h1

CliniOnco conquista selo do Programa Brasileiro de Segurança do Paciente

15 de agosto de 2017

O Programa Brasileiro de Segurança do Paciente (PBSP), iniciativa do IQG – Instituto Qualisa de Gestão (Health Services Accreditation), junto com organizações mundiais, Institute of Healthcare Improvement (IHI), Canadian Safety Patient Institute – CPSI, Patient Safety Crosswalk, Accreditation Canadá, propõe mudanças fundamentais na cultura das organizações de saúdes através de uma abordagem que combina componentes de movimentos sociais e os aspectos de melhoria dos serviços, para que o tema Segurança do Paciente esteja em constante desenvolvimento nestas instituições e na sociedade.

Atualmente o programa conta com a participação de uma comunidade de 180 participantes, instituições empenhadas em melhorar os cuidados de saúde.
A CliniOnco faz parte deste grupo e em agosto de 2017 recebeu o “selo PBSP”, formalizando desta maneira, esta parceria.

O programa foi reconhecido pela ANS (Agência Nacional de Saúde) e o IQG definida como “Entidade Gestora”.

Anúncios
h1

VAMOS CONVERSAR

7 de abril de 2017

A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu que o tema do Dia Mundial da Saúde de 2017 será a depressão. Com o lema “Vamos Conversar”, a iniciativa pontua que a depressão possui tratamento eficaz e pode ser prevenida.

Mas, por que esse tema? São diversas as razões que fazem que com a depressão seja um tema importante. A depressão é a principal causa de incapacidade laboral no planeta. Em casos graves, leva ao suicídio, que é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo. Estima-se, ainda, que a cada ano as consequências de transtornos mentais gerem perdas econômicas de 1 trilhão de dólares. E o número de casos só aumenta!

Em relação aos índices mundiais, os casos de depressão aumentaram 18% de 2005 a 2015, tendo 322 milhões de pessoas acometidas em todo o mundo no último levantamento. O Brasil possui o maior índice de depressão da América Latina e é o 5º país no ranking, com o número de 11,5 milhões de pessoas (5,8% da população).

As mulheres são mais acometidas quando comparadas aos homens, e isso pode ser explicado a partir de fatores biológicos e culturais. Gravidez, menopausa e o próprio ciclo menstrual provocam alterações hormonais que podem levar a manifestação de sintomas depressivos. Além disso, mulheres possuem maior prevalência de problemas na tireoide, responsável pela produção de hormônios. Outra explicação cultural para o maior índice feminino de depressão pode ser a resistência masculina em procurar serviços de saúde, principalmente devido a aspectos emocionais. A depressão acomete todas as pessoas de forma importante, independente de idade, gênero ou origem.

Existem formas eficazes para tratar a depressão que incluem psicoterapia semanal com psicólogos, uso de medicação psiquiátrica ou a combinação entre os dois métodos. O mais importante é a identificação dos sintomas de forma precoce, e a melhor forma de fazer isso é conversando com profissionais de saúde de confiança. A falta de informação e o estigma relacionado à doença não podem ser barreiras entre você e o tratamento da depressão.
O Núcleo de Psico-oncologia da CliniOnco oferece suporte aos pacientes e familiares que perceberem sintomas de depressão e encaminhamentos a serviços e profissionais conveniados.

Tayse Conter de Moura
Psicóloga do Núcleo de Psico-Oncologia da CliniOnco

Quadro de Sintomas
• Sintomas Psíquicos: Humor depressivo (sensação de tristeza desvalorização e sentimentos de culpa), Anedonia (perda da capacidade de sentir prazer), Desesperança, Fadiga, Diminuição na capacidade de pensar, de se concentrar ou de tomar decisões
• Fisiológicos: Alterações do sono, Alterações do apetite e Redução do interesse sexual
• Evidências comportamentais: Retraimento social, Crises de choro, Comportamentos suicidas, Retardo psicomotor e lentificação generalizada ou Agitação psicomotora

h1

A importância dos cuidados com a pele desde a infância

20 de fevereiro de 2017
Sabrina Dequi Sanvido
CRM 31.647 | RQE 26.423
Médica Dermatologista do Centro de Pele e Melanoma da CliniOnco.
Residência médica em Medicina interna pela UFCSPA.
Residência médica em Dermatologia pela UFCSPA.
Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Atua em dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiátrica
bita@hotmail.com

a-importancia-dos-cuidados-1

O Brasil é um país de grande faixa territorial que fica em sua maior parte entre o trópico de Capricórnio e a linha do Equador. Por sua localização geográfica, o sol incide quase a 90 graus em relação ao horizonte nos meses do verão, o que faz com que o nosso país tenha um dos maiores índices de insolação.

Os fótons de luz solar que atingem a Terra são compostos por luz infravermelha (56%), luz visível (39%) e raios ultravioletas (5%). Estes são responsáveis tanto por benefícios quanto por malefícios à pele. Os raios UVA e UVB atingem a superfície terrestre, e os raios UVC são absorvidos pela camada de ozônio. A radiação UVB tem seu pico por volta do meio dia e é maior nos meses de verão. A radiação UVA tende a ser a mesma durante todos os dias do ano.

A radiação é responsável por efeitos agudos: queimaduras, vermelhidão, bronzeamento, aumento de temperatura e produção de vitamina D. E também efeitos crônicos: espessamento da pele, manchas, sardas, câncer de pele e envelhecimento cutâneo.

Algumas doenças de pele podem piorar quando expostas à luz como, por exemplo, o lúpus e a porfiria. Porém algumas podem melhorar como o vitiligo e a psoríase.

Algumas medicações tanto de uso oral como tópico podem deixar a pele mais sensível a queimaduras solares.

A luz visível e a radiação infravermelha ainda estão sendo estudadas quanto aos efeitos na pele.

Hábitos de fotoproteção adquiridos na infância e adolescência podem modificar comportamentos e também afetar as atitudes dos pais.

A exposição solar, no início da vida, pode ter impacto crucial no surgimento do câncer de pele.

As medidas fotoprotetoras do público infantil são distintas das dos adultos. Fique atento a alguns cuidados importantes:

Lactentes menores de 6 meses não devem se expor ao sol diretamente, quando necessário, dar preferência a roupas e chapéus. Em casos especiais falar com seu dermatologista sobre o assunto;

Crianças acima de 6 meses não devem se expor diretamente ao sol entre as 10h e 15h;

Regra da sombra – se a sombra do seu corpo no chão for menor do que sua altura, a criança não deve se expor;

Usar chapéus e roupas protetoras em todas as idades;

Sempre dar preferência para os filtros infantis, com FPS maior ou igual a 30 e que tenha abrangência UVB e UVA. Até os 2 anos preferir os filtros físicos/inorgânicos;

Aplicar o filtro 15-30 minutos antes da exposição e reaplicar a cada 2 horas ou após imersão em água;

Aplicar 2 camadas consecutivas com a menor quantidade de roupa possível;

Crianças com riscos e/ou deficiência de vitamina D não devem ser incentivados à exposição solar e sim reposição via oral;

Após a exposição solar, as crianças podem usar cremes hidratantes conforme a indicação da idade exposta na embalagem;

Devem tomar bastante líquido para evitar desidratação.

Além dos cuidados com o sol, nesta época do ano, devemos proteger as crianças dos mosquitos, estes causam erupções na pele, feridas, manchas, coceira e transmissão de doenças.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda a utilização de repelentes em crianças de acordo com a fórmula do produto, que podem ser sintéticos ou naturais. Ao escolher o produto indicado para as crianças, é importante consultar um médico dermatologista.

Os princípios ativos dos repelentes recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) são:

– Icaridina (KB3023): uso permitido no Brasil em crianças a partir de 2 anos de idade em concentração de 25%, cujo período de proteção chega a 8 a 10 horas.

– DEET: em concentração de até 10% pode ser utilizado em maiores de 2 anos, sendo que não deve ser aplicado mais que 3 vezes ao dia em crianças de 2 a 12 anos;

– IR 3535 30%: permitido pela Anvisa para crianças acima de 6 meses. Seu período de proteção conferido é de 4h.

Existem ainda os repelentes naturais, porém seu efeito costuma ser de curta duração, não garantem proteção adequada ao Aedes aegypti, devendo ser evitados.

Bebês com até 6 meses só devem usar mosquiteiros e roupas protetoras. É recomendado instalar telas nas janelas e portas e deixar o ambiente refrigerado já que os mosquitos gostam de calor e umidade.

Em geral, o uso de repelentes deve ser evitado nas crianças menores de 2 anos. Dos 6 meses aos 2 anos devem ser utilizados, apenas em situações especiais, com orientação e acompanhamento médico.

DICAS AO APLICAR OS REPELENTES:

–  Procure vestir roupas brancas nas crianças, pois roupas coloridas atraem os insetos, assim como perfumes;

– Não se deve utilizar produtos combinados com filtros solares, pois eles costumam ser reaplicados com uma frequência maior e os repelentes não devem ser aplicados mais do que três vezes ao dia em crianças;

– Utilizar primeiro o filtro solar e em média 15-30 minutos depois usar o repelente;

– O suor atrai os insetos;

– Não durma com repelente no corpo, lave-se antes.

– Leia todo o rótulo antes de aplicar o produto e conserve-o para consulta;

– Mantenha os repelentes fora do alcance de crianças e não permita sua auto aplicação;

– Evite o uso próximo a mucosas (boca, nariz, olhos, genitais) ou em pele irritada ou ferida. Para uso na face, primeiro aplique o produto nas mãos e então espalhe no rosto com cuidado;

– Evite aplicação nas mãos das crianças e por baixo das roupas. Sempre lave as mãos após aplicar o produto;

– Use quantidade suficiente para recobrir a pele exposta e evite reaplicações frequentes;

– Se suspeitar de qualquer reação adversa ou intoxicação, lave a área exposta e entre em contato com o serviço de intoxicação. Se necessário, procure serviço médico e leve consigo a embalagem do repelente.

Deve-se procurar produtos aprovados pelo Ministério da Saúde e/ou Anvisa, pois garantem que o produto seja eficaz e seguro.

Um ótimo verão a todos!

h1

Entrevista com Dr. André Brunetto e Dr. Alejandro Arancibia

16 de fevereiro de 2017

O câncer pediátrico representa em torno de 3% do total do número de câncer no Brasil. Devido ao grande impacto que esta doença assume, por ocorrer na tenra idade e por apresentar consequências para a vida adulta, a Integrativa conversou, na sede do Instituto do Câncer Infantil (ICI), com os profissionais médicos que estão à frente de diferentes projetos na instituição. O Dr. Alejandro Arancibia – Especialista em Pediatria, Cancerologia Infantil, Hematologia e Hemoterapia, Doutorando (UFRGS), Coordenador do Protocolo para o Tratamento do Linfoma Hodgkin da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) e Coordenador Médico do ICI e o Dr. Andre Brunetto, Oncologista e Pesquisador Clínico com Mestrado em Oncologia Básica, Clínica e Radioterapia na Universidade de Londres, especialização em Oncologia Clínica no Royal Marsden Hospital, Londres. Membro colaborador do Centro de Ensino e Pesquisa do Hospital Ernesto Dorneles (HED) e Coordenador Científico do Centro de Pesquisa do Instituto do Câncer. Atua como Oncologista e Coordenador Médico na CliniOnco. Na entrevista, os profissionais abordaram os mais variados aspectos e circunstâncias que envolvem a área informações importantíssimas como a detecção precoce da doença.

card-entrevista-andre-brunetto

 

RI – As estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) prevê cerca de 12.600 novos casos de câncer em crianças e adolescentes no Brasil para 2016/2017.  Estes dados são condizentes com o panorama mundial do Câncer Infantil?

Dr. Alejandro – Fazendo uma análise global da situação do câncer, estima-se que para 2030, 22 milhões de pessoas terão câncer no mundo. Os dados mostram que de 2008 até 2030 o aumento será de 74% no número de câncer em geral. Isto se deve principalmente a dois fatores: primeiro, as pessoas estão vivendo mais tempo, dando a chance de muitos cânceres próprios da idade avançada, se manifestarem; segundo, a globalização dos costumes, hábitos e estilo de vida, fatores estes que devem ser fortemente considerados.

Sabemos que do total dos números de cânceres registrados, 1 a 3% dos casos são pediátricos. Portanto, as estimativas que temos são baseadas neste percentual. Então, os 12.600 casos estimados representam uma proporção dos casos de câncer no adulto. Infelizmente, não disponibilizamos dados precisos e fidedignos do câncer infanto-juvenil.

A dificuldade em contar com estes números torna o trabalho de prevenção, orientação e pesquisa mais difícil neste setor. O Instituto do Câncer Infantil (ICI), em parceria com outras instituições, e em busca de melhores e mais informações, está coordenando um trabalho de levantamento de dados na área da oncologia pediátrica, principalmente nos serviços do SUS, no Rio Grande do Sul. São estas iniciativas que poderão melhorar os dados a respeito da doença e população acometida.

 

RI – Ao contrário do adulto, o estilo de vida e risco ambientais não são diretamente atribuídos como fatores causais para o câncer infantil. É possível definir fatores predisponentes para este tipo de câncer?

Dr. Alejandro – Diante deste quadro, o que posso dizer é que não existem fatores predeterminados, mas podem existir alguns fatores específicos ou regionais. Por exemplo, na África apresenta-se o maior número de Linfoma de Hodking o que tem uma íntima relação do o vírus Epstein Baar. O HIV também tem uma relação com o Linfoma. No passado, quando ainda se desconhecia a infecção pelo vírus passado de mãe para filho, só se descobria esta infecção quando se diagnosticava um linfoma na adolescência ou na juventude. Hoje, esta relação diminuiu em função da detecção do vírus já no pré-natal. Nos casos das Leucemias, sabemos que as mães expostas à radiações apresentam 1,5 vezes mais chances da criança ter a doença do que aquelas que não foram expostas. Uma das consequências da Bomba de Hiroshima e Nagasaki foi justamente os muitos casos de leucemias que surgiram no país a partir deste episódio.

As causas, no entanto, são hipóteses. A interferência genética ocorre para alguns tumores em particular, mas, para a maioria deles, este fator não está envolvido. No caso dos Tumores do Sistema Nervoso Central (SNC) existe uma particularidade curiosa. No passado se fazia radioterapia profilática (preventiva) a todas as crianças com leucemia, pois ela poderia se “esconder” no SNC e vir a se manifestar novamente.  O que se observou mais tarde foi o aparecimento de Tumor na cabeça em consequência desta irradiação. Neste caso, o próprio tratamento foi o causador deste novo tumor. Em se tratando do mundo infantil, é preciso ainda muito mais estudos e pesquisas para se ter mais clareza sobre o que leva uma criança a ter câncer. Não há um fator ambiental bem identificado que possa ser causador da doença e motivo de campanhas de prevenção primária, como é o caso, o tabagismo no adulto.

 

RI – Atualmente, as campanhas e mobilização na área da saúde se detêm muito na prevenção e diagnóstico precoce do câncer. Isto também vale para o câncer infantil?

Dr. Alejandro – Na verdade, não se tem profilaxia (prevenção) primária para câncer na criança. Hoje o nosso papel é educar. Podemos, porém, fazer profilaxia primária em crianças e adolescentes para prevenir o desenvolvimento do câncer quando estes indivíduos forem adultos. As campanhas detêm-se mais em alertar e orientar para ações simples como alimentar saudavelmente nossos filhos, estimular o consumo de frutas e verduras, não exagerar no açúcar e no sal, não fumar na frente de crianças (crianças costumam copiar as atitudes dos pais), restringir televisão e uso dos computadores, estimular atividades físicas, orientar sobre sexo seguro (uso de preservativos) e manter as vacinas em dia, entre outras, além de preparar as equipes para identificar precocemente sinais e sintomas do câncer.

No entanto, temos que considerar três fatores que irão influenciar no diagnóstico precoce: a) As características do tumor (tipo, localização e velocidade de crescimento). As manifestações das doenças são diferentes de um tipo de tumor para o outro. A maioria dos sinais e sintomas que as crianças com câncer apresentam é comum a outras doenças pediátricas mais prevalentes. Desta maneira, só faz o diagnóstico de câncer precocemente quem pensa em câncer, ou seja, o profissional que tem um olhar direcionado para os sintomas específicos. b) As características do paciente e da família – as questões sócio culturais da família, bem como a idade da criança, são fatores relevantes nesta questão. A presença e atenção dos pais no desenvolvimento e hábitos da criança podem fazer toda a diferença quando surgir algum tipo de alteração em seu corpo. A idade é importante não só pelo tipo de tumor, mas também quanto à percepção das alterações no corpo. c) O Sistema de Saúde – a disponibilidade de recursos, distância até aos centros especializados, a agilidade no atendimento e equipe preparada são as características que determinam o quanto o sistema de saúde é capaz de fazer a diferença na vida de uma criança com câncer. A legislação prevê que após o diagnóstico confirmado de câncer todas as pessoas devem iniciar o tratamento no máximo até 60 dias. O que a lei não contempla é o tempo na realização do diagnóstico. Então, a base de tudo é a informação para toda a rede que atende estas crianças. Divulgar, divulgar e divulgar. Não há de se ter medo do diagnóstico porque hoje sabemos que o câncer ele tem cura, especialmente se for realizado de forma precoce.

Dr. André  – Podemos dizer, de forma geral, que quanto mais cedo for diagnosticada uma doença, maior é a chance de cura e isso vale tanto para os adultos quanto para as crianças. Então, é neste momento que o acesso aos centros especializados e estruturados, o preparo da equipe, o sistema de informação, a família e as características da própria doença irão contribuir para a eficácia do tratamento e cura ou sobrevida do paciente. Nos Estados Unidos, país que dispõe de condições ótimas para o manejo dos tumores na infância, as taxas gerais de cura variam entre 70% a 80%. No Brasil, os dados demostram que, as crianças e adolescentes tratados nos principais centros de referência do país têm índices semelhantes aos países desenvolvidos. No entanto, à medida que um paciente é tratado em centros que não tem essa expertise de tratamentos, o impacto é grande e a taxa de cura fica em torno de 30% a 40%. A profilaxia na criança é basicamente secundária, ou seja, se procura diagnosticar e intervir no curso da doença o mais breve possível.

 

RI – Existem diferenças na abordagem terapêutica para o adulto e para o adolescente?

Dr. Alejandro –  Com certeza. Hoje já está demonstrado que a sobrevida do adolescente é muito melhor para as mesmas doenças, quando ele é tratado por pediatras dentro de protocolos pediátricos do que por especialistas que tratam o adulto, mesmo que estes estejam utilizando protocolos pediátricos.  É ideal que paciente até 19 anos de idade, seja tratado por especialista, médicos que se especializam em crianças e adolescentes.

Dr. André – Eu diria que a instituição em que o adulto faz o tratamento tem pouco impacto no resultado final, já para a criança ou o adolescente, isto faz toda a diferença. Eles precisam de prioridade em todos os serviços de suporte e apoio, então quando se dispõem de uma infraestrutura adequada, as intercorrências podem ser imediatamente atendidas. E isso conta muito, pois atrasar ou adiar ciclos do tratamento, devido infecções ou qualquer alteração no quadro clínico ou social, tem um impacto negativo no resultado final. Além disso, os protocolos pediátricos são muito mais intensos em termos de toxicidades. Há combinação de diferentes quimioterapias, às vezes 2, 3, 4… e são tratamentos intensivos que devem ser feitos, frequentemente, dentro de um hospital.  Em função das características do tumor pediátrico, o qual cresce mais rapidamente e é mais agressivo, se expõe o paciente a um maior risco de toxicidade considerando que a chance de cura que se tem é muito grande. Apesar disso, a criança tolera melhor protocolos intensos de quimioterapia quando comparado ao adulto, pois seu organismo dispõe de uma capacidade de recuperação mais rápida.

 

RI- Que fatores são determinantes no sucesso do tratamento do câncer infanto-juvenil?

Dr. Alejandro – Posso dizer que tratar em centro especializado é o principal fator. O segundo ponto é tratar seguindo protocolos de tratamento (isto quer dizer, seguir passos, tipo de medicamento, doses, intervalos das aplicações que já foram estudadas e definidas como padrão, por algum centro de pesquisa ou prática clínica). Um estudo bem documentado no município de Santa Maria, realizado entre 1980 e 2012, constatou exatamente isso que estamos falando. A sobrevida de pacientes com leucemia tratados dentro dos protocolos específicos chega a 50%, caindo para 30% quando tratados fora destes protocolos. Isso é fundamental. A estrutura e a equipe envolvida são pontos muito importantes também. Desde o médico, a enfermeira, o psicólogo, assistente social… todo o pessoal que trabalha nesta área, tem que ter, digamos, expertise em tratar crianças. O problema não é só clínico, ele é social. Tem a ver com a família, com o trabalho do pai e da mãe, com o deslocamento, com a distância da cidade de origem, etc. Esta complexidade social exige que tudo seja diferenciado e especialmente planejado para esta assistência.

img_5895

RI- O tratamento para o câncer infantil pode acarretar em riscos e/ou consequências para a saúde na idade adulta. O que se estás fazendo para evitar ou minimizar estes riscos?

Dr. Alejandro – Diferentemente do adulto em que grande parte dos tratamentos é paliativo, devido ao estágio avançado que normalmente são diagnosticados, em criança a gente fala de cura. Antigamente, era curar a todo custo. Hoje é curar ao menor custo. Por quê? Porque mais crianças ficam vivas e elas devem ter uma vida de pelo menos mais 50, 60 anos com o menor número de complicações possíveis, ou seja, menos efeitos deletérios a sua saúde e melhor qualidade de vida. Acho que o ponto principal que ajuda a sobrevida do paciente é ajustar a quimioterapia aos grupos de risco. Por exemplo, no passado tratávamos todas as leucemias de forma igual. Hoje se trata a leucemia que cada criança tem, personificando o tratamento. Uma criança não tem necessidade de ter a mesma exposição tóxica que uma outra criança tem, pois as características da doença podem ser diferentes.  Acredito que evoluímos no sentido de conhecer melhor a doença e identificar mais  brevemente a resposta ao tratamento, possibilitando ajustar o protocolo  conforme a evolução da doença. Portanto, deve ser acompanhado caso a caso. Na radioterapia usada para os tumores do SNC, seus efeitos podem aparecer 10 a 15 anos após. Estes efeitos podem ir desde problemas cognitivos, de crescimento e desenvolvimento, até um novo tumor. Então, hoje se aplica muito menos esta modalidade de tratamento. Em resumo, queremos que ela fique curada de forma completa. Considero de extrema relevância o conceito da Organização Mundial da Saúde (OMS) que define a saúde como o bem-estar físico-psíquico-social. Então, uma criança tem que ficar curada nestes três aspectos. Para a vida! A criança não pode se aposentar.  Antigamente, crianças com 18 anos que tiveram um tumor aos 3 anos se aposentavam e não faziam mais nada. Isso não é curar pela definição da OMS. Então, se a gente vai curar as crianças, tem que fazer de forma completa, precisamos pensar em todos os impactos que a doença vai causar na vida delas. Nos casos em que a doença progride e não há possibilidade de cura, temos que pensar em qualidade de vida.

 

RI – Sabemos que a cura das doenças depende de muita pesquisa e investimento. Como são os investimentos para a descoberta de novos tratamentos para o câncer infanto-juvenil?

Dr. Alejandro – Esbarramos numa realidade não muito animadora que é o investimento reduzido da indústria farmacêutica em protocolo de pesquisas específicas para a o câncer infantil. Esta patologia representa de 1% a 3% de todos os tumores. Os investimentos recaem primeiramente para câncer do adulto que representa um percentual bem mais significativo. As terapias-alvo, por exemplo, que já é amplamente utilizada em adultos, na criança se utiliza para alguns casos de Leucemia, Linfoma e um que outro tumor do SNC.

Dr. André – Esta dificuldade em pesquisa infanto-juvenil é encontrada em todo mundo. No entanto, os esforços na área pediátrica estão se intensificando e vários projetos já são elaborados em cooperação com a iniciativa privada e comunidades. O Instituto do Câncer Infantil (ICI), há muito tempo, se mobiliza para preencher esta lacuna. O investimento em pesquisa com o apoio da comunidade e organizações nacionais e internacionais vem permitindo o desenvolvimento e aperfeiçoamento técnico-cientifico. Mesmo diante de tamanha dificuldade, temos o propósito de contribuir para a melhoria na busca por novos tratamentos e a chance de cura para uma patologia que já representa a primeira causa de morte, por doença no Brasil nesta faixa etária. Recentemente inaugurado na instituição, o Centro de Pesquisa Rafael Accordi, tem como objetivo investir e melhorar o conhecimento das alterações genéticas relacionadas à evolução do câncer infantil e possibilitar novas estratégias de combate à doença. Neste sentido, podemos destacar os principais tipos de pesquisa que são realizadas no ICI: Pesquisa Celular e Molecular – busca de novos tratamentos (mais inteligente e menos tóxicos) a partir do conhecimento da biologia tumoral (característica celular do tumor); Pesquisa Clínica e Epidemiológica – avalia o impacto de novos tratamentos cirúrgicos, radioterápicos ou quimioterápicos no câncer infanto-juvenil e desenvolve ações multidisciplinares a fim de determinar a endemicidade deste tipo de câncer e traçar o perfil socioeconômico e demográfico da população; Bioinformática –  combina o conhecimento da biologia, ciência da computação, informática e matemática/estatística. O desenvolvimento de softwares específicos possibilita identificar genes relacionados ao câncer, novos alvos terapêuticos, organizar e relacionar toda a informação biológica em rede.

 

RI – Em sua experiência, como oncologista pediátrico, como avalia o enfrentamento da criança e do adolescente diante do câncer?  Existe diferença de comportamento?

Dr. Alejandro – Eu diria que é diferente. Você observa duas maneiras de encarar o problema, ou seja, a visão da criança e do adolescente. A criança só não quer sentir dor. Ela não vai lidar com frustrações, família, futuro, planos… A doença em si, não preocupa a criança. Ela tem um único propósito, quer brincar, ser feliz e só. Se ela estiver realizando a quimioterapia e não estiver sentindo dor, vai levar numa boa. A preocupação com a estética é bastante relativa, se o adulto ao seu lado não valorizar em demasia este aspecto, ela também não irá e ficará bem mesmo sem o cabelo ou com alguma amputação em decorrência da doença. Em geral, o tratamento é encarado de uma forma tranquila. Mas é claro que para a criança ser feliz, mesmo nesta situação, exige que a estrutura e a equipe possam oferecer o melhor para cada um conforme a sua idade. Com o adolescente é bem mais complicado, porque ele já tem uma vida social, começa a fazer planos, pensar no futuro. As alterações do corpo e os desejos começam a aparecer, a autoestima ocupa um importante lugar em sua vida, é uma fase dos primeiros namorados, etc. Aí o tratamento vem e lhe tira a liberdade, o cabelo, um membro, lhe afasta dos amigos e das festas. Aparecem as feridas na boca, o cansaço a indisposição. Seu principal compromisso passa a ser com o hospital e tudo o que ele representa. Então, posso dizer que são dois mundos peculiares e com maneiras diferentes de encarar.  Para tudo isso, tem que ter uma base e a familiar é fundamental, assim como as instituições de saúde.

 

RI – O Instituto do Câncer Infantil, em Porto Alegre, fundado há 25 anos é referência na assistência de crianças e adolescentes com câncer. De que maneira o Instituto realiza esta assistência?

Dr. André – O leque de ações do Instituto é bastante ampla, seja prestando assistência diretamente aos pacientes e familiares, bem como levando informações à comunidade em geral. O propósito maior da instituição é aumentar os índices de cura da doença e qualidade de vida dos pacientes. Os anos de experiência nos mostram o quanto o apoio e suporte multidisciplinar durante a fase de tratamento fazem a diferença nos resultados, principalmente, através da estruturação de programas e projetos que o instituto atua desde o diagnóstico precoce até o acompanhamento nas diferentes fases do tratamento. Compreendendo a delicadeza do processo de adoecimento e cura pelo qual passam estes pacientes, procuramos de todas as maneiras preservar ao máximo a integridade da infância e tornar este período o menos traumático possível. Com este propósito, o Núcleo de Apoio ao Paciente (NAP) do ICI disponibiliza serviços complementares dando suporte pedagógico, psicológico, terapia ocupacional, recreação, atendimentos de odontologia, fisioterapia, tudo o que os pacientes precisam. É oferecido suporte também a grupos de mães com atendimento psicológico e oficinas diversas. As famílias recebem auxílio como cesta básica de alimentação, vestuários e calçados, se necessário.

O diagnóstico precoce do câncer infantil é de fundamental importância quando estabelecemos metas de cura para esta população e sabemos que não é um caminho fácil em função das várias dificuldades encontradas em nosso sistema de saúde. O Programa Diagnóstico Precoce realizado em parceria com o Instituto Ronald McDonald tem como uma de suas metas preparar profissionais da saúde através de palestras e cursos, para que eles estejam atentos aos sinais e sintomas quando forem atender uma criança e encaminhar em tempo hábil para especialistas. As informações se estendem também à comunidade, pois são as pessoas mais próximas ao convívio da criança que poderão identificar um sintoma importante. Destaco o Centro de Pesquisa Clínica, já mencionado nesta entrevista, está sendo o carro chefe do programa de inovação e tecnologia do ICI na busca de novos alvos e medicamentos que irão aumentar as chances de cura dos pacientes. Gostaria de salientar um ponto importantíssimo que faz toda a diferença para a efetivação destes programas e ações.  A contribuição e participação da comunidade, de empresas e do voluntariado. Os esforços somados representama chance de vida para milhares de crianças e adolescentes!

 

h1

INFÂNCIA

9 de fevereiro de 2017

“A infância é deles, a responsabilidade é nossa”. Usufruir daquilo que é próprio da infância é direito inquestionável da criança. Cabe a nós, adultos, a responsabilidade de proporcionar às nossas crianças as melhores condições possíveis para seu desenvolvimento e crescimento. Não podemos nos eximir deste compromisso.

Infância

O preparo começa na gestação, desde a escolha do momento desta concepção, do acompanhamento médico, até o tipo de parto que pretendemos oferecer a esta criança. A partir do nascimento do bebê, se materializa grandes mudanças na vida familiar seja nos aspectos emocionais, sociais, financeiro, de saúde ou relacionamento. Cabe ao adulto munir-se de informações, ajudas, contar com boas experiências de outras pessoas ou mesmo de suas próprias para dar conta desta demanda e assim preparar as melhores condições para a criança careça e se desenvolva com saúde plena.

A família, a escola, a sociedade e o governo, cada instância com suas respectivas responsabilidades, tornam-se os tutores da infância. São eles os alicerces do desenvolvimento das condições necessárias para a estruturação de um ambiente saudável, construtivo e capaz de tornar nossas crianças verdadeiramente felizes e com saúde, além de contribuir para que no futuro tenhamos adultos físico, mental, espiritual e estruturalmente equilibrados.

Diante disso, faz-se mister trazer para o palco das discussões o estilo de vida e os hábitos adotados pela sociedade hoje, cujas consequências afetam diretamente nossas crianças e em contrapartida, o que podemos fazer a fim de erradicar ou minimizar este impacto negativamente na vida delas. Por outro lado, o câncer infanto-juvenil, uma doença que sofre pouca influência do meio, mas que é devastador na vida familiar e social, merece igualmente uma abordagem ampla com o objetivo de elucidar dúvidas e contribuir para informações pertinentes e esclarecedoras.

 

O CRESCIMENTO E O DESENVOLVIMENTO  SAUDÁVEL DA CRIANÇA É NOSSA RESPONSABILIDADE

Dra. Simone Sudbrack
CRM 22901
Médica Pediatra.
Professora de Pediatria da Pontifícia Universidade Católica do RS ( PUC-RS).
simonesudbrack@gmail.com

Muitas doenças, hoje prevalentes na sociedade moderna, como por exemplo, obesidade, diabetes, pressão alta, doenças do coração e da mente (depressão) e até mesmo o câncer podem ser prevenidas na infância. O crescimento e desenvolvimento saudáveis são os alicerces de uma sociedade sustentável.

O acompanhamento pediátrico é fundamental para promover este crescimento e desenvolvimento. A detecção precoce de problemas como sobrepeso, doença psicológica, distúrbios do desenvolvimento de fala são mais facilmente tratadas quando diagnosticadas precocemente nos primeiros anos de idade. Orientações sobre hábitos saudáveis de alimentação, vacinas e cuidados parentais são de primordial importância no acompanhamento da criança principalmente nos 3 primeiros anos de vida.

Promover o crescimento e desenvolvimento saudáveis consiste basicamente em:

1 – Possuir hábitos alimentares saudáveis

Os pais têm um papel essencial na promoção da alimentação saudável. Desde o início, a escolha de amamentar dá um forte estímulo nutricional aos bebês e pode ajudá-los a regular melhor seu ganho alimentar. Os pais também podem:

  • Oferecer diariamente alimentos sadios e nutritivos, como frutas e legumes, além de proteína de qualidade (carne de peixe, frango e carne vermelha, não esquecendo os miúdos que são ricos em ferro);
  • Não utilizar alimentos industrializados e açúcares antes dos 2 anos de idade (bolachas, refrigerantes, sucos, salgadinhos);
  • Ficar atentos a sinais de fome e de saciedade de seus filhos e servir porções adaptadas à sua idade, para evitar que comam demasiado;
  • Ensinar a seus filhos a reconhecer seus sinais de saciedade e a comer lentamente;
  • Fazer com que a hora das refeições seja agradável, sem estresse nem distração;
  • Oferecer acessórios adaptados para que seus filhos possam comer mais facilmente (por exemplo, utensílios adaptados à sua idade, copos com bico tipo canudo, cadeirões altos) e encorajar as refeições em família sempre que possível;
  • Evitar expor as crianças às telas (televisão, computador, etc.) antes da idade de 2 anos, a partir desta idade, limitar o tempo passado diante de uma tela a 1-2 horas por dia;
  • Encorajar seus filhos a manter atividade física.
  • Finalmente, um dos melhores meios de encorajar seus filhos a se alimentar de forma saudável consiste em dar o bom exemplo.

2 – Promover um bom vínculo entre pais e filhos

O desenvolvimento de um bom vínculo criança-pai/mãe é funda-mental para a sobrevivência e o desenvolvimento do ser humano. As pesquisas permitem confirmar quais são esses benefícios para as crianças:

 

  • Elas se tornam mais capazes de controlar suas emoções negativas em situações estressantes;
  • Elas desenvolvem competências sociais melhores, aprendem a iden-tificar suas emoções ao interagir com seu ambiente e são menos propensas a desenvolver problemas de internalização e exteriorização;
  • Elas são mais confiantes em sua exploração do mundo que as cerca;
  • Elas desenvolvem uma boa auto-estima, graças aos comportamentos atenciosos de seus pais e aprendem a manifestar a empatia em relação aos outros e a cooperar com eles. Essas habilidades sociais as ajudarão, posteriormente, a formar relações sólidas com seus pares.

 

3 – Estimular a prática de exercícios físicos

Para estimular as crianças a desenvolver um estilo de vida ativo, diversas organizações recomendam limitar o tempo dedicado a comportamentos sedentários e promover a atividade física na família e na creche. Por exemplo:

 

  • Crianças menores de dois anos de idade não devem assistir televisão;
  • Crianças com idade entre dois e cinco anos só assistir televisão de uma a duas horas por dia;
  • Atividades físicas recomendadas são de três horas, distribuídas ao longo do dia, tanto para crianças pequenas quanto para crianças em idade pré-escolar;
  • Participação diária em atividade física estruturada de 30 minutos para as crianças pequenas e de 60 minutos para as crianças em idade pré-escolar;
  • Crianças devem passar pelo menos uma hora por dia em atividades físicas não estruturadas (por exemplo, subir em uma estrutura de playground), tempo mínimo que pode ser estendido a várias horas.

 

4 – Brincar com outras crianças

A partir dos 6 meses os bebês já têm a capacidade de interagir e se comunicar com os outros, através do sorriso, do balbucio e do toque. Essas habilidades, já desenvolvidas desde muito cedo, são essenciais para que o ser humano possa brincar com outras crianças. Brincar é crucial para o desenvolvimento saudável:

 

  • Brincar significa aprender a dividir e expressar com palavras o que a criança deseja;
  • Brincar significa aprender a colaborar e aprender a cooperar com as outras crianças para atingir seus objetivos;
  • A interação com outras crianças permite que elas aprendam a desenvolver relações positivas entre si. Relações positivas são extremamente importantes para evitar a depressão, solidão e eva-são escolar na adolescência.

 

LEMBRE-SE!

Para prevenirmos doenças na idade adulta devemos cuidar da saúde desde a infância.

Além de cuidarmos da alimentação de nossas crianças, mantendo o hábito de  alimentos saudáveis, devemos estimular as crianças à prática de exercícios físicos. Exercícios físicos que devem ser estimulados  muito cedo, quando eles aprendem a caminhar.

A socialização da criança também é importante para o desenvolvimento saudável. Relacionamentos fortes e duradouros são importantes para a saúde mental  e estes devem ser aprendidos e construídos já na infância.

h1

11 de janeiro de 2017

Coluna da Flávia Maoli.

Revista Integrativa – dezembro de 2016

titulo

2016 – que ano, hein? Um ano que passou voando e se arrastando ao mesmo tempo. Um ano de mudanças, certamente – políticas, sociais e pessoais. E, via de regra, grandes mudanças são precedidas pelo caos.

Se você está lendo esse texto, é porque viveu, de alguma forma, a realidade do câncer. Talvez, você seja paciente e tenha descoberto a doença esse ano. Talvez, tenha encarado uma temida recidiva. Talvez, algum de seus familiares ou amigos tenha enfrentado o câncer, fazendo você entrar em contato com esse mundo novo. Talvez, você seja profissional da saúde e a sua rotina diária inclua ajudar as pessoas em seus momentos mais delicados.

O fato é: encarar o câncer é uma possibilidade de mudança. Essa dura realidade nos abre os olhos como nenhuma outra. Porque, apesar de sabermos que somos mortais, temos a teimosa mania de ignorar este fato. Fingimos que nosso tempo é infinito, que temos muita vida pela frente e podemos desperdiçá-la com besteiras. O câncer vem para nos mostrar que não temos garantias – e que ninguém as tem, independente de doenças, idade ou classe social.

Não podemos mudar o passado, mas temos a chance de fazer diferente daqui em diante. Ao invés de encararmos o diagnóstico com olhos de derrota, que tal enxergarmos essa realidade como uma segunda chance? Não, você não escolheu ter câncer, mas você pode escolher como encará-lo. Não devemos ser vítimas das circunstâncias – pelo contrário, ao escrever nossa história, devemos ser aquele que segura a caneta. Quando a pior situação possível acontecer, respire fundo e se pergunte: o que eu posso fazer para melhorar isso? A resposta pode ser mudar de atitude, aceitar a realidade ou procurar algo para amenizar a dor – o mais importante é sabermos que estamos fazendo o melhor possível para que tudo fi que bem.

Geralmente, as pessoas se perguntam o que elas esperam do ano que se inicia, fazem uma lista de pedidos para o novo ano; avaliam o que aconteceu no ano que termina. Desde que fui diagnosticada com Linfoma de Hodgkin, em 2011, passei a me perguntar o contrário: o que esse novo ano espera de mim? Que eu continue repetindo meus erros, desperdiçando meu tempo com o que não é de fato importante? Que eu não cuide da minha saúde, seja desleixada com minha alimentação, que esqueça todas as dificuldades que já enfrentei e volte a viver acreditando ser imortal? O ano não será diferente se você não mudar suas atitudes. E nunca é tarde para mudar.

Agora, mais um capítulo chega ao fi m – e um novo ano se inicia, cheio de novas chances para nós. Ao invés de fazermos nossa lista de pedidos para o ano novo, que tal agradecermos pelas lições que aprendemos esse ano? Que tal nos comprometermos a aproveitar nosso tempo da melhor forma possível? Que tal vermos todos os dias como uma segunda chance, como uma página em branco pronta para ser colorida? Então, pegue firme sua caneta, escreva sua nova história e Feliz Ano Novo!

Flávia Maoli

Arquiteta, blogueira do Além do Cabelo

e colunista da Revista integrativa

http://www.alemdocabelo.com

http://clinionco.com.br/revistas/revista-integrativa-edicao-15

flavia-maoli

h1

Bazar de Natal da CliniOnco 2016 estimula a produção de trabalhos manuais

14 de novembro de 2016

post-bazar-natal

O tradicional Bazar de Natal da CliniOnco acontecerá no dia 01 de dezembro. O evento oportuniza que pacientes e familiares divulguem e comercializem seus trabalhos manuais no local. Realizado anualmente na sede da clínica (Rua Dona Laura, 204), o Bazar reúne pessoas que enfrentam o diagnóstico do câncer, familiares, colaboradores da CliniOnco e comunidade.

O Bazar é das 10h às 16h, aberto ao público e as inscrições para expositores podem ser feitas pelo email marketing@clinionco.com.br ou pelos fones 51 4009 6029 | 51 99571 8500.

Bazar de Natal

Dia 01 de dezembro (quinta-feira)

Das 10h às 16h, na sede da CliniOnco (Rua Dona Laura, 204).

#BazarDeNatalCliniOnco