estava iniciando a quimioterapia.

Isso era janeiro de 2011, eu tinha 23 anos e estava cursando Arquitetura e Urbanismo. O prognóstico era favorável, as quimioterapias eram relativamente brandas (não precisava internar, fazia a aplicação em 2 horas apenas) e, com tudo jogando a meu favor, decidi seguir na faculdade. Essa atitude foi fundamental para o meu bem-estar, pois manter minha vida social com meus colegas me deixava confiante de que era apenas uma fase e logo eu estaria bem novamente. No total, fiz 16 quimioterapias (ABVD) e 20 sessões de radioterapia. Finalizei meu tratamento em dezembro do mesmo ano.

O ano seguinte (2012) foi de pura alegria: eu estava aproveitando a vida mais do que nunca – e até demais! Por ter chances elevadas de cura e dois exames sem indício de doença, fiquei super confiante e acabei me descuidando. Comecei a dormir pouco por causa dos trabalhos da faculdade, relaxei em relação à atividade física, não me alimentei adequadamente, fiquei com a imunidade baixa e acabei pegando resfriados… bem, se isso foi um fator decisivo é difícil de dizer, mas o fato é que em janeiro de 2013 o que eu mais temia aconteceu: um exame apontou uma recidiva.

Dessa vez, o tratamento foi feito em duas etapas: uma quimioterapia de resgate (para acabar com o tumor existente) seguida de um transplante autólogo de medula óssea. Essa quimioterapia era bem mais forte do que a do tratamento primário – e seus efeitos colaterais também. Meu cabelo caiu rapidamente, fiquei neutropenica com certa frequência e me sentia exausta. Foram 4 sessões – duas com o protocolo ICE e duas com o GEMOX.

Na semana em que descobri a recidiva, tinha feito minha matrícula para o trabalho final da faculdade. Fiquei em dúvida se tentava fazer o projeto ou se trancava e deixava o sonho de me formar para depois do transplante. Resolvi arriscar e ir intercalando a quimioterapia com o desenvolvimento do meu projeto final de graduação. Com a ajuda e apoio dos meus amigos da faculdade, finalizei meus estudos com nota A – e pude participar da cerimônia de formatura! Não tenho dúvidas de que conseguir concretizar esse sonho me deu ainda mais força para encarar o transplante! Dezoito dias depois da cerimônia de formatura, internei para fazer o transplante de medula óssea.

Ao todo, foram 27 dias internada no hospital – sendo 13 em isolamento absoluto. Tive sorte de poder usar minha própria medula e não depender de doador. A fase do transplante foi de muito desafio físico e emocional, mas também de muito aprendizado. Tive que esquecer um pouco de toda minha vida fora “da bolha” e focar apenas em fazer meu tratamento e estar no momento presente. Uma coisa que me ajudou muito era pensar que todos os efeitos colaterais que eu sentia eram parte da minha cura – e me sentir indisposta não significava que eu estivesse doente, apenas fazia parte do processo do transplante.

Saí do hospital no final de outubro de 2013 – e fui recuperando minha saúde e vigor físico aos pouquinhos. Ainda precisei fazer 6 aplicações de Brentuximab para conseguir ter meus exames zerados – esse tratamento durou de maio a setembro de 2014.

Desde então, faço apenas exames clínicos e de sangue – e minha saúde está cada vez melhor! Em outubro completarei 3 anos de medula nova – e fico muito feliz por ver que o Linfoma ficou para trás e me deixou tantos aprendizados. Não tenho dúvida de que, se não fosse toda essa experiência com o câncer, eu não seria a pessoa que sou hoje.”

Depoimento de Flávia Magalhães de Oliveira

*Diagnosticada com Linfoma de Hodgkin em 2011

*Diretora da ONG Projeto Camaleão

*Criadora do Blog Além do Cabelo

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DOENÇAS DO SISTEMA RESPIRATÓRIO

30 de agosto de 2016

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Nesta entrevista à Integrativa, Dr. Spencer Camargo, Cirurgião torácico, Mestre e Doutor em Ciências Pneumológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Título de Especialista em Cirurgia Torácia pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica (SBCT) e cirurgião do grupo de transplantes pulmonares da Santa Casa de Porto Alegre, fala sobre o câncer de pulmão, diagnósticos e tratamentos da doença, responde à importantes questionamentos sobre o tabagismo e suas consequências na saúde da população mundial e esclarece sobre as doenças do sistema respiratórias mais comuns, que além de apresentar risco à vida, tem um importante impacto econômico na sociedade.

 RI- Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam o câncer de pulmão como um dos mais incidentes entre homens e mulheres. Para o ano de 2017, está previsto 10.890 de novos casos de câncer de traqueia, brônquio e pulmão, sendo sua mortalidade extremamente alta. Quais são as razões que podemos apontar para justificar ainda números tão significantes para esse tipo de câncer e sua alta taxa de mortalidade?

Dr. Spencer – O câncer de pulmão é uma neoplasia que tem um fator de risco bem reconhecido e amplamente divulgado, que é o tabagismo. Apesar disto, temos que reconhecer que o habito tabágico ainda está fortemente associado à cultura da sociedade.

Quanto à mortalidade, um grande problema relacionado a isto é o atraso no diagnóstico da neoplasia pulmonar. Muitas vezes, ficamos com a impressão de que o câncer de pulmão é pior do que os demais, mas, o que acontece, é que ao contrário de outras neoplasias que podem ser percebidas ainda em fase inicial, seja por exames de palpação como na neoplasia de mama ou por manifestação de algum sintoma, como um sangramento na neoplasia de intestino, os tumores de pulmão costumam crescer bastante sem que ocorra nenhum sinal perceptível pelo paciente. Isso faz com que o diagnóstico ocorra, na maioria das vezes, em estágios avançados, quando a chance de cura é muito menor.

Por esta razão, é tão importante que exames de rotina sejam feitos. A cultura do exame de mamas para as mulheres e de próstata para os homens já está bem aceita na sociedade, mas o mesmo não ocorre em relação a exames pulmonares. É comum que indivíduos que já passaram dos 50 anos e que fumam há muito tempo refiram nunca ter feito um exame de imagem pulmonar. Tentando mudar esta realidade, estudos bem elaborados têm mostrado a vantagem do Screening para o câncer de pulmão, que é a realização de uma tomografia de tórax anual para os pacientes de alto risco para desenvolverem câncer de pulmão.

 RI- O câncer de pulmão tem uma evolução lenta até que a primeira célula se duplique anarquicamente e desencadeie a marcha do tumor, depois, este processo acelera e o tempo hábil para diagnosticar e tratar a doença se reduz. Quais são, geralmente, os motivos para a protelação do diagnóstico do câncer de pulmão e quais as orientações que deveriam ser amplamente divulgadas para reduzir a incidência da doença e para aumentar seu diagnóstico precoce?

Dr. Spencer – É importante salientar que o câncer de pulmão é uma doença muitas vezes silenciosa. Por ser um órgão ao qual não temos acesso fácil e que não é suscetível à dor, um tumor pode crescer bastante até que surjam os primeiros sintomas. Um outro ponto importante é o fato de que, muitas vezes, o fumante tem um certo grau de culpa pelo seu ato. É tão comum as pessoas falarem que fumar é feio e errado, que a pessoa sente-se mal e, quando algum sintoma suspeito surge, ele quer esconder aquilo, na esperança que passe e sua “má- conduta” não seja exposta. Por isso a educação é tão importante.

Um indivíduo que fuma tem cerca de 30 vezes mais chance de desenvolver um câncer de pulmão do que quem nunca fumou. Desta forma, a cessação do tabagismo é o fator que mais influenciaria na redução da incidência de câncer de pulmão.

Para aqueles que fumam ou fumaram por um longo tempo, a recomendação é que façam exames de saúde rotineiramente incluindo uma tomografia de tórax anual após os 55 anos.

 RI- O tratamento do câncer de pulmão, normalmente é constituído por cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia. Em que situações é indicado cada uma destas modalidades de tratamento?

Dr. Spencer – O tipo de tratamento a ser instituído vai depender do momento em que o diagnóstico do câncer de pulmão é feito. Infelizmente, apenas cerca de 15% dos diagnósticos são feitos em estágios precoces, quando a chance de cura é muito alta. Nestas situações, a cirurgia é a melhor opção, sendo muitas vezes o tratamento exclusivo. Hoje, a vídeocirurgia é o melhor tratamento do câncer de pulmão em estágio precoce.

Nos pacientes que apresentam uma doença um pouco mais avançada, pode ser necessário o uso combinado de cirurgia com quimioterapia, que pode ser administrada antes ou depois da cirurgia.

A radioterapia é utilizada, em geral, para controle de sintomas relacionados aos tumores ou também em uma combinação com cirurgia e/ou quimioterapia.

É importante lembrar que as alternativas no tratamento das neoplasias vêm avançando muito, e, mesmo doenças avançadas, podem ser controladas por bastante tempo.

RI- Pacientes com câncer de pulmão na maioria das vezes são fumantes e tem como principal causa do tumor o hábito do tabagismo. Por que devemos insistir na cessação do tabagismo, mesmo depois do diagnóstico do câncer já estabelecido?

Dr. Spencer – O tabagismo está relacionado não apenas ao câncer de pulmão, mas também com o desenvolvimento de tumores em diversos outros órgãos, além de doenças cardiovasculares e pulmonares, que muitas vezes são fatais.

Uma pessoa que teve um tumor de pulmão e curou, tem um risco anual alto de desenvolver um novo tumor, que pode ocorrer novamente no pulmão ou em outros órgãos. Parar de fumar, mesmo após já ter desenvolvido um câncer, reduz a chance de ocorrência de novos tumores.

RI- A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que o tabagismo é responsável por cinco milhões de mortes ao ano no mundo, o que corresponde a mais de 10 mil mortes por dia, sendo que o tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o mundo. Por que, mesmo a grande maioria dos fumantes tendo acesso a informações sobre os malefícios do cigarro, elas continuam fumando?

Dr. Spencer – A massificação do cigarro no século passado, associado a uma cultura tabágica, que associava o cigarro a uma condição de modernidade, cultura e, até mesmo, a saúde, levou um grande número de pessoas a fumar para se manter inserido neste contexto social. Como não ficar encantado com propagandas nas quais os fumantes eram sempre pessoas que levavam uma vida extravagante, esbanjando saúde e vivacidade? Quando as pessoas se davam conta dos danos provocados em seus organismos, a dependência química a nicotina impedia o abandono.

Mesmo nos dias atuais, em que a propaganda esta banida e os riscos são amplamente divulgados, o ritmo frenético de vida provocado pela modernidade arrasta muitas pessoas para o fugaz e falso prazer de uma tragada e o número de tabagista ainda mostra-se grande. As campanhas de educação e suporte aos tabagistas precisam ser intensas para uma mudança definitiva neste cenário.

 RI- A partir da década de 80, foi constatado que a fumaça do cigarro (queimado no cinzeiro ou expelido pelo fumante), definida como poluição tabágica ambiental (PTA), desencadeava doenças às pessoas que inalavam involuntariamente esta fumaça. Qual a incidência de câncer de pulmão nos tabagistas passivos e qual a população mais afetada?

Dr. Spencer – Diversos estudos que fizeram análises bioquímicas em indivíduos não fumantes, mas expostos à fumaça do cigarro, mostraram que os mesmos apresentavam índices elevados de metabólitos encontrados no cigarro, alguns deles considerados carcinógenos importantes. Pela constância de exposição, um dos grupos mais estudado foi o de cônjuges de tabagistas. Uma análise de diversos estudos mostrou que o risco de desenvolver câncer em esposas de tabagistas pode ser 27% mais alto do que as não expostas. Outro grupo importante de exposição é o das crianças. Durante a gestação, se a mãe for fumante, a criança tem um risco elevado de inúmeras doenças, inclusive de más-formações. Mesmo no caso de uma mãe que não fume, mas esteja exposta ao tabagismo passivo, o bebe tem um risco elevado de nascer com doenças graves.

RI- Pesquisas indicam que 80% dos fumantes desejam parar de fumar, mas apenas 3% conseguem isso sozinho sem um tratamento específico. Para aqueles que necessitam de ajuda, que tipo de tratamento pode ser indicado atualmente? Qual os benefícios que a pessoa tem ao parar de fumar mesmo os tabagistas de muitos anos?

Dr. Spencer – Os benefícios de parar de fumar iniciam quase que imediatamente, mesmo para quem fumou por muitos anos. Já nas primeiras horas sem fumar, há uma redução na pressão arterial, o nível de monóxido de carbono diminui e a oxigenação do sangue aumenta. Nos primeiros dias sentimos uma melhora no olfato e no paladar e o risco de morrer de um infarto diminui. Mesmo para quem fumou por muito tempo, após 5 anos sem fumar o risco de desenvolver um tumor cai pela metade.

O problema é que parar de fumar não é fácil mesmo. Além da dependência física, o gestual do cigarro está incorporado ao dia a dia do fumante. Muitos buscam o primeiro cigarro logo ao acordar. Por isto, quando um paciente procura ajuda para parar de fumar é importante que seja oferecido suporte de uma equipe multidisciplinar. O uso de medicações que reduzem os sintomas da abstinência à nicotina, associado a orientações quanto às mudanças que ocorrem neste período inicial é muito importante para auxiliar o paciente e evitar a recorrência.

 RI- Dados apontam que as doenças respiratórias atingem aproximadamente 16 milhões de brasileiros, com índice de mortalidade que chega a 3 mil pessoas por ano representando um dos maiores problemas de saúde mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde. De que forma, essas doenças acabam afetando a qualidade de vida dos indivíduos? E quais são os cuidados que podemos ter para prevenir as doenças do sistema respiratório?

Dr. Spencer – As doenças do sistema respiratório englobam uma grande quantidade de afecções, que podem ter um curso mais agudo, como no caso das infecções ou serem parte de um quadro mais crônico, como a asma, a bronquite e o enfisema, em que, muitos casos, têm também o tabagismo como causa.

Além de provocarem risco de vida, as afeções respiratórias também são uma grande causa de faltas no trabalho e nas escolas, tendo um impacto econômico importante.

A forma mais eficaz para prevenir as doenças respiratórias é manter a saúde sempre bem-cuidada. No inverno, embora as pessoas tenham menos sede, devem beber bastante líquido para hidratação adequada. Tentar evitar ambientes muito fechados e com muita aglomeração e lembrar de lavar as mãos com frequência também são medidas que ajudam a reduzir as infecções.

RI- Durante o inverno, os indivíduos são mais acometidos pelas doenças respiratórias e pessoas já portadoras de doenças respiratórias crônicas, tais como a asma, a DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) ou a rinite alérgica têm maior tendência a apresentar crises de exacerbação nesta época do ano. Por que em temperaturas mais baixas, essas doenças são mais preponderantes na vida dos indivíduos? E quais são as principais doenças respiratórias que se agravam no inverno?

Dr. Spencer – No inverno, a umidade, mudanças bruscas de temperatura e o resfriamento do ar ressecam mais a mucosa nasal, favorecendo inflamações que abrem as portas para infecções. Junto com isso, a necessidade de convivência em ambientes fechados e com grande número de pessoas facilita a transmissão de micro-organismos. O uso de roupas que ficam muito tempo fechadas no armário também aumenta as rinites provocadas por ácaros.

Os principais agentes causadores de infecções nesta época são os vírus e as bactérias.

Fonte: Revista Integrativa_edição 14  – ANO 04 – Agosto 2016

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IYENGAR YOGA

24 de agosto de 2016

Prática que usa o alinhamento físico como ponto de partida e incentiva a disseminação da inteligência por todo o corpo, o autoconhecimento e a experiência das posturas como uma forma de “meditação dinâmica”.

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 O MÉTODO

Yogacharya Sri B. K. S. Iyengar (1918 – 2014), através de sua dedicada prática e ensino baseados em um  profundo autoestudo ao longo de 80 anos, elevou o yoga a um alto expoente de ciência, arte e filosofia. Difundido amplamente em todos os continentes, o legado de seu ensino tem foco na prática de posturas (asanas)  e respiração (pranayama). Tendo passado por diversas dificuldades físicas e observado-as também em seus alunos, desenvolveu um sistema que utiliza diversos acessórios que conduzem ao aprendizado, oferecendo a possibilidade da prática de yoga a todos, com segurança na execução para a prevenção de lesões, precisão técnica e eficácia de resultados. Este sistema possui um cunho profundamente terapêutico para diferentes fins: visa a contribuir para a melhoria da saúde física, mental e emocional dos indivíduos e desenvolver a experiência e existência humanas em todo o seu potencial através da expansão da consciência. Observando as características indivi-duais de cada praticante, Iyengar Yoga usa o alinhamento físico como ponto de partida e incentiva a disseminação da inteligência por todo o corpo, o autoconhecimento e a experiência das posturas como uma forma de “meditação dinâmica”.

Os professores certificados por este método passam por um longo processo de formação, sendo submetidos a rigorosos padrões de exigência que incluem longos anos de prática dedicada, educação continuada e avaliação prática e didática pedagógica de ensino. No Brasil, a Associação Brasileira de Iyengar Yoga (ABIY) regulamenta todos os processos associados ao ensino do método, que tem três pilares: precisão técnica, sequenciamento e tempo de permanência.

“Se você tem a mente certa, seu corpo pode fazer qualquer coisa”. B.K.S. Iyengar

 AULA FOCADA EM MULHERES COM CÂNCER DE MAMA

 A cirurgia do câncer de mama pode resultar em uma diminuição da mobilidade e uma sensação de dormência no braço, ombro e peito. Estas sensações podem ser acompanhadas por uma perda de equilíbrio, energia e força. As pessoas afetadas pelo câncer de mama também podem sentir um aumento de ansiedade e fadiga. Todas estas questões podem ser devidamente abordadas através do yoga.

Com o objetivo de atender esta demanda, a aula foi concebida para atender às necessidades físicas, psicológicas e emocionais das mulheres que sobreviveram ao câncer de mama, aquelas que estão em tratamento de quimioterapia, radioterapia, e/ou se encontram em um estágio após a mastectomia e linfadenectomia, bem como as que apresentam linfedema.

Este programa promove um estado de liberdade física e de relaxamento mental, auxilia no processo de cura e melhora e estimula a saúde de forma ampla.

 Karla Vasconcellos – Professora Certificada em Iyengar Yoga

Ilustração: Bobby Clennell

 

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Depressão

24 de junho de 2016

Compreender e identificar sintomas é a melhor forma de prevenção. Estudos apontam para um dado preocupante em nossa sociedade atual. 20% da população desenvolverá depressão ao longo da vida e as mulheres são as mais acometidas pelo transtorno.

The beautiful girl with the disappointed look

Tristeza X Depressão

A tristeza é uma emoção normal na vida de todas as pessoas, assim como o medo, a alegria e a raiva. Ela surge como resposta a adversidades e, quando sentida, é possível seguir com a rotina e com os relacionamentos, bem como aproveitar os prazeres da vida. A depressão é a acentuação da tristeza que se une com outros sintomas, causando prejuízos em diferentes âmbitos da vida. O transtorno possui três níveis: leve, moderado e grave; e diferentes subtipos: pós-parto, sazonal, com sintomas psicóticos, entre outros.

 E agora?!

Dependendo do nível de depressão, diferentes tipos de tratamento são oferecidos.

  • Psicoterapia: auxilia o paciente a reestruturar questões que precipitaram o transtorno e a estimula-lo a criar novos hábitos e formas mais adaptativas de interpretar situações.
  • Tratamento Farmacológico (medicação): indispensável em casos graves.

Fique atento a um dado:

  • As mulheres são mais acometidas pela depressão, quando comparadas aos homens. Pesquisam tentam mapear quais são as principais causas para esta diferença e encontram, como fatores importantes, as alterações hormonais que mulheres passam devido aos períodos de menstruação e gravidez.

 Mas quais são as causas da depressão?

A depressão está associada a fatores biopsicossociais, que incluem o estresse e os desafios impostos pela vida diária, podendo ser consequência de causas médicas (como em casos de problemas na tireoide), nutricionais (falta de vitaminas), ainda pode haver influência de uso de medicamentos, álcool e outras drogas. Ou seja, a depressão é multifatorial, é o resultado de um somatório de influências de causas endógenas e exógenas.

 Causas mais comuns:

  • Causas psicossociais:

As influências psicossociais, que incluem estresse imposto pela vida diária, as estratégias para enfrentar as dificuldades e a forma em que as mulheres se veem enquadradas na sociedade, são tópicos da atual investigação em mulheres com depressão. Alguns fatores psicossociais parecem afetar igualmente homens e mulheres. Apesar de ainda não terem surgido respostas definidas, parece que alguns desses fatores psicossociais podem ajudar a explicar por que razão algumas mulheres têm maior predisposição ao desenvolvimento de depressão do que outras.

  • Causas médicas:

Doença tireoidiana, fatores nutricionais (como baixos níveis de vitamina B12, ou por anemia: ferro deficiente).

  • Causas medicamentosas, álcool e outras drogas:

Medicações podem ter a depressão como um efeito colateral.

Sobre álcool, alguns pesquisadores acreditam que o abuso de álcool pode favorecer a manifestação de depressão em indivíduos vulneráveis. Se excessivas quantidades de álcool forem ingeridas em combinação com outras drogas, pode ocorrer uma interação, piorando a depressão ou causando outros efeitos maléficos.

Devo me preocupar?

Marque os sintomas da lista abaixo que você considera que ocorrem com frequência e que lhe causem prejuízo:

(   ) Humor deprimido;

(   ) Perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas;

(   ) Mudança de peso e/ou de apetite;

(   ) Insônia ou hipersonia com frequência;

(   ) Agitação;

(   ) Fadiga;

(   ) Sentimentos de inutilidade ou de culpa;

(   ) Desconcentração ou indecisão;

(   ) Pensamentos de morte.

 

Se você marcou acima de 4 questões ou marcou a última questão, procure auxílio do serviço especializado para realização de uma avaliação mais apropriada.

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Segundo Lucchese (2008) no livro “Desembarcando a tristeza: compreenda a depressão e encontre a felicidade”, há outras manifestações de depressão bastante frequentes observadas na mulher, contudo, pouco faladas: a depressão pós-parto e a depressão pré-menopausa.

Elas estão, de alguma forma, relacionadas com flutuações nos níveis hormonais femininos. A produção de estrógeno parece estar envolvida nessas três condições.

A secreção hormonal da mulher é cíclica – regulando o mecanismo ovulatório e o ciclo menstrual. São essas flutuações que acabam gerando as alterações de estados de humor.

Se no período menstrual a flutuação hormonal favorece a alternância de humor, na menopausa a deficiência de estrógeno determina tendência depressiva mais constante. Todo este processo acaba desenvolvendo a falta da serotonina que é a substância responsável pela produção da sensação de prazer e bem-estar no nosso organismo.

Além disso, existem outras situações que podem estar correlacionadas com o aparecimento da depressão: o envelhecimento, a menor necessidade de cuidado dos filhos (síndrome do ninho vazio), revisão de relacionamento conjugal, etc.

Desta forma, associado aos sintomas da redução hormonal, como os fogachos, a irritabilidade, a insônia, a perda de memória, as modificações na pele, dos órgãos sexuais, das mamas, redução de libido… o resultado disso é uma maior tendência ao desenvolvimento da depressão.

Já a depressão pós-parto origina-se de uma série de fatores, como o estresse na gravidez e do parto, baixos níveis hormonais, depressão prévia, desajustes matrimoniais, etc. No entanto, a maneira como ela se instala no organismo ainda não é muito bem conhecida.

previna-se da depressão

Por Marcela Moraes e Tayse Conter de Moura

Equipe do Centro de Psico-Oncologia da CliniOnco

psicologia@clinionco.com.br